Antes de Elvis, não havia nada.


A frase acima, do ex-Beatle John Lennon, resume bem a importância que Elvis Aaron Presley (8 de janeiro de 1935) teve para música mundial. Há um vasto leque de opções para quem se propõe a descrever este mito.

Podemos, por exemplo, dividir sua carreira em três. De forma quase hermética, anos 1950, 60 e 70.

A origem apoteótica e a consagração como Rei do Rock aconteceram ainda nos anos 50 quando virou a sociedade americana de cabeça para baixo. Ele, na época um motorista de caminhão, fez algumas gravações nos estúdios da Sun Records e não parou mais.

Apesar de branco, cantava como negro e em suas apresentações se valia de um requebrado que seria mais tarde censurado na tv americana.

Em 1958 alistou-se no exército e foi servir na Alemanha. Neste período perdeu sua mãe (fardo que carregou pro resto da vida).

Seu casamento com Priscilla Beaulieu, que conhecera em 1959 com então 14 anos, duraria até 1972 e seria responsável por sua única herdeira – Lisa Marie Presley.

Dedicou praticamente toda a década ao cinema fazendo uma média de 3 filmes por ano (sendo muitos de qualidade questionável) lançando trilhas sonoras à medida que seus filmes eram produzidos em um processo quase de linha de montagem.

Balada Sangrenta (1958), Feitiço Havaiano (1961), Saudades de um Pracinha (1960) e Seresteiro de Acapulco (1963) destacam-se entre um total de 33 filmes que ele estrelou em toda carreira.

Com o famoso ‘show da volta‘ em 1968 mostrou que ainda tinha bala na agulha após ter seu talento e sua majestade questionadas por público e crítica.

Os anos 1970 seriam marcados pelas turnês (incluindo inúmeras apresentações em Las Vegas – com direito a até 3 shows por dia) que só teriam fim com sua morte em 16 de agosto de 1977.

Graceland (mansão que ele comprara para sua mãe e onde hoje repousa seu corpo) recebe peregrinação de fãs comparável a de fiéis em visita a Terra Santa.

Nascia assim o mito. Diversas teorias de que Elvis não teria morrido tiveram origem desde então e foram endossadas por um sem número de fãs que todos os anos alegam ter estado com o Rei em toda parte do globo.

Cunhou-se a partir de então a expressão “Elvis não morreu” que para muitos se aplica a sua obra. Para outros tem um sentido literal e indicaria que ele não morreu naquele fatídico dia de agosto de 1977.

Algumas das tantas teorias dão conta de que Elvis seria agente do FBI viajando pelo mundo. Na Argentina cartazes com uma simulação de sua fisionomia caso continuasse vivo alimentam a paranóia.

Outra faceta passível de ser explorada para compreender seu legado é por meio dos números. Mesmo após sua morte, continua sendo um dos artistas mais rentáveis do mundo, superando inclusive artistas ainda em atividade (o total de vendas supera 1 bilhão de discos comercializados).

Foi indicado 14 vezes ao Grammy e seu especial de tv direto do Hawaii em 1973 foi assistido por 1,5 bilhão de pessoas – audiência maior do que os primeiros passos do homem na lua.

Único artista indicado para três diferentes Halls da Fama: Rock and Roll (1986), Música Country (1998) e Música Gospel (2001). Teve seu rosto impresso em um selo comemorativo que teve mais de 500 milhões de unidades produzidas. Fez ao todo 1145 shows e recebeu discos de ouro, prata e platina por seus 150 álbuns (incluindo singles) e a cada anos são lançados outros boxes e edições especiais que mantém a lenda viva.

Ou como diz Neil Young, “o Rei está morto mas não esquecido“.