Ramones: a gafe que inspirou “Bonzo Goes To Bitburg”


Erros diplomáticos, gafes em visitas oficiais e atitudes premeditadas não são exclusividade de governantes das chamadas “Repúblicas de bananas”. Lançada em 1985 como single e, no anos seguinte em “Animal Boy”, “Bonzo Goes To Bitburg” se tornou um clássico dos RAMONES graças a backings descompromissados e uma estrutura nos melhores moldes da veia bubblegum do grupo. Entretanto, longe do descompromisso inicial de coisas como “I don´t wanna walk around with you”, “Bonzo” é uma crítica política ao então presidente ultra-republicano RONALD REAGAN, de acordo com o episódio abaixo descrito.

A canção foi escrita em reação à visita realizada pelo presidente dos EUA Ronald Reagan a um cemitério militar em Bitburg, Alemanha Ocidental, em 5 de maio de 1985. Reagan colocou uma coroa de flores no cemitério e, em seguida, fez um discurso público em uma base aérea próxima. A visita fez parte de uma viagem de homenagem às vítimas do nazismo e celebrou o renascimento da Alemanha Ocidental como um poderoso aliado dos EUA.

O plano de Reagan para visitar o cemitério Bitburg havia sido amplamente criticado nos Estados Unidos, Europa e Israel porque, entre os cerca de 2.000 soldados alemães, estavam enterrados 49 membros da Waffen-SS. Este foi o braço de combate das SS, a organização paramilitar que ajudou a administrar os campos de extermínio nazistas e que cometeu muitas outras atrocidades, incluindo o assassinato de prisioneiros de guerra americanos. Entre os que se opuseram veementemente à viagem destacam-se a comunidade judaica e grupos de veteranos dos EUA. A frase “Bonzo Goes to Bitburg” (“Bonzo vai para Bitburg”) foi cunhada por manifestantes nas semanas que antecederam a viagem de Reagan; empregado como um epíteto para Reagan, Bonzo é realmente o nome do chimpanzé personagem do filme “Bedtime for Bonzo”, estrelado pelo então ator RONALD REAGAN em 1951.

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Discutindo a inspiração para a canção, o vocalista Joey Ramone, um judeu, explicou que o presidente “jogou merda em todo mundo”. Em entrevista em 1986, ele disse: “Nós tínhamos visto Reagan visitar o cemitério SS na TV e nos sentimos enojados. Somos todos bons americanos, mas o discurso de Reagan era como perdoar e esquecer. Como você pode esquecer seis milhões de pessoas que morreram asfixiados nas cãmaras de gás ou carbonizados?”

Fonte: Whiplash.

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