Filme – Psicose (Psycho) 1960/1998


Das tantas obras-primas criadas por Alfred Hitchcock, Psicose é sem sombra de dúvida a sua obra maior, maiúscula. Considerado pelo American Film Institute o melhor thriller já feito, está entre os 25 mais votados no Top 250 do IMDB e figura facilmente em toda lista de melhores filmes de todos os tempos além de ser um dos mais plagiados, reverenciados e referenciados.

Embora costume comparar a obra original e seu remake, que algumas vezes supera sua fonte de inspiração, no caso da colorida refilmagem de 1998 (do diretor Gus Van Sant com Vince Vaughn, Julianne Moore e Viggo Mortensen) isto é impossível por tratar-se de um filme dispensável, que em nada acrescenta e não serve nem mesmo como homenagem – mais parece uma afronta. O mesmo pode ser dito dos três filmes feitos após a morte do diretor britânico e que dão seqüência à saga de Norman Bates, pois são no máximo, filmes médios. Até mesmo porque refilmar um Hitchcock com sucesso é tarefa que somente ele próprio conseguiu em 1956 comandando James Stewart na versão americana de seu filme feito em 1934.

Bem, voltando ao Psicose de 1960, Marion Crane (Janet Leigh) é empregada de uma imobiliária e é constantemente assediada por um de seus clientes. Após seu chefe receber 40 mil dólares deste cliente por conta de um negócio feito entre eles, Marion fica responsável por fazer o depósito no banco para o patrão. No entanto, ela resolve fugir com a bolada – o já citado McGuffin de Hitchcock.

Deste ponto em diante entram em cena os dois atores principais de Hitchcock, a câmera e a trilha sonora. Sua direção magistral dá o tom e a tensão é crescente enquanto acompanhamos Marion sendo parada durante a fuga por um policial que desconfia da moça. Cada instante é nervoso, a câmera flagra suas reações nos forçando a tentar adivinhar se ela conseguirá escapar. Vencido este primeiro obstáculo, ela dirige durante a noite chuvosa até que chega a um motel de beira de estrada onde Norman Bates (atuação épica de Anthony Perkins) a recebe. Uma das mais sensacionais viradas da história do cinema está para acontecer.

Trata-se da famosa cena do chuveiro, tão explorada em outros filmes, seriados, fotografias e até mesmo desenhos animados. Para evitar custos e também o choque que tanto sangue em cores vívidas poderia causar nos espectadores o filme foi intencionalmente filmado em preto e branco.

Foi preciso uma semana de filmagens com câmeras em 70 ângulos diferentes ao custo de 90 rolos para que o perfeccionismo do diretor fosse saciado nesta tomada de meros 45 segundos que entraram para história. Bernard Herrmann adicionou a mítica trilha à cena que fora pensada sem som. Testes exaustivos com diferentes frutas foram feitos até que o melão foi o que ficou mais próximo na tarefa de emitir o som de um corpo humano sendo esfaqueado.

Hitchcock inovou ao incluir na exibição nos cinemas um pedido para que o final do filme não fosse contado a quem ainda não tivesse assistido. Proibiu também a entrada nas sessões depois que o filme tivesse começado (um cartaz bem humorada dizia “mesmo que você seja o presidente dos Estados Unidos ou a Rainha em pessoa, não deverá entrar se o filme tiver iniciado).

O filme fora baseado em um livro de Robert Bloch, que Hitchcock acabou comprando quase que sua totalidade para evitar que as pessoas conhecessem de antemão o final da trama. Evidentemente vou respeitar o mestre do suspense e não revelarei mais do que o suficiente para manter a trama.

Acabou indicado ao Oscar em quatro categorias, sem que, no entanto, a academia reconhecesse sua relevância. Janet Leigh acabou levando o Globo de Ouro daquele ano como melhor atriz coadjuvante. Apesar disto, o filme que custou menos de 1 milhão de dólares, arrecadou mais de 40 milhões e teve filas e alvoroço em suas sessões.

A edição especial lançada em dvd duplo mostra o próprio diretor como guia pelos antagônicos prédios utilizados para as filmagens, o horizontal motel e a vertical casa da mãe de Norman. Uma aula de suspense e mais do que isto, uma aula de cinema. Aos mais jovens fica a obrigação de conhecer esta obra-prima, aos mais rodados que ainda não viram, só me resta recomendar serem queimados em praça pública.

Trailer de Psicose:

Análise da famosa cena do chuveiro: