CJ Ramone em Bragança Paulista/SP


04/07/2013 – Clube De Regatas De Bragança – Bragança Paulista/SP

CJ Ramone em Bragança Paulista/SP

Já me antecipo e aviso que isso não é bem uma resenha de show, é um relato de um fã dos Ramones desde 1987 e elogios extremos não serão poupados. Agora podemos continuar.

Bragança Paulista é uma simpática cidade do interior de SP situada entre Atibaia e a divisa de SP com Minas Gerais, famosa nacionalmente por ser a “terra da lingüiça” e depois pelos roqueiros do capeta do Leptospirose, somando tudo isso, imaginem um show praticamente gratuito (a entrada era apenas um litro de leite pra ajudar a criançada) com uma lenda viva do punk rock, ou melhor, um Ramone?

Numa jogada de mestre da Secretaria de Cultura (leia-se Quique Brown), a população roqueira da cidade foi praticamente movimentada em sua totalidade, e até aqueles que não entendem muito da coisa também estavam lá, sem contar a correria durante a última hora para a troca de ingressos (nisso eu me incluo) e muita, mas muita gente da região comparecendo. Como já dizia a faixa na entrada do Clube de Regatas de Bragança Paulista, era uma “Quinta Dançante” e foi isso o que realmente aconteceu.

A abertura da festa ficou a cargo dos locais do Space Cake que já é bem conhecida do pessoal da cidade e teve uma exposição maior nos anos 90, retornando a ativa recentemente pelo que me informei. O som embolado do salão que ainda não estava cheio sempre acaba comprometendo nessas horas mas a banda fez o seu set list com músicas próprias (e muitas na língua dos presentes) mesclando com alguns covers, destaque para “1, 2, 3, 4” do Little Quail and The Madbirds que foi uma grata surpresa e a bola fora “Rock n Roll High School” dos Ramones que começou e não terminou.

Após meia hora e salão já praticamente lotado com gritos de “Hey Ho, Let´s Go!” aparece a lenda viva do punk rock, CJ Ramone. O set abre com “Judy is a Punk” e daí em diante há um desfile de clássicos do quarteto nova iorquino focando mais nos 3 primeiros álbuns. “Glad to see you go”, “Rockaway Beach”, “Beat on the brat”, “Listen my Heart”, “53rd & 3rd” e tantas outras tocadas com fidelidade por CJ e sua banda (lembrando que os guitarristas são Steve Soto e Dan Root, ambos do The Adolescents). “Danny Says” ganhou uma versão “direto ao assunto” e como uma das minhas preferidas dos Ramones, aquele sorriso besta ficou por 2 minutos estampado no rosto e o momento fofinho do show com “I wanna be your boyfriend” e “She´s the one” fez alguns casais se olharem com um brilho diferente e muitos ali inclusive com filhos pequenos. É o poder dos Ramones sobre as famílias.

Vamos a outros pontos importantes: CJ veio pela segunda vez ao Brasil em tour do seu disco “Reconquista” e vou repetir o que alguns amigos já vem falando em outras resenhas: o diferencial desse Ramone é a humildade e a proximidade com o público. “Reconquista” é um puta discão, ainda que não tenha atingido um grande público, é um álbum de ótimas canções e CJ não soa como um cara que carrega o privilégio e a maldição da insígnia “Ramone” para fazer mais um caça-níquel. As músicas tem destaque legal também dentro do show (“What we gonna do now?”, “Three Angels” –dedicada a Joey, Johnny e Dee Dee) e ele está ali para mostrar que existe vida (e com grande qualidade musical) pós Ramones e isso pessoalmente me deixa muito feliz. “Baby Ramone” já não é mais baby, não tem mais o cabelo pinico (aliás, nem cabelo tem mais) e você ver seu ídolo da adolescência cantando “Strenght to Endure” e “The Crusher” há 3 metros de você, rapaz, é de derreter o coração mais gelado do mundo e cada porrada levada para chegar na grade (e apanhando para a namorada não apanhar também), não tem preço.

Num show onde há um Ramone não sobra muito espaço para rótulos, essas coisas do tipo “isso é punk, isso é isso ou aquilo”, é simplesmente rock e numa festa dessa você encontra todos os tipos possíveis: havia uma menina na minha frente que a cada acorde agitava seu cabelo como uma hedbanger, tocava air guitar e parecia que a qualquer momento iria gritar “toca Sweet Child o mineeeeeee” com seu namorado há um passo atrás sem entender nada e ela pelo visto, ela também não conhecia uma música sequer dos Ramones, mas afinal de contas, o rock existe pra gente dançar, cantar junto e se divertir, não é mesmo?

Por Fabiano Nick no Zona Punk em 4/7/2013.

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