Entrevista exclusiva com Mickey Leigh, autor de I Slept with Joey Ramone


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Mickey Leigh passou pelo país recentemente divulgando a versão em português de seu livro (no Brasil sob o título Eu Dormi Com Joey Ramone – memórias de uma família punk rock). Foi extremamente simpático e atencioso com todos que o procuraram nas sessões de autógrafos organizadas em livrarias de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre (nas fotos abaixo) e Caxias do Sul.

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Com a agenda lotada dada a repercussão dos eventos em jornais, portais web e programas de tv, restou a este humilde blog tentar realizar a entrevista por e-mail. Fui avisado de cara pela divulgação da editora que demoraria, mas se atendido, minhas perguntas renderiam uma das entrevistas mais amplas mesmo considerando veículos oficiais.

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eu dormi com joey ramoneEis que a espera compensou: começando por um “isto é tudo por hora, retorno pra você com o restante, eventualmente” Mickey respondeu quase todas as perguntas que eu havia enviado. Deixou de fora poucos pontos, mas respondeu o mais relevante para os fãs da banda.

Já havia lido sua versão original então tentei evitar perguntas que pudessem comprometer a leitura de quem ainda não conferiu a obra – uma das melhores escritas sobre um ramone e que teve a colaboração de Legs Mcneil (Mate-me Por Favor).

Da mesma forma que no livro que divulga, Mickey foi direto e fez algumas revelações que, no meu caso, foram novidade. Confira abaixo:

Sequela Coletiva: Esta é a primeira versão de seu livro em outro idioma? O que os fãs brasileiros irão encontrar?
Mickey Leigh: Não é a primeira versão em outro idioma. Ele já foi publicado na Finlândia e na França. Eles irão encontrar o mesmo que as pessoas encontraram nestas edições: uma história incrível, inspiradora e de apelo universal.

SC: Os fãs podem esperar algum tipo de atualização em relação ao livro original lançado em 2009? Algo como os bastidores da produção de …ya know por exemplo?
ML: Não. Ele não é sobre discos na verdade. É sobre irmãos e familias. Como médicos disseram a um cara problemático que ele nunca seria capaz de ser funcional em sociedade, como sua mãe e seu irmão o estimularam depois disto, e como ele chegou ao ápice.

SC: Como foi produzir Ya Know? Conte-nos sobre a escolha dos músicos**.
ML: Eu quis pessoas que eram próximas a Joey, aqueles que colaboraram muitas vezes durante a carreira dele, que todos trabalhassem juntos. Então, consegui reunir todos eles e o resultado foi tal como eu esperava. O resultado é uma jóia.

SC: A versão que Joey and 22 Jacks fizeram para I’ll be with you tonight do Cheap Tricks é uma canção poderosa. Você considerou incluí-la em um álbum solo de Joey?
ML: Não em um álbum solo propriamente. Quero fazer um álbum com todas estas colaborações. Acho que há o suficiente para um grande disco.

SC: No último ano três ex-integrantes (CJ, Marky e Richie) excursionaram pelo Brasil e também vários livros foram lançados em português (Na Estrada com os Ramones, Eu Falo Música, Commando e Eu Dormi com Joey Ramone). Como é o interesse dos fãs dos Ramones nos Estados Unidos e na Europa atualmente?
ML: Não se compara ao interesse na Argentina e Brasil.

SC: Tivemos recentemente várias coletâneas e diferentes relançamentos dos discos dos Ramones. Os familiares (de Joey, Johnny e Dee Dee) são consultados a respeito destes lançamentos? Quais são os planos para o futuro relacionado ao legado da banda?
ML: Somente as famílias de Joey e Johnny são consultadas, já que eles foram os únicos dois membros originais que permaneceram até o fim. Este foi o acordo que Johnny e Joey fizeram com Tommy e Dee Dee.

SC: Existe alguma chance de descobrir uma canção inédita dos Ramones ou mesmo do Joey?
ML: Qualquer coisa é possível neste mundo.

SC: Ao invés de canções dos Ramones, no filme CBGB temos duas músicas da carreira solo de Joey. Você foi envolvido na criação do personagem de Joey ou deu algum tipo de suporte?
ML: Não, não tive envolvimento com isto.

SC: O que achou do filme?
ML: Eles fizeram o melhor que puderam.

*O crédito pelas fotografias é da própria livraria e podem ser conferidas aqui junto com o restante da cobertura fotográfica do evento.
** a lista é grande e de respeito. Participaram do disco Ed Stasium (co-produtor de Leave Home, Rocket to Russia, Road to Ruin, Too Tough to Die e Mondo Bizarro), Daniel Rey (produtor de Halfway to Sanity, ¡Adios Amigos! e vários trabalhos solo pós-Ramones), Jean Beauvoir (produtor de Animal Boy) e músicos como Steven Van Zandt (da E-Street Band, de Bruce Springsteen), Andy Shernoff (ex-the Dictators e parceiro de Joey em músicas como I Won’t Let It Happen, Ignorance Is Bliss e It’s Gonna Be Alright) e Richie Ramone (baterista dos Ramones em três discos de estúdio).
*** colaboraram Homero Pivotto Jr; César Marcelo Caramês, Luciana Thomé e Allen Nunes.


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