A morte de Alfred Hitchcock – o homem errado


Em 29 de Abril de 1980 morria Alfred Hitchcock. Agora, se você está se perguntando QUEM foi Alfred Hitchcock:

Sua história confunde-se com a própria história do cinema, foi do cinema mudo e em preto/branco na Inglaterra para os filmes sonoros e coloridos em Hollywood. Introduziu o conceito do McGuffin (objeto que orienta a trama sem, no entanto, ter importância para conclusão da mesma) – em Psicose (1960) o dinheiro roubado só serve para conduzir a personagem até o Motel Bates onde ele perde a importância para trama.

Alfred Joseph Hitchcock nascido em uma sexta-feira 13 de agosto no ano de 1899 na Inglaterra era filho de pais humildes. Aos 14 anos perdeu o pai e aos 20 começou sua carreira no cinema desenhando cartões para filmes mudos. Rapidamente foi promovido e passou a diretor. Chamou atenção à frente dos suspenses O inquilino (1926), Os 39 degraus (1936) e A dama oculta (1938). Convidado a trabalhar nos Estados Unidos, mudou-se para lá com a esposa Alma Revile, sua ajudante de longa data.

Em Hollywood veio a consagração. Se antes as pessoas iam ao cinema para ver os grandes astros, agora tinham motivo para ver o diretor representado por sua direção vigorosa e detalhista. No início das filmagens ele tinha as cenas tão bem concebidas em sua cabeça que mal se dava ao trabalho de conferir o resultado dado a certeza de conseguir o resultado que procurava.

Além do já citado Psicose, Janela indiscreta (1954), O terceiro tiro (1955) Um corpo que cai (1958), Intriga internacional (1959) e Os pássaros (1963) são filmes que figuram facilmente em qualquer lista de melhores de todos os tempos.

Alfred foi responsável por alguns filmes médios e muitas obras primas fazendo concessão a outros gêneros além do suspense como provam Um Casal do Barulho (1941), Valsas de Vienna (1934) e Spellbound (1945) que complementam a excelente filmografia do diretor que jamais realizou obras menores.

Uma crítica simplista descreveria seus filmes como: ‘conto do homem errado, acusado injustamente e que perseguido precisa provar que é inocente’. Mas é impossível ser simplista quando falamos de um verdadeiro mestre. Hitchcock filmava sexo como fosse assassinato e vice-versa, ignorando a verossimilhança e mantendo a prerrogativa de que “tudo que possa ser mostrado, não dever ser dito”. Foi assim que realizou obras até hoje copiadas, reverenciadas e que habitam nosso imaginário com cenas inesquecíveis (como a cena do chuveiro em Psicose, a perseguição do avião em Intriga Internacional ou o plano seqüência de Festim Diabólico).

Além dos 53 filmes que dirigiu, teve seu nome associado a pelo menos dois seriados de tv (Hitchcock Presents e Hitchcock Hour), era um dos principais acionistas da Universal Studios e dirigiu em 1944, dois curtas que, em apoio ao esforço de guerra, homenageava a resistência francesa que sofria em mãos nazistas.

Diferente da realidade atual em que a moda é a adaptação fílmica de best-sellers, Alfred Hitchcock evitava fazer tais transposições, buscando enredos originais para seus filmes. Sir Alfred (título recebido da rainha Elizabeth II quatro meses antes de morrer) defendia o envolvimento do diretor em todo processo, desde a composição dos cenários, do roteiro, da direção e da montagem (seus métodos únicos evitaram que os estúdios interferissem na montagem de seus filmes já que a maneira que filmava possibilitava apenas uma única maneira de montá-lo).

Nos próximos posts irei detalhar algumas de suas obras. Por hora, as aparições de Hitchcock, participação que o diretor fez em cada um de seus filmes e que virou sua marca registrada:

Filmografia:

1925 – Jardim da Alegria, o (The Pleasure Garden)
1927 – Anel, o – O Aviso(The Ring)
1927 – Champagne (Champagne)
1927 – Downhill (Downhill)
1927 – Inquilino Sinistro – O Pensionista (The Lodger)
1928 – Mulher do Fazendeiro, a – Pobre Pete (The Farmer’s Wife)
1928 – Mulher Pública (Easy Virtue)
1929 – Chantagem e Confissão (Blackmail)
1929 – Ilhéu, o (The Manxman)
1930 – Assassinato (Murder!)
1930 – Juno And The Paycock (Juno And The Paycock)
1931 – Ricos e Estranhos (Rich and Strange)
1931 – Skin Game, the (The Skin Game)
1932 – Mistério no nº 17, o (Number Seventeen)
1934 – Homem que Sabia Demais, o (The Man Who Knew Too Much)
1934 – Valsas de Viena (Waltzes from Vienna)
1935 – 39 Degraus, os (The 39 Steps)
1936 – Agente Secreto, o – Os 4 Espiões (Secret Agent)
1936 – Sabotagem – O Marido era o Culpado (Sabotage)
1937 – Jovem e Inocente (Young and Innocent – The Girl Was Young)
1938 – Dama Oculta, a (The Lady Vanishes)
1939 – Estalagem Maldita – A Pousada da Jamaica (Jamaica Inn)
1940 – Correspondente Estrangeiro (Foreign Correspondent)
1940 – Rebecca, A Mulher Inesquecível (Rebecca)
1941 – Casal do Barulho, um (Mr. & Mrs. Smith)
1941 – Suspeita (Suspicion)
1942 – Sabotador (Saboteur)
1943 – Sombra de uma Dúvida, a (Shadow of a Doubt)
1944 – Barco e Nove Destinos, um (Lifeboat)
1945 – Spellbound, Quando Fala o Coração (Spellbound)
1946 – Interlúdio (Notorious)
1947 – Agonia do Amor (The Paradine Case)
1948 – Festim Diabólico (Rope)
1949 – Sob o Signo de Capricórnio (Under Capricorn)
1950 – Pavor nos Bastidores (Stage Fright)
1951 – Pacto Sinistro (Strangers in a Train)
1953 – Tortura do Silêncio, a (I Confess)
1954 – Disque M Para Matar (Dial M For Murder)
1954 – Janela Indiscreta (Rear Window)
1954 – Ladrão De Casaca (To Catcha Thielf)
1955 – Terceiro Tiro, o (The Trouble with Harry)
1956 – Homem Errado, o (The Wrong Man)
1956 – Homem que Sabia Demais, o (The Man Who Knew Too Much)
1958 – Corpo que cai, um (Vertigo)
1959 – Intriga Internacional (North By Northwest)
1960 – Psicose (Psycho)
1963 – Pássaros, os (The Birds)
1964 – Marnie, Confissões de Uma Ladra (Marnie)
1966 – Cortina Rasgada (Torn Curtain)
1969 – Topázio (Topaz)
1972 – Frenesi (Frenzi)
1976 – Trama Macabra – Intrigas em Família (Family Plot)

Livro – Hitchcock/Truffaut: Edição Definitiva

Mais sobre as obras de Hitchcock, aqui

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