Mantendo o legado – Helio Volpato, ramones collector


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Helio Volpato, 38 anos, casado, um filho, cirurgião-dentista, de Maringá-PR.

Como você conheceu a banda?
Em 1989 com o vinil Ramonesmania dum amigo mas a paixão surgiu com o Loco Live, pirei quando ouvi, ele era importado dos EUA, gravei dum camarada e depois de algum tempo acabei comprando dele.

Qual o primeiro disco da banda em seu acervo?
Na verdade, foram 2 discos de uma vez, Rocket to Russia e Road to Ruin, ambos em vinil

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Atualmente, qual tamanho do seu acervo?
Não acho meu acervo tão grande não, tenho em torno de 120 cd’s, 100 LP’s e 12”, 70 7”, 03 box sets, 05 dvd’s, 12 livros, 13 press kits, inúmeras revistas e flyers, ingressos dos shows que fui, perto de 450 bootlegs sendo 17 deles originais, alguns Pass, um par de baquetas que ganhei do Richie no show do Rio de Janeiro e alguma outra coisa que com certeza estou deixando passar.

Qual item mais caro da sua coleção (valor sentimental ou financeiro…)?
Preço é complicado de estipular mas acho que é um vinil do primeiro disco prensado em Taiwan.
Ah, a caixa End Of The Decade foi o que paguei mais caro pois quando comprei, em 2004, o dólar estava mais de 3 reais e a receita ainda pegou, me lasquei.

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Você tem alguma mania ou exigência em relação ao acervo?
Não, apenas procuro pegar itens na melhor condição possível, mas pela idade deles e pela raridade às vezes tenho que me contentar com algo não tão bom assim.

Você costuma dar ênfase para algum material em especial (singles, bootlegs, revistas…)?
Inicialmente saia comprando qualquer item, mas depois de um tempo percebi que não completava nada, aí comecei a ter foco, objetivo, e fui atrás dos singles e promocionais de 12 polegadas até completar, depois fui atrás dos cd’s singles e quando achava que completava eis que mais um outro surgia kkkkkkkk, aí larguei mão e atualmente ando comprando press kits.

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Que outras bandas além de Ramones fazem parte da sua coleção?
Coleção como a do Ramones não tem nenhuma outra, mas sempre faço questão de comprar os discos (LP ou CD) das bandas que curto, depende da época resolvo que vou completar a discografia de determinada banda aí saio atrás dos discos dela. Atualmente estou querendo fechar o Riverdales em vinil, mas os bichinhos tão caros.

Falando especificamente de Ramones, qual seu disco preferido? E música?
Uia, que difícil! Adoro o primeiro, é o clássico dos clássicos, depois dele gosto dos mais HC com o Richie.

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Você toca algum instrumento? Quais?
Não toco nada

Que item ainda falta e que você não abre mão de ter?
O primeiro single inglês, Blitzkreig Bop, com capa original. Esse sempre aparece, mas é beeeem caro, mas já já ele pinta na coleção.

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Qual a importância do Ramones na sua vida, fora a questão musical?
Com a banda me aprofundei no punk rock que, através de suas temáticas, acredito ter ajudado no meu modo de pensar. O Ramones me fez conhecer pessoas muito bacanas, algumas se tornaram amigas de verdade, e também pude ir a lugares muito legais também. Com eles o rock’n’roll se tornou meu passatempo predileto, eles estão me acompanhando a maior parte da minha vida e não tem uma semana em que eu não os escute.

Por que a banda despertou tanto seu interesse a ponto de criar um acervo tão grande das obras do Ramones e não de outro artista?
A coleção foi conseqüência da paixão! Acho o som deles único, não teve nem terá algo semelhante, nem eles próprios em separado conseguiram reproduzir o que faziam em conjunto. Fora os álbuns lançados, minha coleção começou quando me interessei por booltegs entre 93 e 94 e saia comprando todos que via pela frente.

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Qual seu ramone preferido, por quê?
Sempre achei o Dee Dee o mais foda, ele é O cara, é o mais louco, é o mais punk, as letras dele são as melhores, uma pena eu nunca ter podido vê-lo ao vivo.

Já viu a banda ao vivo? onde? quando? o que achou?
1994 – São Paulo
A primeira vez que vi os caras ao vivo foi demais! Senti um lance muito bom, adrenalina louca, não acreditava no que estava vendo. Conseguimos chegar até a grade em frente ao CJ depois ficamos o resto do show em frente ao Joey, me surpreendi com Go Mental pois não esperava que eles tocassem e o ponto baixo foi a parte do set em que eles costumavam tocar animal boy e que não tocavam mais a partir de 94. Lembro ainda que eu e meu amigo Hugo estávamos lá esperando o início do show aí duas garotas chegaram em nós mas demos o fora nelas pois havíamos viajado 620 km pra ver o Ramones huahauhuah tem amigo que me chama de veado até hoje por causa disso. A abertura ficou por conta do Inocentes e essa também foi a primeira vez que os vi ao vivo.

1994 – Curitiba
Nesse show fomos num bando de gente, a cavalaria da polícia militar desceu o cacete em todo mundo, alguns dizem que o público foi de 25 mil pessoas e outros dizem 45 mil, que eu acho o mais certo. Foi um dos shows da Acid Chaos Tour junto com o Sepultura, que pude ver pela primeira vez. No meio do show do Sepultura a energia de parte do palco caiu pois estávamos sob um tremenda tempestade, o chão do local, que era a céu aberto, estava alagado, depois de um tempão o Ramones entrou ainda sob chuva, o show foi memorável pelo tanto de gente mas o som não tava lá essas coisas devido a chuva.

1996 – São Paulo
Esse show foi especial, era a última vez dos caras por aqui, eu peguei meus primeiros autógrafos nele, quer dizer, comprei na banquinha no hall de entrada do Olympia, haviam 8 fotos e eu consegui pegar a última. Dessa vez fiquei em frente ao Johnny e pude ver como o cara tava véinho. A apresentação foi a de sempre, como todos nós fã sabemos, mas na última canção o pano de fundo com a águia foi sendo substituído por outro que descia com os dizeres Adios Amigos, aquilo foi foda, o Joey se despediu e o publicou ficou um tempão aplaudindo a banda e nessa hora, vou te confessar, meus olhos se encheram d´água, inesquecível.

  • crédito das fotos: acervo pessoal de Helio Volpato.

Colaboração de Homero Pivotto Jr.

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