Entrevista de Tommy Ramone para NOISECREEP


Em 1976 foi lançado o mais importante e influente disco punk da história. O álbum homônimo dos Ramones mudou o panorama da música para sempre influenciando gerações de músicos. 2263 shows e 20 anos depois os pioneiros do punk já não eram mais os mesmos. Num espaço de oito anos, três dos membros originais (o vocalista Joey Ramone, o guitarrista Johnny Ramone e o baixista Dee Ramone) morreram.

Em 18 de março de 2002 os Ramones – incluindo os três fundadores e os bateristas Tommy e Marky Ramone foram indicados ao Hall da Fama do Rock n’ Roll. Para comemorar o legado perene da banda a Rhino Records recentemente homenageou os Ramones relançando os primeiros quatro álbuns do grupo em vinil 180 gramas.

Tommy Erdelyi (Tommy Ramone) foi o baterista nos três primeiros discos, co-produziu os quatro primeiros e deu uma imensa colaboração no desenvolvimento e sucesso da banda. No vácuo dos relançamentos da Rhino, Tommy falou à Noisecreep sobre os novos vinis, a banda e sua vida hoje.

O que você achou quando viu os relançamentos que a Rhino fez dos quatros discos iniciais dos Ramones?
Isto realmente me levou de volta. Senti que é ótimo que tenhamos nos ligado à Rhino. Eles também fizeram um trabalho incrível com nossos CDs, mas agora com os vinis, eles mostraram verdadeiro respeito de maneira geral. Os detalhes, as embalagens… Mais, estas músicas foram feitas para vinil, os sons, o jeito que as músicas foram arranjadas, então estou muito feliz.

Porque você acha que os discos ainda fazem sucesso? Porque eles ainda entusiasmam as pessoas?
Acho que eles passaram no teste do tempo. Quanto nós surgimos eles foram meio que revolucionários. Muitas pessoas não sabiam o que fazer com o primeiro álbum. Os Ramones são o tipo de grupo que o mundo levou 30 anos para alcançá-los. Nós meio que estabelecemos um novo parâmetro, chegando com novas idéias e conceitos diferentes para construir um novo cenário musical.

O que você acha que tornou os Ramones tão especiais?
Foi uma combinação de coisas. Lembrando, originalmente eu era o empresário – e eu quis juntá-los porque achei que eles eram pessoas tão puras. Simplesmente vi alguma coisa. Eles mostraram isto nos primeiros ensaios com as músicas originais e eu não esperava por isto. E eu disse para mim mesmo, há algo especial aqui. Era uma combinação de suas perspectivas únicas, seu talento único, combinado com sua consciência a respeito da história do rock n’ roll, o que foi necessário àquela altura, certas coisas que precisavam ser mudadas no cenário mundial – era um combinado de várias coisas. Mas principalmente suas próprias personalidades. Eram pessoas únicas; muito voláteis com muita energia, emoções reprimidas e coisas deste tipo. Tantas coisas combinadas resultaram naquilo que fez da banda tão especial.

Como você se tornou o baterista?
Quando descobrimos que Joey era melhor cantando, quisemos trazê-lo para frente. Então começamos a fazer audições para baterista, mas eles não conseguiam compreender o conceito da banda – a velocidade e simplicidade. Então eu sentava e mostrava a eles o que estávamos procurando e os caras simplesmente diziam “porque você não faz isto?” Daí fiz um teste e foi quando o som da banda se consolidou – ficou redondo – e nos tornamos Ramones.

Poderia voltar no tempo até a gravação daquele lendário primeiro disco?
Foi realmente agitado. Totalmente caótico. Tínhamos pouco tempo e os rapazes não tinham muita experiência em estúdio mas nós trabalhamos realmente duro e rápido e felizmente nós tínhamos uma linha quando entramos em estúdio porque tínhamos feito uma demo para conseguir um contrato de gravação. Daí apenas seguimos a demo. Já tínhamos feito a estrutura, o que possibilitou finalizar tão rapidamente. Não acho que tenhamos levado duas semanas trabalhando e finalizando o disco todo.

Ouvindo os relançamentos da Rhino em vinil, pode-se perceber o conceito da banda evoluindo através dos álbuns. Como co-produtor, qual era seu objetivo?
A primeira gravação foi basicamente rápida e veloz. Na segunda gravação nós buscamos um som mais pop. Algo pop e pesado. Para Rocket to Rússia, nós meio que atingimos o pico. Ficamos realmente bons no que fazíamos, por isto é meu disco favorito, é um disco bom mesmo. É ótimo do começo ao fim. Tivemos controle total nele. E no quarto álbum, Road to Ruin, decidi largar a bateria e nós trouxemos Marky. Combinamos meu estilo e o dele e criamos algo realmente pesado naquele disco – ele se tornou nosso disco ‘de peso’.

Depois de deixar a banda, sei que você continuou produzindo algumas coisas – mas você manteve contato com eles?
Certamente. Estive em cada show que eles fizeramem Nova York. Mantivemos-nosconectados, éramos amigos.

Outros bateristas ainda te perguntam sobre seu jeito de tocar?
Sim. Perguntam sobre meu estilo. É engraçado que fiz aquilo ao natural. A bateria era novidade para mim. Estava apenas tocando o que estava na minha cabeça. Era um guitarrista de origem – daí na bateria, apenas tocava o que estava na minha cabeça mais do que me preocupava com o que os outros tocavam. E desse jeito criei um estilo simples mas único.

Antes dos Ramones, na verdade você trabalhou com Jimi Hendrix.
Correto. Era engenheiro assistente nas gravações do Band of Gypsies. Era muito jovem e ele era tão grande quanto possa imaginar. Ele era uma pessoal incrível, fácil de lidar, trabalhava duro e era dedicado – um verdadeiro perfeccionista.

E hoje você está em um duo de bluegrass, o Uncle Monk.
Quando garoto estava sempre no bluegrass. Basicamente gosto de música que tenha estrutura simples e que tenha bastante emoção e sentimento. Bluegrass e outras músicas das antigas combinam isso como o que o punk se tornou – ambos os tipos tem estrutura de funcionamento parecida. Comecei a tocar bandolin e banjo há uns 20 anos.

Os outros Ramones gostavam da música que você tocava?
Sim. Quero dizer, eram cientes dos meus gostos musicais – eles também eram muito ecléticos.

Joey, Johnny e Dee Dee já se foram – pensa seguido neles?
Penso neles todo tempo. Sempre estiveram muito presentes na minha consciência – no meu dia-a-dia – eles estão sempre comigo.

Entrevista de Tommy Ramone para Noisecreep precariamente traduzida por mim.