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  • paulocarames 10:00 em 06/06/2013 Link Permanente | Resposta
    Tags: andré barcinski, , , , , , , silvio gomes, thrash metal, toda a história   

    Livro – Sepultura: Toda a História 

    livro sepultura - toda a históriaSepultura: Toda a História é uma inestimável contribuição de André Barcinski e Silvio Gomes aos fãs da banda brasileira de maior sucesso fora do país.

    No começo em 1984 os irmãos Max e Igor Cavalera já tinham até nome para banda ainda como um trio, embora não tivessem instrumentos. Já como um quarteto a banda lançou seu primeiro disco, Bestial Devastation (1985). Já com Morbid Visions (1986) e Schizophrenia (1987) na bagagem foi Beneath the Remains (1989) que garantiu os primeiros shows no exterior

    Mas foi Arise (1991) e mais tarde Chaos A.D. (1993) que colocaram a banda em condições de ser uma referência no metal mundial. Enquanto Roots (1996) é um divisor de águas para o gênero mas também para própria banda com a saída de Max.

    Apenas dois pontos contam contra a obra. O primeiro é o alto preço pago por um exemplar, visto que hoje em dia tornou-se artigo de colecionador.

    O segundo, como a banda continua em atividade e já fazem 15 anos de seu lançamento, o livro acabou não sendo atualizado até agora.

    A exemplo de Do Frevo ao Manguebeat, lançado também pela mesma editora, uma reedição resolveria os dois problemas, a disponibilidade/preço e a atualização. Repleto de fotos e com um guia para a discografia da banda é um daqueles itens obrigatórios. André Barcinski e Silvio Gomes, Editora 34, 208 páginas.



     
  • paulocarames 10:55 em 18/12/2012 Link Permanente | Resposta
    Tags: andré barcinski, , , , , ,   

    Frente a frente com Dee Dee Ramone 

    https://i0.wp.com/andrebarcinski.blogfolha.uol.com.br/files/2012/11/deedee.jpg
    Em meados dos anos 90, me envolvi num projeto com os Ramones. Seria um filme sobre a turnê de despedida da banda, que passaria inclusive pela América do Sul.

    A idéia era filmar todos os shows e entrevistar fãs, amigos e ex-integrantes.

    Isso me levou a Dee Dee Ramone. Na época, ele morava entre a Europa, Argentina (sua mulher, Barbara, era de lá) e o mítico Hotel Chelsea, em Nova York. Foi no Chelsea que o encontrei pela primeira vez para falar do projeto.

    O Chelsea é um lendário antro de depravação nova-iorquino, habitado há décadas por artistas e malucos em geral. Foi lá que Sid Vicious  matou Nancy (ou não, como veremos a seguir…) William Burroughs, Leonard Cohen e Jim Carroll moraram no hotel, o que dá uma boa idéia do clima geral.

    Eu nunca tinha entrado no Chelsea.E a primeira coisa que me impressionou foi a sujeira. O hotel era, literalmente, um pulgueiro. Só que as suítes custavam  400 dólares por noite, que os turistas idiotas pagavam só para viver sua noite de Johnny Thunders…

    O quarto de Dee Dee e Barbara deveria estar competindo em algum torneio de lugar mais desarrumado do planeta. Parecia que um furacão havia passado. Roupas, discos e todo tipo de utensílios estavam espalhados. A bagunça era tanta que, quando Dee Dee pediu comida chinesa, tivemos de sentar no chão para almoçar.

    Se Joey era a consciência dos Ramones, Dee Dee era o porra louca. Ele era o verdadeiro gênio por trás de tudo. Só que não sabia disso.

    Ex-michê, ex-delinquente, ex-assaltante, ex-heroinômano (ex? será?), e um dos sujeitos mais instintivamente brilhantes que já conheci. Era praticamente analfabeto e mal conseguia juntar duas frases, mas escreveu letras autobiográficas de um minimalismo poderoso e atordoante, como “53rd and 3rd”.

    Nesse dia, descobri outra coisa sobre Dee Dee. Não sei se era alguma doença ou resultado de alguma medicação, mas o fato é que ele sofria de um grave déficit de atenção. Ele simplesmente não conseguia se concentrar em nada por mais de cinco minutos.

    Dee Dee chegava ao cúmulo de parar frases no meio, ficar em silêncio por alguns segundos e depois emendar outro assunto, sem ter terminado o anterior. Digamos que clareza não era o seu forte. Conversar com ele, especialmente para um jornalista, era enlouquecedor.

    Certa hora, começamos a conversar sobre o Chelsea, e eu comentei como era impressionante a quantidade de pessoas que vinham todo dia ao hotel pedindo para ficar no quarto onde Sid matara Nancy (só de curiosidade, o quarto não existe mais).

    “O quê? Sid matou Nancy? De onde você tirou isso?”, disse Dee Dee. “Todo mundo sabe que não foi isso que aconteceu!”

    Seria esse o furo jornalístico do fim de século? Dee Dee revelaria ao mundo o nome do verdadeiro assassino?

    “E quem foi, Dee Dee?”

    “Porra, foi aquele traficante que vendia heroína pra Nancy… Como é o nome dele… Fuck…Daqui a pouco eu lembro o nome do cara!”.

    Foi a última vez que ele tocou no assunto.

    Conversamos por pelo menos duas horas. Dee Dee contou algumas histórias sensacionais.

    Falou do fracassado projeto que juntaria em Paris ele, Stiv Bators (Dead Boys) e Johnny Thunders – algo como a santíssima trindade da heroína.

    Depois, contou em detalhes a morte de Stiv.  Segundo Dee Dee, Stiv foi atropelado por um táxi, mas estava tão entorpecido de heroína que simplesmente foi andando de volta para casa. Quando os amigos perceberam que ele estava muito mal, o levaram a um hospital, de onde saiu sem avisar e acabou morrendo de hemorragia interna.

    Depois, Dee Dee confirmou a lenda de que teria sido despedido dos Ramones depois de roubar o caminhão da banda e vender todo o equipamento.

    Eu tinha um compromisso e precisei me despedir. Dee Dee me convidou para encontrá-lo dali a algumas horas numa galeria de arte no Lower East Side, que iria abrir uma exposição de fotos da época do CBGB’s.

    Fui para casa, empolgado com a chance de finalmente conhecer Dee Dee Ramone.

    Algumas horas depois, cheguei à tal galeria. Era uma noite badalada: Henry Rollins estava lá, assim como membros do Dictators e metade da cena nova-iorquina de 77.

    Dee Dee chegou logo depois. Fui cumprimentá-lo: “Oi, Dee Dee…”

    “Who the fuck are you?” disse ele, puto da vida.

    “Como assim? Estive te entrevistando a tarde toda, não lembra?”, disse, ainda atordoado.

    “Hoje? Tem certeza?”

    “Sim, nós marcamos de continuar a entrevista daqui a alguns dias…”

    “Ah, tá certo. Tá bom, tá bom, passa no hotel no sábado então”.

    Sábado, no horário marcado, eu estava lá. Quem não estava era Dee Dee, que havia saído do hotel na quinta. Nunca mais o vi.

    O projeto do filme morreu logo depois.  E Dee Dee, em 2002.

    Postado originalmente aqui.

     
  • paulocarames 13:53 em 18/08/2012 Link Permanente | Resposta
    Tags: , andré barcinski, Barulho, , cramps, , Editora Paulicéia, , , , , , , , tad, uma viagem pelo underground do rock americano   

    Livro – Barulho: uma viagem pelo underground do rock americano 

    A melhor forma de definir André Barcinski e sua obra Barulho de 1992 é classificá-los como testemunhas oculares da história.

    No começo da década de 1990 Barcinski fez uma excursão pelos Estados Unidos na cara e na coragem acompanhando Jello Biafra (ex-Dead Kennedys) em seu apartamento e no escritório de seu selo (Alternative Tentacles).

    Assistiu de camarote a um ensaio dos Chili Peppers para a turnê do, segundo ele, pior disco da banda até então – Blood Sugar Sex Magic.

    Visitou Joey Ramone e ouviu em primeira mão as demos do álbum Mondo Bizarro que seria lançado no ano seguinte. Conversou ainda com bandas do calibre de The Cramps e Mudhoney.

    Como se tudo isto não bastasse, foi ao show do Nirvana no Paramount. O show é de longe um dos pontos altos da carreira do Nirvana e flagra a banda em um momento em que vendia cerca de 35 mil discos por dia e mesmo assim, seus integrantes eram rostos desconhecidos do grande público.

    Um registro sem igual no jornalismo musical tupiniquim. Editora Paulicéia, 124 páginas.


     
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