Mantendo o legado – Marcus Pádula, ramones collector


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Os Ramones tem um vasto material discográfico e de memorabilia e o Brasil tem uma tradição de ter alguns dos principais colecionadores da obra ramônica.

Um deles é Marcus Pádula, que mantém uma página no Facebook com os diversos itens de seu acervo. Além dos cerca de 500 itens, Marcus acompanha com frequência os ex-integrantes quando visitam o país – como no último Rock in Rio em que acompanhou o show de Marky Ramone do palco.

Confira abaixo um bate papo com o Administrador de Empresas e torcedor do São Paulo FC morador da capital paulista.

Sequela Coletiva: Como você conheceu a banda?
Marcus Pádula: Em 2001, através de um amigo da época da escola chamado Fernando. Era o início do MP3 e programas de compartilhamento de arquivos como Napster, KazaA e Morpheus eram uma febre. Esse meu amigo levou uma lista de tudo que ele tinha em MP3 e logo me chamou a atenção o fato de praticamente metade da lista ser toda da mesma banda: os Ramones. Pedi que ele gravasse um CD deles pra mim e daí pra frente tudo mudou. Antes disso eu me sentia um alienígena no meio dos meus amigos por não gostar de Charlie Brown ou O Rappa. Agora eu finalmente tinha uma banda pra mim.

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SC: Qual o primeiro disco da banda em seu acervo?
MP: Foi o CD duplo Anthology. Lembro como se fosse ontem. Tinha acabado de ser lançado aqui, comprei no Submarino e custou R$ 95,00, o que na época era uma bela grana para se pagar em um CD.

SC: Atualmente, qual tamanho do seu acervo?
MP: Entre memorabília e gravações devo ter algo por volta de 500 peças na minha coleção.

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SC: Qual item mais caro da sua coleção (valor sentimental ou financeiro…)?
MP: Pergunta difícil… Tenho coisas que não consigo nem colocar valor, por exemplo a credencial do primeiro show deles no Brasil em 1987, ainda com o Richie e o Dee Dee. Tenho também o primeiro modelo de baqueta que o Marky usou na banda no fim dos anos 70, uma palheta do CJ da época do Los Gusanos.
Acho que o ítem de maior valor sentimental são umas fotos autografadas pelo Tommy Ramone. No fim de 2010 eu recebi a informação até então sigilosa de que os Ramones seriam premiados com o Grammy em fevereiro de 2011. Mandei um email para o Tommy o parabenizando e trocamos algumas mensagens até que ele me passou o telefone dele e me pediu para ligar pra ele. Conversamos por alguns poucos minutos e na semana seguinte ele me mandou um envelope com algumas fotos autografadas e dedicadas à mim. E ainda pagou a postagem!

SC: Você tem alguma mania ou exigência em relação ao acervo?
MP: Não muitas, só coleciono itens originais e em bom estado de conservação. Revistas só coleciono as que os Ramones são a capa principal da edição. E não tenho interesse em comprar itens autografados, não vejo valor em um autógrafo que foi dado à outra pessoa. Pra mim o valor está justamente na lembrança daquele momento, do cara ter dedicado alguns segundo para rabiscar algo pra você. Se não for assim, vejo apenas como um rabisco à tinta.

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SC: Você costuma dar ênfase para algum material em especial (singles, bootlegs, revistas…)?
MP: Gosto muito de memorabília dos shows, como flyers, ingressos, posters e credenciais, mas costumo diversificar bastante minha coleção.

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SC: Que outras bandas além de Ramones fazem parte da sua coleção?
MP: Nenhuma. Coleciono apenas Ramones. Tenho pouquíssimas coisas de outras bandas e as deixo separadas da coleção dos Ramones.

SC: Falando especificamente de Ramones, qual seu disco preferido? E música?
MP: Essa preferência muda de tempo em tempo, geralmente alternando entre os três primeiros discos. Considerando toda a carreira da banda, vejo algumas músicas muito ruins, mas dessa fase inicial gosto de praticamente tudo. Todas as faixas são clássicos absolutos e irretocáveis. Apontar uma única música é difícil, talvez “Today your love, tomorrow the world”.

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SC: Você toca algum instrumento? Quais?
MP: Não, nenhum. Cheguei a comprar uma guitarra uns 10 anos atrás, mas desisti de aprender e dei para o meu irmão. Ele tomou gosto pela coisa e hoje toca vários instrumentos, pena que possui um gosto horrível pra música e só escuta e toca merdas do tipo Forfun e Strike.

SC: Que item ainda falta e que você não abre mão de ter?
MP: Quero completar os singles originais ingleses e americanos. Ingleses faltam só uns cinco, um deles o mais raro e caro: Blitzkrieg Bop. Também pretendo um dia conseguir os singles japoneses, os mais raros e caros quando falamos de Ramones.

SC: Qual a importância do Ramones na sua vida, fora a questão musical?
MP: Acho q não só pra mim, mas pra muita gente a identificação com os Ramones vai muito além da música. Faz parte da formação do caráter da galera. É clichê, mas a banda emana aquela velha história do “foda-se o que os outros vão pensar, vamos seguir fazendo aquilo em que acreditamos e vamos fazer do nosso jeito”. E isso é algo que você leva com você pra tudo na vida. Mesmo quando havia uma porção de outras bandas por aí fazendo fortuna adequando seu som e imagem para tornarem-se viáveis comercialmente, lá estavam os Ramones fazendo show atrás de show por todo o mundo, com suas jaquetas de couro, jeans surrados e músicas de três acordes. E assim foi por 22 anos. Eles não abriram mão da sua integridade e chegaram lá, este é o maior exemplo de todos.

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SC: Por que a banda despertou tanto seu interesse a ponto de criar um acervo tão grande das obras do Ramones e não de outro artista?
MP: Desde pequeno eu sempre colecionei de tudo: moedas, figurinhas, isqueiros, pôsteres de futebol. Eventualmente eu perdia ou trocava uma coleção por outra. Em 2005 eu conheci um cara chamado William “Ramone” Sá, que tinha um site chamado Ramoniacs, e no ano seguinte ele me apresentou um amigo dele chamado Reginaldo, o famoso “Regiscollector“. O cara era (e é até hoje) um dos maiores colecionadores de Ramones do mundo. Durante dois anos ele me encheu o saco para que eu começasse a colecionar material da banda também, até então eu tinha a discografia básica em CD e só. Até que em 2008 eu comecei a colecionar aos poucos, mas um ano depois me desfiz de quase tudo, para em 2010 recomeçar a coleção de novo, dessa vez focado em montar um acervo legal e quem sabe um dia poder expor isso tudo em um espaço como um “RamonesMuseum São Paulo”, como o FloHayler fez em Berlim.

SC: Qual seu ramone preferido, por quê?
MP: Acho que é o preferido de quase todo mundo: o Joey. O cara tinha absolutamente tudo pra ser um fracasso e se tornou um dos maiores ícones da história do Rock’n’Roll e da Cultura Pop do Século XX. É uma história inspiradora para qualquer um.

SC: Já viu a banda ao vivo? onde? quando? o que achou?
MP: Não, e esta é a maior frustração da minha vida. Eu tinha apenas 10 anos quando a banda se aposentou em 1996 e não tinha nem a mais vaga idéia do que eram os Ramones naquela época. Desde 2003 eu não perdi nenhum show solo de algum dos ex-membros da banda aqui em São Paulo, e eventualmente viajo para ver shows em outras cidades também. Algumas pessoas costumam criticar principalmente o Marky por tocar aqui quase todo ano. Eu acho ótimo eles estarem sempre por aqui, é o que resta para os órfãos da banda como eu. Não perco nenhum show desses e ainda pretendo visitar os túmulos do Joey, do De Dee e do Johnny.

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  • crédito das fotos: acervo pessoal de Marcus Pádula.

Colaboração de Homero Pivotto Jr.

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