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  • carames 10:00 em 18/04/2015 Link Permanente | Resposta
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    Entrevista exclusiva com Jim Bessman, autor da biografia dos Ramones 

    jim bessmanPassados quase vinte anos após os Ramones seguirem caminhos distintos, o legado da banda permanece vivo e sua relevância é mais do que presente em incontáveis blogs e publicações dedicados ao assunto.

    Encontrar um livro que trate da banda não é nada difícil (independente do idioma ou país de origem) conforme a lista a seguir denuncia: “Gabba Gabba Hey!” e Adios Ramones (Argentina); Hey Ho Let’s Go e On the Road With The Ramones (Estados Unidos); Heaven Needed A Lead Singer e Rock in Peace (Finlândia); Gabba Gabba Book e Ramones Sniffing Poster (Itália) além das biografias dedicadas aos integrantes: Coração Envenenado (Dee Dee Ramone), I Slept with Joey Ramone (Joey Ramone), Commando (Johnny Ramone) e Punk Rock Blitzkrieg (Marky Ramone).

    Mas se você era fã da banda antes da metade dos anos 1990 a realidade era outra. As poucas informações disponíveis dependiam de revistas especializadas (nem sempre com dados corretos) até que em 1993 Jim Bessman lançou Ramones: An American Band, feito com a colaboração dos integrantes da banda.

    Seguindo a mesma linha narrativa (algumas incluindo a famosa lista de shows ao final do livro ou o catálogo de singles e discos editados pelo quarteto) as biografias que viriam a seguir bebem da fonte de Bessman. A produção de cada disco, a troca de integrantes e o famoso atrito motivado por uma namorada são contados em seu livro com detalhes e de forma pioneira.

    Abaixo você confere um bate papo com o autor (hoje colaborador do Examiner.com) onde ele conta um pouco dos bastidores desta obra que, infelizmente, tende a permanecer inédita no Brasil.

    ramones - an american bandSequela Coletiva: Como você conheceu a banda e como começou a trabalhar com eles?
    Jim Bessman: Não diria que comecei a trabalhar com a banda (já que não me pagaram para escrever o livro e a idéia foi minha), mas exceto por Dee Dee todos eles colaboraram. Quando consegui o acordo para o livro – o que exigia a concordância dos demais – comecei a ‘trabalhar com eles’, embora os conhecesse desde final dos anos 1970 quando eles foram pela primeira vez para Madison (Wisconsin), de onde sou e onde escrevi sobre eles três ou quatro vezes antes de mudar para Nova Iorque.

    SC: Como surgiu a idéia de escrever um livro sobre eles? De quem foi a idéia e como você se envolveu?
    JB: Tive esta idéia alguns anos antes de conseguir um acordo. Levei para um amigo editor que não topou na época e uns anos mais tarde acabou me procurando. Eu queria lançá-lo desde que os conheci um pouco melhor, e não achava que mais ninguém pudesse fazê-lo – e que eles podiam nunca ter o reconhecimento que mereciam. Por sorte eu estava errado.

    SC: Houve alguma interferência dos membros da banda no resultado final?
    JB: Joey, que era provavelmente mais meu amigo, não gostou e foi muito frio comigo por anos. Dee Dee, com quem eu tinha amizade, desde o começo não colaborou e se tornou bem hostil. Acho que foi porque estava escrevendo seu próprio livro. John foi muito legal a respeito. Tommy e Marky também.

    SC: Considero seu livro como a Bíblia dos Ramones, e se parece com uma, é coincidência?
    JB: Gostei disso mas só posso dizer que embora a capa seja brilhante, não foi minha idéia. O título foi, mas o design é do editor James Fitzgerald.

    SC: Muitos dos livros lançados mais tarde são mais do mesmo em relação ao seu pois ele tornou-se a principal referência a respeito dos Ramones. Existe algum plano de autalizá-lo com os últimos anos da banda?
    JB: Boa pergunta. Foi difícil publicá-lo para começar, e com todos os livros desde então, se torna difícil conseguir relançá-lo. Portanto, agora, não tenho nenhum plano.

    SC: Desde 1993 vários livros a respeito dos Ramones foram lançados, alguns deles em português. Alguma chance de tradução do seu?
    JB: Acho que não cabe a mim traduzi-lo, já que a editora detém os direitos. Foi traduzido para japonês e alemão.

    SC: Como a perda dos membros originais (Dee Dee, Joey, Johnny e Tommy) impactou sua vida?
    JB: Depois que o livro saiu minha relação com a banda esfriou, mais ainda depois que se separaram. Fiquei muito triste com suas mortes, claro. Foram trágicas do ponto de vista que eram todos relativamente jovens – e, evidente, que eram muito importantes para mim como fã e escritor.

    SC: Parece que o sucesso só veio após a separação da banda. Você concorda? Porque?
    JB: Sim e não. Eles sempre foram bem sucedidos o suficiente para continuar lançando discos, excursionando e vendendo merchandise – um belo feito para uma banda que não vendia muitos discos e tocava tão pouco na rádio. Mas eles aproveitaram, mesmo que brevemente, o reconhecimento após o término graças a sua indução ao Rock and Roll Hall of Fame, o reconhecimento de Joey e o aumento e reconhecimento adequado de sua imensa influência para jovens artistas que vieram depois. E ainda, músicas como “Blitzkrieg Bop” e “I Wanna Be Sedated” se tornaram hinos.

    SC: Você atualmente é um colaborador da Examiner.com, como é seu trabalho lá?
    JB: Sou um dos centenas de colaboradores. Acredito que o leitor deva julgar meu trabalho por si próprio. Tudo que posso dizer é que como os Ramones e todo o resto, faço o melhor que posso sobre aquilo realmente me importo.

    SC: Para terminar, que legado os Ramones nos deixaram?
    JB: Inicialmente grande música, claro, e a auto-realização de que você não precisa seguir as convenções e ser virtuoso ou fotogênico para ser um rock star, isto por si só é uma contribuição positiva para cultura.

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  • carames 10:00 em 11/04/2015 Link Permanente | Resposta
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    Mantendo o legado – Sapo Ramone, ramones collector 

    sapo ramone (7)
    Abaixo você confere uma conversa com Sapo Ramone, um dos principais colecionadores argentinos de material relacionado à banda. Nas fotos ele aparece ao lado de ninguém menos que John Holmstrom, Monte Melnick, Bob Gruen, Linda Ramone, Roberta Bayley e Marky Ramone.

    Como você conheceu a banda?
    Conheci a banda no começo de 1991 através de um colega na escola quando eu tinha 12 anos de idade. Ele era fã e me mostrou algumas músicas como I wanna be sedated, Rockaway Beach e não gostei de Ramones (!). Em princípio achei que a banda tocava cumbia ou algo assim a julgar pelo nome, mas ele insistiu muito. Música a música todo o tempo que estávamos juntos na escola até o dia em que ele tocou Sheena is a Punk Rocker e virou amor que dura até hoje.

    Qual o primeiro disco da banda em seu acervo?
    O primeiro disco oficial que comprei foi a K7 de Loco Live, o primeiro CD foi Mondo Bizarro, meu primeiro LP foi Road to Ruin.
    Meus primeiríssimos discos foram em K7 (TDK e SONY) copiadas dos cds All the stuff (and more) vol.2 e Ramones Mania… você pode imaginar minha cara na primeira reprodução da minha fita de “Loco live” nova em folha, que choque! Eles tocavam tão rápido as música que eu conhecia! Mas amei.

    sapo ramone (3)

    Atualmente, qual tamanho do seu acervo?
    Acredito que minha coleção esteja numa escala intermediária em nível mundial. Me atrevo a pensar que a minha é a maior na área de Rosario/Santa Fe (Argentina). Mas não é uma competição ou não vejo desta forma.

    Qual item mais caro da sua coleção (valor sentimental ou financeiro…)?
    Tenho dois objetos que amo, o cd que começou tudo para mim: “all the stuff (and more) vol 2” onde ouvi “Sheena” pela primeira vez e caí de amores pela banda. Meu amigo Matias (r.i.p.) que me apresentou a banda. Ele me deu o cd como presente de aniversário, este cd não tem um valor financeiro para mim.
    O segundo objeto é uma palheta do Johnny de um show em 1991, sem preço também.

    sapo ramone (6)

    Você tem alguma mania ou exigência em relação ao acervo?
    Devo admitir que não gosto que as pessoas manipulem minhas coisas sem o devido respeito a um objeto que durou mais de 35 anos em alguns casos.

    Você costuma dar ênfase para algum material em especial (singles, bootlegs, revistas…)?
    Só coleciono material oficial (de Ramones à carreira solo dos membros pré ou posterior a banda). Apenas para definir um limite e não acabar com minhas economias. Assim minha esposa também não me mata, obviamente se tenho acesso a algum material não oficial ou bootleg é bem-vindo, mas não perco o sono por isto…
    Gosto de colecionar singles em 7″. Como disse, apenas como forma de ter um limite, amo memorabilia e conservá-la enquadrada. Tenho várias revistas da era de ouro dos Ramones na Argentina (de 1991 a 1997 aproximadamente) mas não coleciono recortes de revistas.
    Amo Ramones e música em geral, acho que meus cds e minhas coisas ligadas à música serão meu legado para meu futuro filho e irão apresentar ele/ela aos Ramones.

    sapo ramone (2)

    Que outras bandas além de Ramones fazem parte da sua coleção?
    Gosto de ter discografias completas em cd: Beatles, Iggy Pop, Motorhead, Bad Religion, Metallica, Megadeth, Green Day, Pantera, Iron Maiden e outros tantos. Como disse, quero deixar algum tipo de legado musical como educação.

    Falando especificamente de Ramones, qual seu disco preferido? E música?
    Definitivamente “Road to ruin” é meu disco favorito. Tem todos os estilos de música dos Ramones: rápida, lenta e o meio termo. Mudanças rápidas de acorde, letras loucas, divertidas, canções de amor e existencialistas (tudo no estilo Ramone). Amo cada disco que os Ramones fizeram, todos tem sua beleza e eu não poderia escolher uma música como favorita, é uma questão de momento.

    sapo ramone (1)

    Você toca algum instrumento? Quais?
    Toco bateria, guitarra, um pouco de baixo e um pouquinho de piano. Não sou realmente bom em nenhum deles mas consigo tocar qualquer música da banda na guitarra se me pedirem. Obrigado Johnny!!

    Que item ainda falta e que você não abre mão de ter?
    Gostaria de encontrar o primeiro single (“Blitzkrieg bop/ Havana affair”) em vinil. Este é difícil de achar e os correios na Argentina tornam um pouco mais duro ao comprar de fora do país pois eles quebram, perdem ou roubam a maioria das coisas que compramos… É muito triste e este item já é caro.

    sapo ramone (4)

    Qual a importância do Ramones na sua vida, fora a questão musical?
    Considero eles como parte da minha família, sempre desejei o melhor a eles. Todos na banda tem uma grande personalidade e algo a ensinar, para o bem ou para o mal. Eles foram boas pessoas e sempre achei que eles tinham um bom modelo de regras para um adolescente que quer ter um ídolo, eles eram pessoas de verdade e não estrelas do rock e a coisa mais importante é que eles me deram uma válvula de escape, me deram satisfação e companhia quando precisei… É importante saber que tenho estas três coisas ao apertar o play… não tem preço.

    Por que a banda despertou tanto seu interesse a ponto de criar um acervo tão grande das obras do Ramones e não de outro artista?
    Os Ramones e sua música representam uma válvula de escape, um tipo de felicidade, meu lugar no mundo… os Ramones foram a maneira com que conheci a maioria dos meus melhores amigos… Sinto como se devesse a eles o escape, a alegria, meus melhores amigos e meu lugar no mundo…

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    Qual seu ramone preferido, por quê?
    Johnny Ramone é definitivamente meu favorito. Sua teimosia foi o que fez com que a banda continuasse apesar de tudo, sem ele a banda teria acabado no começo dos anos 1980. Infelizmente para o resto da banda, ele só sabia fazer as coisas de uma formar, militarmente
    Era seu jeito de ser profissional, ou o mais próximo disto.
    Musicalmente, amo seu jeito de tocar e sua marca na história da música. Ele é um dos que levou a guitarra de volta a garotos sem experiência que procuram diversão, roubando dos deuses de 6 cordas, que costumavam considerá-los nerds.

    Já viu a banda ao vivo? onde? quando? o que achou?
    Vi a banda ao vivo 4 vezes e ainda mantenho a experiência em meus ouvidos e meu coração, obrigado Deus!
    Vi eles em Buenos Aires no estádio do Velez Sarsfield com abertura do Motorhead em 14 de maio de 1994. Mais tarde no mesmo ano, na tour Acid Chaos em Rosario, minha cidade natal (300kms de Buenos Aires) em 16 de novembro de 1994. Em Buenos Aires no estádio Obras Sanitarias em 7 de outubro de 1995 e no último show fora dos Estados Unidos no estádio do River Plate em 16 de março de 1996 com Die Toten Hosen e Iggy Pop abrindo. Foi como um choque elétrico, nunca senti nada como isto com música antes ou depois dos Ramones, foi felicidade em estado bruto.

    sapo ramone (8)

     
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