O mundo sem Joey (Ramone) 

joey ramone no rio
No tributo The Bowery Electric os ex-integrantes dos Ramones decidiram homenagear seu antigo vocalista, Joey Ramone. Na bela letra da canção título eles falam em uma cidade menos divertida e com menos bondade sem seu ilustre morador morto em 2001.

Por aqui, os cariocas da Carbona já cantaram sobre ‘o mundo sem Joey‘, música de onde empresto o título para este post. Mas, como seria a banda sem seu frontman e fundador? O brother Anderson Lima fez uma compilação com os registros da banda em estúdio sem Joey a cargo dos vocais – incluindo algumas músicas conhecidas na sua voz mas que ganharam versões alternativas com Dee Dee e Richie em seu lugar.

O primeiro registro sem Joey nos vocais é uma tímida versão de I’m Not An Answer com Dee Dee em um take alternativo, diferente do que foi incluído no álbum Pleasant Dreams (1981).

Foi no disco seguinte, Subterranean Jungle – sétimo de estúdio na carreira do quarteto, que Dee Dee estrearia oficialmente assumindo os vocais interpretando Time Bomb, composta por ele.

O álbum posterior, Too Tough To Die, é o que tem mais canções/versões sem Joey. Sem contar Durango 95 (única instrumental de toda carreira dos Ramones) temos Wart Hog e Endless Vacation com vocais de Dee Dee – estas inclusas no lançamento oficial.

Nas sessões de TTTD, o baterista Richie Ramone gravou Smash You e Elevator Operator que permaneceriam inéditas até serem conhecidas mais tarde a partir de bootlegs e relançamentos oficiais a exemplo das versões gravadas por Dee Dee para I’m Not Afraid of Life, Too Tough to Die, Danger Zone e Planet Earth 1988.

Para Animal Boy, lançamento de 1986, Dee Dee cantou em Love Kills e Eat that Rat enquanto Richie (mais uma vez de fora dos lançamentos oficiais) deixou registrada a ótima Can’t Say Anything Nice.

Nos dois discos seguintes (Halfway to Sanity e Brain Drain) apenas uma música em cada não teve Joey à frente da banda. I Lost My Mind e Punishments Fits The Crime, respectivamente, foram cantadas por Dee Dee que deixaria a banda em 1989.

CJ Ramone foi trazido para assumir o posto trazendo novo fôlego para banda e contribuiria com performances em Strength to Endure (com direito a videoclipe) e Main Man, ambas composições de Dee Dee para o disco Mondo Bizarro.

Acid Eaters não trazia canções originais mas teve Journey to The Center of The Mind, The Shape of Things to Come e My Back Pages com o novo baixista como cantor.

Adios Amigos encerraria a carreira da banda em estúdio e traria CJ em quatro momentos: Making Monsters for My Friends, The Crusher, Cretin Family e Scattergun. A versão japonesa ainda ofereceria de bônus R.A.M.O.N.E.S. em versão alternativa também com CJ nos vocais. O ao vivo Greatest Hits Live conta com uma versão de estúdio com Joey nos vocais.

Na fase pós banda, que se dissolveu em 1996, Dee Dee registrou versão para onze canções em seu Greatest and Latest: Blitzkrieg Bop, Time Bomb, Sheena Is a Punk Rocker, I Wanna Be Sedated, Cretin Hop, Teenage Lobotomy, Gimme Gimme Shock Treatment, Come On Now, Pinhead, Rockaway Beach e Beat On the Brat sendo que já havia regravado All’s Quiet on The Eastern Front no disco I Hate Freaks Like You de 1994.

Mais recentemente Richie lançou seu primeiro disco solo (Entitled) e não fugiu do repertório ramônico fazendo releituras para Somebody Put Something In My Drink, I Know Better Now, Smash You, I’m Not Jesus e Humankind – todas compostas nas sessões para os três discos que registrou como baterista do quarteto.

CJ, em suas recentes turnês, interpreta diversas canções dos Ramones mas curiosamente muito pouco das que foi responsável pela gravação dos vocais ou que interpretava em lugar de Dee Dee.

Por outro lado, é curioso o quanto canções consagradas na voz de Joey soam descaracterizadas quando trocam de intérprete reforçando sua força como artista único. Assim como é difícil imaginar temas mais hardcore como Wart Hog, Cretin Family ou Love Kills interpretadas por ele ao invés do baixista.

Em resumo, mais um pretexto para ouvir a discografia da banda novamente e tirar suas próprias conclusões.