Olê, Olê, Olê, Olê,… Dead Fish!, Dead Fish!


Vocalista Rodrigo Lima em momento voador no Opinião, em Porto Alegre

Manter uma banda com integridade durante 20 anos ou mais está longe de ser algo fácil. Que fique claro que essa honestidade em estar na ativa por cerca de duas décadas nada tem a ver com sucesso. Ao menos não com aquele que significa vender um número absurdo de discos, tocar incessantemente em rádios, ter fãs histéricas, levar multidões aos shows. O lance é outro. Tem a ver com a capacidade de manter-se relevante, de produzir novidades, de lançar trabalhos com certa periodicidade, de fazer shows, de estar próximo aos fãs. E essas são atividades que o Dead Fish e o Garege Fuzz fazem e sempre fizeram, desde o início de suas carreiras, lá no começo dos anos 90. No dia 14 de junho, os dois grupos se apresentaram em Porto Alegre, no Opinião, mostrando que ainda tem vivacidade e provando a atemporalidade de suas composições.

 

Para abrir a noite, foram escalados os porto-alegrenses da Campbell Trio. O conjunto é, atualmente, uma espécie de sensação do cenário independente local. Rafa (baixo), André (bateria) e Diego W.P (guitarra e voz) fazem um post-hardcore competente, com músicas trabalhadas. Ao vivo, eles têm presença de palco, mesmo com a pouca trajetória. Ainda assim, em alguns momentos, o show soa um tanto repetitivo. Mas não há dúvidas de que se trata de uma banda com um puta potencial.

Depois do trio, foi a vez dos santistas do Garage Fuzz. O quinteto Fernando Zambeli (guitarra), Wagner Reis (guitarra), Daniel Siqueira (bateria), Fabrício de Souza (baixo) e Alexandre “Sesper” Cruz (voz) já passaram por Porto Alegre um punhado de vezes. Ainda assim, conseguem sempre, com execuções eficientes, atestar a qualidade de suas músicas. Em alguns momentos, a banda pareceu meio perdida, ou não muito à vontade. Mas os pontos positivos do show foram bem superiores aos negativos. A abertura com ‘Old Red Low Top’ foi um dos acertos. Belos momentos também em ‘Shore of Hope’, Dear Cinammon Tea’, ‘A Mutt Running Nowhere’, ‘After the Rain’  e ‘Dying Trying’. O grupo também apresentou uma nova canção, chamada ‘Warm and Cold’, que deve entrar em um EP previsto para ser lançado em breve. Na primeira tentativa de executar o novo som, a banda não se entendeu e preferiu mandar ‘It’s funny’. Depois sim, tocou a composição que ainda não consta em nenhum de seus trabalhos.

Enquanto técnicos de som e roadies preparavam o equipamento paro o Dead Fish – que veio lançar na Capital seu DVD ‘Ao Vivo 20 Anos -, a galera já bradava a tradicional saudação: ei Dead Fish, vai tomá no cu! Quando a banda apareceu em cena, porém, o chamamento foi mais brando. Numa pegada meio torcida organizada, o público puxou um sonoro “olê, olê, olê, olê… Dead Fish, Dead Fish”. Foi um belo cartão de visitas! Tanto que o vocalista Rodrigo Lima – que disse estar cansado do bordão autodepreciativo criado por ele mesmo (confira na entrevista no fim da resenha) – lascou com ar de satisfação: “Coisa mais linda! Nunca tinha não tinha ouvido essa!”. Com jogo, ganho ele e os companheiros Alyand (baixo), Phil (guitarra) e Marcão (bateria) promoveram um furacão de insanidade que já virou comum nos shows do grupo. Entre petardos como ‘Não’, ‘Sonhos Colonizados’, ‘Vencedores’, ‘Molotv’, e tantos outros, Rodrigo citou amigos porto-alegrenses (no caso, o cozinheiro Alan Chaves e a banda No Rest – atualmente em mais uma turnê pela Europa). Sobrou até para este que vos escreve fazer uma participação em ‘Fragmentos’. Claro, também não faltaram crássicos do naipe de ‘Sonho Médio’, ‘Bem-vindo ao Clube’, ‘Proprietários do Terceiro Mundo’, Você’, ‘Senhor Seu Troco, ‘A Urgência’ e ‘Queda Livre’.

Entrevista com Rodrigo Lima:

Texto: Homero Pivotto Jr.

Foto: Eduardo Biermann

Postado originalmente no site da Putzgrila