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  • paulocarames 17:52 em 16/08/2011 Link Permanente | Resposta
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    Robert Johnson (8/05/1911 – 16/08/1938) 

    Como se constrói um mito? Bom, Pelé marcou 1283 gols em sua carreira e graças não só à quantidade, mas à beleza de seus gols tornou-se um mito. Revolucionou a maneira como se joga futebol e depois dele o futebol jamais voltou a ser o que era.
    Assim como ocorreu no futebol com Pelé, depois de Robert Johnson o Blues jamais foi o mesmo. Mas, Johnson não precisou de tantas músicas para, assim como Pelé, tornar-se um mito. Tanto que um consumidor desavisado corre o risco de comprar um disco deste artista e acreditar tratar-se de uma simples coletânea quando o álbum na verdade contém a íntegra de sua obra.
    Ele fez apenas duas sessões de gravação, uma em novembro de 1936 e a outra em junho de 1937 de onde foram extraídas as únicas 29 músicas conhecidas dum total de 41 faixas incluindo takes alternativos. Parece muito pouco, e de fato, Johnson teve muito pouco reconhecimento em vida, sua obra só foi devidamente reconhecida a partir dos anos 1960 com o resgate de suas canções por artistas como Rolling Stones e Eric Clapton consolidando-o no hall dos principais bluesman que já existiram.
    Entretanto, outros aspectos da breve vida de Robert Johnson são incertos e de complexa explicação, pois documentos oficiais a respeito dele inexistem ou são contraditórios, além de haver somente três fotografias conhecidas e absolutamente nenhum registro em vídeo.
    Sua mãe, Julia Ann Majors, casou-se em 1889 com Charles Dodds Jr que a abandonou em 1907. Então, Julia e Noah Johnson tem um caso que resulta em um filho, Robert Leroy Johnson, sua provável data e local de nascimento são ponto de controvérsia entre historiadores e biógrafos embora a maioria aponte Hazlehurst, Mississippi em 1911 como a informação mais confiável.
    Após uma infância conturbada, contra a vontade dos pais, Johnson opta pela música, seguindo o exemplo de seus ídolos Son House, Charley Patton e Skip James. Ele se casa com apenas 18 anos, mas perde sua esposa, então dois anos mais nova, durante o parto junto com o bebê que esperava. Este acontecimento marca sua vida e também sua música, naquela altura Robert era considerado pelos amigos Son House e Willie Brown apenas um aprendiz promissor, ou como citam algumas biografias “uma nulidade”.
    Com o ego ferido, Robert Johnson some durante algum tempo sendo uma incógnita se se passaram meses ou apenas dias. O que se sabe é que quando retornou, ele demonstrou uma habilidade muito superior a que demonstrara até então. Surge a partir daí o mito do pacto com o diabo onde ele teria entregado sua alma em uma encruzilhada em troca de ser um músico mais habilidoso. Mito ou verdade, o fato é que o resultado das gravações mostra um músico extremamente talentoso e como disse Keith Richards, dos Stones, “quem é o outro cara que está tocando com ele?”, reflexo da maneira revolucionário de Johnson ao violão em que fazia parecer estar acompanhado por outros músicos.
    Em 13 de agosto de 1938 após envolver-se com uma mulher casada, ele teria sido envenenado morrendo de pneumonia três dias depois. Assim como tantos outros fatos de sua vida, o autor do envenenamento permanece um mistério, podendo ter sido tanto um marido traído como uma namorada ciumenta, das tantas mulheres com quem costumava se envolver.
    Certo mesmo é o legado e a importância que suas 29 músicas representam tendo influenciado uma infinidade de outros artistas. Um artista fundamental em toda discoteca ou diretório de mp3.

    Para saber mais:
    Documentário – Can’t You Hear the Wind Howl? The Life and Music of Robert Johnson 1997
    Narrado por Danny Glover, tem Keb’ Mo’ interpretando o jovem Robert Johnson além de Eric Clapton, Robert Cray, John Hammond, Robert Lockwood Jr, Keith Richards e Johnny Shines. Concentra-se mais na lenda do que na apuração dos fatos.

    DVD – Hellhounds On My Trail The Afterlife of Robert Johnson 2000
    Tributo ao bottlenecker do Mississippi com entrevista e performances de RL Burnside, Keb’ Mo’ e Robert Lockwood Jr, enteado de Johnson. Apresenta também o que poderia ser o primeiro registro em vídeo conhecido, embora especialistas ainda não tenham chegado a um consenso.

    Documentário – The Search for Robert Johnson 1992
    John Hammond percorre os lugares que fizeram parte da vida de Robert Johnson resgatando a história deste lendário músico com entrevistas de Keith Richards, Eric Clapton, biógrafos de blues e do filho de Johnson, Claude Johnson. Hammond conversa com outro importante blueseiro, Johnny Shines e aproveita para fazer uma jam com Honeyboy Edwards, que estava presente na fatídica noite do envenenamento de Johnson.

    Filme – A Encruzilhada (Crossroads) 1986
    Ralph Macchio (o Daniel Sam de Karatê Kid) é o jovem guitarrista Eugene Martone que tenta a fama e encontra Joe Sêneca, amigo íntimo de Robert Johnson. O plano de Martone consiste da crença que o pacto de Johnson com o diabo contemplava 30 músicas. Desta forma ele parte atrás do que seria a última música do trato e que lhe daria fama. A trilha sonora é de Ry Cooder.

    DVD – Eric Clapton Sessions for Robert J
    Neste tributo, Eric Clapton acompanhado de sua banda, toca 16 músicas de Robert Johnson em ensaios em Londres e Dallas além de gravações no mesmo local onde Johnson gravou algumas de suas músicas.

    Livro – Blues Da Lama a Fama
    Escrito pelo crítico Roberto Muggiati, Blues – Da Lama a Fama conta a história deste secular gênero da música norte-americana que hoje está difundida em cada continente e nos mais diversos países.

    CD – Robert Johnson – King of the Delta Blues Singers 1961
    01. Crossroads Blues
    02. Terraplane Blues
    03. Come on in My Kitchen
    04. Walkin’ Blues
    05. Last Fair Deal Gone Down
    06. 32-20 Blues
    07. Kind Hearted Woman Blues
    08. If I Had Possession Over Judgment Day
    09. Preachin’ Blues (Up Jumped the Devil)
    10. When You Got a Good Friend
    11. Ramblin’ on My Mind
    12. Stones in My Passway
    13. Traveling Riverside Blues
    14. Milkcow’s Calf Blues
    15. Me and the Devil Blues
    16. Hellhound on My Trail
    17. Traveling Riverside Blues (Alternate Take)

     
  • paulocarames 1:43 em 16/08/2011 Link Permanente | Resposta
    Tags: , , , elvis não morreu, , remember the king, the king is gone but not forgotten   

    Antes de Elvis, não havia nada. 

    A frase acima, do ex-Beatle John Lennon, resume bem a importância que Elvis Aaron Presley (8 de janeiro de 1935) teve para música mundial. Há um vasto leque de opções para quem se propõe a descrever este mito.

    Podemos, por exemplo, dividir sua carreira em três. De forma quase hermética, anos 1950, 60 e 70.

    A origem apoteótica e a consagração como Rei do Rock aconteceram ainda nos anos 50 quando virou a sociedade americana de cabeça para baixo. Ele, na época um motorista de caminhão, fez algumas gravações nos estúdios da Sun Records e não parou mais.

    Apesar de branco, cantava como negro e em suas apresentações se valia de um requebrado que seria mais tarde censurado na tv americana.

    Em 1958 alistou-se no exército e foi servir na Alemanha. Neste período perdeu sua mãe (fardo que carregou pro resto da vida).

    Seu casamento com Priscilla Beaulieu, que conhecera em 1959 com então 14 anos, duraria até 1972 e seria responsável por sua única herdeira – Lisa Marie Presley.

    Dedicou praticamente toda a década ao cinema fazendo uma média de 3 filmes por ano (sendo muitos de qualidade questionável) lançando trilhas sonoras à medida que seus filmes eram produzidos em um processo quase de linha de montagem.

    Balada Sangrenta (1958), Feitiço Havaiano (1961), Saudades de um Pracinha (1960) e Seresteiro de Acapulco (1963) destacam-se entre um total de 33 filmes que ele estrelou em toda carreira.

    Com o famoso ‘show da volta‘ em 1968 mostrou que ainda tinha bala na agulha após ter seu talento e sua majestade questionadas por público e crítica.

    Os anos 1970 seriam marcados pelas turnês (incluindo inúmeras apresentações em Las Vegas – com direito a até 3 shows por dia) que só teriam fim com sua morte em 16 de agosto de 1977.

    Graceland (mansão que ele comprara para sua mãe e onde hoje repousa seu corpo) recebe peregrinação de fãs comparável a de fiéis em visita a Terra Santa.

    Nascia assim o mito. Diversas teorias de que Elvis não teria morrido tiveram origem desde então e foram endossadas por um sem número de fãs que todos os anos alegam ter estado com o Rei em toda parte do globo.

    Cunhou-se a partir de então a expressão “Elvis não morreu” que para muitos se aplica a sua obra. Para outros tem um sentido literal e indicaria que ele não morreu naquele fatídico dia de agosto de 1977.

    Algumas das tantas teorias dão conta de que Elvis seria agente do FBI viajando pelo mundo. Na Argentina cartazes com uma simulação de sua fisionomia caso continuasse vivo alimentam a paranóia.

    Outra faceta passível de ser explorada para compreender seu legado é por meio dos números. Mesmo após sua morte, continua sendo um dos artistas mais rentáveis do mundo, superando inclusive artistas ainda em atividade (o total de vendas supera 1 bilhão de discos comercializados).

    Foi indicado 14 vezes ao Grammy e seu especial de tv direto do Hawaii em 1973 foi assistido por 1,5 bilhão de pessoas – audiência maior do que os primeiros passos do homem na lua.

    Único artista indicado para três diferentes Halls da Fama: Rock and Roll (1986), Música Country (1998) e Música Gospel (2001). Teve seu rosto impresso em um selo comemorativo que teve mais de 500 milhões de unidades produzidas. Fez ao todo 1145 shows e recebeu discos de ouro, prata e platina por seus 150 álbuns (incluindo singles) e a cada anos são lançados outros boxes e edições especiais que mantém a lenda viva.

    Ou como diz Neil Young, “o Rei está morto mas não esquecido“.

     
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