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  • carames 10:00 em 18/04/2015 Link Permanente | Resposta
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    Entrevista exclusiva com Jim Bessman, autor da biografia dos Ramones 

    jim bessmanPassados quase vinte anos após os Ramones seguirem caminhos distintos, o legado da banda permanece vivo e sua relevância é mais do que presente em incontáveis blogs e publicações dedicados ao assunto.

    Encontrar um livro que trate da banda não é nada difícil (independente do idioma ou país de origem) conforme a lista a seguir denuncia: “Gabba Gabba Hey!” e Adios Ramones (Argentina); Hey Ho Let’s Go e On the Road With The Ramones (Estados Unidos); Heaven Needed A Lead Singer e Rock in Peace (Finlândia); Gabba Gabba Book e Ramones Sniffing Poster (Itália) além das biografias dedicadas aos integrantes: Coração Envenenado (Dee Dee Ramone), I Slept with Joey Ramone (Joey Ramone), Commando (Johnny Ramone) e Punk Rock Blitzkrieg (Marky Ramone).

    Mas se você era fã da banda antes da metade dos anos 1990 a realidade era outra. As poucas informações disponíveis dependiam de revistas especializadas (nem sempre com dados corretos) até que em 1993 Jim Bessman lançou Ramones: An American Band, feito com a colaboração dos integrantes da banda.

    Seguindo a mesma linha narrativa (algumas incluindo a famosa lista de shows ao final do livro ou o catálogo de singles e discos editados pelo quarteto) as biografias que viriam a seguir bebem da fonte de Bessman. A produção de cada disco, a troca de integrantes e o famoso atrito motivado por uma namorada são contados em seu livro com detalhes e de forma pioneira.

    Abaixo você confere um bate papo com o autor (hoje colaborador do Examiner.com) onde ele conta um pouco dos bastidores desta obra que, infelizmente, tende a permanecer inédita no Brasil.

    ramones - an american bandSequela Coletiva: Como você conheceu a banda e como começou a trabalhar com eles?
    Jim Bessman: Não diria que comecei a trabalhar com a banda (já que não me pagaram para escrever o livro e a idéia foi minha), mas exceto por Dee Dee todos eles colaboraram. Quando consegui o acordo para o livro – o que exigia a concordância dos demais – comecei a ‘trabalhar com eles’, embora os conhecesse desde final dos anos 1970 quando eles foram pela primeira vez para Madison (Wisconsin), de onde sou e onde escrevi sobre eles três ou quatro vezes antes de mudar para Nova Iorque.

    SC: Como surgiu a idéia de escrever um livro sobre eles? De quem foi a idéia e como você se envolveu?
    JB: Tive esta idéia alguns anos antes de conseguir um acordo. Levei para um amigo editor que não topou na época e uns anos mais tarde acabou me procurando. Eu queria lançá-lo desde que os conheci um pouco melhor, e não achava que mais ninguém pudesse fazê-lo – e que eles podiam nunca ter o reconhecimento que mereciam. Por sorte eu estava errado.

    SC: Houve alguma interferência dos membros da banda no resultado final?
    JB: Joey, que era provavelmente mais meu amigo, não gostou e foi muito frio comigo por anos. Dee Dee, com quem eu tinha amizade, desde o começo não colaborou e se tornou bem hostil. Acho que foi porque estava escrevendo seu próprio livro. John foi muito legal a respeito. Tommy e Marky também.

    SC: Considero seu livro como a Bíblia dos Ramones, e se parece com uma, é coincidência?
    JB: Gostei disso mas só posso dizer que embora a capa seja brilhante, não foi minha idéia. O título foi, mas o design é do editor James Fitzgerald.

    SC: Muitos dos livros lançados mais tarde são mais do mesmo em relação ao seu pois ele tornou-se a principal referência a respeito dos Ramones. Existe algum plano de autalizá-lo com os últimos anos da banda?
    JB: Boa pergunta. Foi difícil publicá-lo para começar, e com todos os livros desde então, se torna difícil conseguir relançá-lo. Portanto, agora, não tenho nenhum plano.

    SC: Desde 1993 vários livros a respeito dos Ramones foram lançados, alguns deles em português. Alguma chance de tradução do seu?
    JB: Acho que não cabe a mim traduzi-lo, já que a editora detém os direitos. Foi traduzido para japonês e alemão.

    SC: Como a perda dos membros originais (Dee Dee, Joey, Johnny e Tommy) impactou sua vida?
    JB: Depois que o livro saiu minha relação com a banda esfriou, mais ainda depois que se separaram. Fiquei muito triste com suas mortes, claro. Foram trágicas do ponto de vista que eram todos relativamente jovens – e, evidente, que eram muito importantes para mim como fã e escritor.

    SC: Parece que o sucesso só veio após a separação da banda. Você concorda? Porque?
    JB: Sim e não. Eles sempre foram bem sucedidos o suficiente para continuar lançando discos, excursionando e vendendo merchandise – um belo feito para uma banda que não vendia muitos discos e tocava tão pouco na rádio. Mas eles aproveitaram, mesmo que brevemente, o reconhecimento após o término graças a sua indução ao Rock and Roll Hall of Fame, o reconhecimento de Joey e o aumento e reconhecimento adequado de sua imensa influência para jovens artistas que vieram depois. E ainda, músicas como “Blitzkrieg Bop” e “I Wanna Be Sedated” se tornaram hinos.

    SC: Você atualmente é um colaborador da Examiner.com, como é seu trabalho lá?
    JB: Sou um dos centenas de colaboradores. Acredito que o leitor deva julgar meu trabalho por si próprio. Tudo que posso dizer é que como os Ramones e todo o resto, faço o melhor que posso sobre aquilo realmente me importo.

    SC: Para terminar, que legado os Ramones nos deixaram?
    JB: Inicialmente grande música, claro, e a auto-realização de que você não precisa seguir as convenções e ser virtuoso ou fotogênico para ser um rock star, isto por si só é uma contribuição positiva para cultura.

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  • carames 10:00 em 18/02/2014 Link Permanente | Resposta
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    Entrevista exclusiva com Craig Leon, produtor do disco de estréia dos Ramones 

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    Crédito: Site oficial de Craig Leon


    A história já é um tanto conhecida: entre 2 e 19 de fevereiro de 1976 os Ramones gravaram no estúdio Plaza Sound em Nova York (ao custo de meros 6400 dólares) 14 músicas que somadas tem 28 minutos e 53 segundos e que fariam parte de seu primeiro lançamento.
    A mixagem foi feita da mesma forma que os discos dos Beatles nos anos 1960, baixo no canal esquerdo e guitarra no direito com bateria e vocal misturados no meio.

    A foto da capa, simples mas incomum para época, mostrava quatro outsiders do Queens em Nova York vestindo calças jeans surradas e jaquetas de couro, mesmo visual de rua usado por eles no palco (ao contrário de astros de hard rock que se produziam/fantasiavam antes das apresentações).

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    Crédito: Roberta Bayley


    As fotos feitas inicialmente não agradaram o selo que acabou pagando 125 dólares a Roberta Bailey que os clicou em frente a um muro em uma rua próxima ao CBGB’s (clube onde fizeram seus primeiros shows e que seria lendário para cena punk). Além da capa, suas fotos foram usadas na divulgação da banda.

    O disco lançado em 23 de abril daquele ano vendeu apenas 7 mil cópias mas acabou entrando para história não pela vendagem mas por ser um marco definitivo estabelecendo: ANTES e DEPOIS dos Ramones.

    Nesta entrevista exclusiva o produtor deste clássico, Craig Leon, fala destes temas e também dos recentes relançamentos que tem sido feitos com diferentes reedições, principalmente dos primeiros álbuns.

    Nascido em Miami a 7 de janeiro de 1952, ele ainda desmente a versão que muitas biografias dão de que as demos produzidas por Marty Thau seriam decisivas para o pouco tempo e baixo orçamento das sessões.

    No currículo de produtor, além dos Ramones, Leon trabalhou com, Blondie, Luciano Pavarotti, Richard Hell & The Voidoids, Suicide, Andreas Scholl, James Galway e Cassell Webb e tem ainda vários trabalhos como compositor.

    craig-leonSequela Coletiva: Como Você se tornou produtor do primeiro disco dos Ramones?
    Craig Leon: Eu trabalhava como responsável por Artista & Repertório para um pequeno selo (Sire Records). Eu vi a banda tocando no CBGB e os levei para o selo. Quando eles assinaram eu produzi o disco como parte do meu trabalho.

    SC: Os temas das músicas dos Ramones eram bastante incomuns naquela época. Você ficou surpreso com elas?
    CL: De forma alguma. Eu gostei muito das letras deles.

    SC: Você acreditava em 1976 que os Ramones se tornariam uma banda importante?
    CL: Sim. Pq? Porque eles éram ótimos.

    SC: No começo, o selo ofereceu contrato para apenas um single. Como você convenceu-os a reconsiderar e oferecer contrato para um disco?
    CL: Disse que poderia gravar um disco inteiro pela quantia que eles queriam gastar pra fazer um ou dois singles. Meu chefe disse que se conseguisse fazer isto poderia gravar um álbum. Então foi o que fiz.

    SC: Quem na banda era responsável por tomar decisões?
    CL: Tommy era o líder da banda e inventor de sua identidade visual (junto com Arturo Vega). Acho que ele tomava as decisões pelo grupo.

    SC: E quem era o cara mais engraçado?
    CL: Todos.

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    Revista Rockscene (set/1976): divulgação do disco de estréia da banda

    SC: É sabido que a banda não tinha muito conhecimento técnico em como tocar os instrumentos. Como eles lidaram com isto?
    CL: Ensaiamos um pouco para deixar a banda no ponto para gravar. É um mito que eles tocaram ao vivo no estúdio sem preparação. Não funciona desta maneira.

    SC: Isto atrapalhou as sessões de alguma forma?
    CL: Não. Eles estavam completamente preparados para fazer as gravações quando nós fomos para o estúdio.

    SC: A mixagem do disco é bem conhecida por ter baixo e guitarra em canais diferentes. O que pode nos dizer sobre isto?
    CL: A respostas está nas prensagens inglesas das primeiras gravações dos Beatles.

    SC: De onde veio a idéia de gravar desta forma?
    CL: Eu amava os Beatles do início e trabalhei numa sessão que George Martin fez pouco antes de eu trabalhar com os Ramones. A banda também amava essas sessões.

    SC: Qual o papel das demos produzidas por Marty Thau em 1975 para o resultado final do disco?
    CL: Quase nenhum. Quando meus chefes ouviram aquelas demos, quase decidiram não assinar com a banda. Prometi que o primeiro disco dos Ramones não se pareceria em nada com aquelas demos.

    SC: O Ramones sempre enfrentou dificuldades em estúdio durante a carreira, pois os produtores não sabiam como trabalhar uma banda como eles. No entanto, você fez uma obra prima já na primeira oportunidade. Como conseguiu isto?
    CL: Odeio ser presunçoso mas eu sabia o que estava fazendo. Continuo sabendo. Os outros citados, não.

    SC: Outro grande momento a respeito deste disco está relacionado com a capa. Como foi decidido usar a foto de Roberta Bayley ao invés das feitas inicialmente?
    CL: Você tem que perguntar isso a Toni Scott (Wadler) que fez aquele trabalho. Não sei nada a respeito. Exceto que pedi que a capa invocasse o espírito do primeiro Fugs, o que aconteceu.
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    SC: Existe alguma foto da sessão original que se tornou conhecida depois da escolha da foto de Roberta?
    CL: Acho que não, mas de novo… Não sei muito sobre esta parte do projeto.

    SC: Mickey Leigh (irmão de Joey) reinvindica em seu livro algum crédito nas gravações. Você lembra dele nas sessões?
    CL: Ele estava lá. Era o roadie da banda.

    SC: Você interferiu na escolha de que músicas se tornariam single?
    CL: Sim. Bastante.

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    Revista Rockscene (jul/1976): cobertura da curta sessão de gravação.

    SC: Antes de assinar com a Sire Records os Ramones já haviam feito várias músicas. Tem alguma das canções incluídas nos discos posteriores que você gostaria de ter gravado neste primeiro?
    CL: A banda escolheu as músicas para o disco. Era direito deles fazer isto. Apoio a escolha.

    SC: Você foi consultado sobre algum dos recentes relançamentos?
    CL: Não, e isto é triste. Os relançamentos dos Ramones sonoramente são terríveis. Tanto Ed Stasium quanto eu coçamos a cabeça tentando imaginar porque os idiotas que estão relançando estes discos não perguntam nossa opinião a respeito dos discos que produzimos.

    SC: Na sua opinião, porque este disco não vendeu tanto mas influenciou tantas gerações?
    CL: Vendeu o suficiente com o passar dos anos. A Sire não tinha estrutura para vender a banda.

    SC: Qual sua canção favorita no primeiro disco e porque?
    CL: Todas. São grandes músicas. Porque? Por ser 100% eles.

    SC: Qual sua opinião a respeito da produção dos outros discos?
    CL: Gosto muito do trabalho de Ed. O disco do Spector é uma merda. Ele era um gênio, mas não mais quando produziu a banda. Ficou cada vez pior depois disto.

    SC: Para terminar: Qual o legado que os Ramones nos deixaram?
    CL: Eles representam o fim de uma era – do verdadeiro rock and roll.


     
  • carames 10:00 em 07/01/2014 Link Permanente | Resposta
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    Entrevista exclusiva com George DuBose, fotógrafo oficial dos Ramones 

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    A parceria entre George DuBose e os Ramones começou quando ele fez as fotos para capa de Subterranean Jungle (1983) e depois disto, suas fotos foram usadas em praticamente todos os discos seguintes da banda – incluindo alguns álbuns solo dos ex-integrantes.

    georgeTodo este trabalho foi retratado no livro I Speak Music Ramones, publicado originalmente em 2008 e em 2013 lançado em português mas ainda sem distribuição no Brasil (Eu Falo Música, que teve colaboração de dois fãs brasileiros: Leo Drumond e Cristiano Viteck).

    No livro ele narra como aconteceu cada sessão de foto e várias curiosidades como a inspiração para capa de Too Tough to Die e Animal Boy e o motivo pelo qual Johnny Ramone gostava de trabalhar com ele.

    Acid Eaters, rara exceção em que suas fotos não foram requisitadas, teve muitas fotos de divulgação a cargo dele.

    Mas nem só de Ramones se resume o trabalho deste grande artista. No currículo, trabalhos com bandas como REM, B-52’s, Tom Waits, Afrika Bambatta e muitos artistas ligados ao Hip Hop.

    A seguir você confere uma entrevista com o fotógrafo que hoje vive na Alemanha e é responsável por algumas das fotos mais emblemáticas da história da música:

    Sequela Coletiva: Como a fotografia entrou na sua vida?
    George DuBose: Eu gostava das aulas de artes no colégio e na faculdade, mas eu não tinha paciência para desenhar e nunca consegui desenhar com realismo. Percebi que tinha a habilidade para “ver” coisas que pareciam legais e poderia fotografá-las.
    Também aprendi que podia tirar fotos em que as pessoas pareciam bem para elas mesmas. Vi uma exposição fotográfica de um fotógrafo do exército no Vietnã e as fotos de baixas de guerra eram aterrorizantes. Soube, naquele momento, que não iria querer fazer aquele tipo de fotos. Eu queria tirar fotos mostrando o melhor das pessoas.

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    The B-52’s (1979)

    SC: Como você começou a trabalhar com os Ramones?
    GD: Conheci Tony Wright, diretor de arte da Island Records, quando ele quis ver as fotos que eu tirei, por conta própria, da B-52’s. Ele usou uma das minhas fotos para capa do primeiro álbum deles. Mais tarde, o empresário dos Ramones, que também empresariava a B-52’s naquele tempo, pediu a Tony para fazer a capa para Subterranean Jungle. Tony me contratou para fazer as fotos. Um ano mais tarde, Johnny me chamou e perguntou se eu gostaria de fazer as fotos para Too Tough To Die, mas ele não havia gostado do que Tony fez em Subterranean Jungle. Eu disse para Johnny que bastava dizer a Tony o que fazer e ele faria.
    Eu devia um favor a Tony e o mantive trabalhando com os Ramones até Halfway to Sanity. Fiz aquela capa sem ele. Johnny me chamou para todas as sessões de fotos depois disso.

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    Animal Boy (1986)

    SC: Como funcionava a dinâmica das sessões e como era definido o que se tornaria capa dos discos?
    GD: A ideia para a capa do disco era definida antes da sessão. Depois da sessão e de receber os filmes de volta do laboratório, eu escolheria uma dúzia de imagens, imprimiria miniaturas e mostraria a Johnny e Joey. Então eles fariam a escolha final. Às vezes, eles apenas me diziam para escolher. Halfway to Sanity foi assim. Escolhi a melhor foto, mas a maioria das tomadas ficou boa.

    SC: Os empresários da banda exerciam alguma influência no que virava capa?
    GD: Na verdade, não. Às vezes, Gary Kurfirst, o empresário, queria usar uma pintura na capa, como em Acid Eaters ou Adios Amigos, mas acho que era para ele poder ficar com os quadros depois que fossem usados como capa dos discos.
    Kurfirst nunca me disse nada a respeito das capas, exceto uma vez, quando me disse que capas melhores venderiam mais discos. Podia tê-lo fotografado.

    SC: Qual foi o seu trabalho mais difícil?
    GD: É Fácil. Michael Monroe and Demolition 23 (nota: Michael Monroe, co-fundador da banda finlandesa Hanoi Rocks). Michael era meu vizinho de prédio e um dia ele me viu com uma pilha de discos dos Ramones. Ele me perguntou sobre eles, e eu disse que era fotógrafo e designer. Ele me pediu para trabalhar em seu próximo disco para o Japão. Levou dois meses e foi o projeto mais difícil em que trabalhei, exceto por “…Ya Know” do Joey.

    SC: O que diferenciava os Ramones de outros músicos, como REM, Tom Waits ou Afrika Bambatta, com quem também trabalhou?
    GD: Os Ramones tinham que trabalhar muito para vender seus discos. Excursionando sem parar. Waits, REM e Bambaataa venderam muito mais discos. Acho que a reputação inicial dos Ramones e músicas sobre cheirar cola desencorajaram muitas pessoas a ouvirem as outras músicas deles.

    SC: Qual a sua capa preferida? Por quê?
    GD: Dos Ramones, Too Tough to Die. Minha foto favorita dos Ramones é a do cogumelo, que deveria ter sido a capa do Acid Eaters.

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    Mushroom (1993)

    SC: Desde 1983, Acid Eaters é o único disco de estúdio sem músicas próprias e sem fotos suas. Alguma relação?
    GD: Não sei mesmo por que isso aconteceu, mas consegui fazer fotos bacanas para a publicidade de Acid Eaters. Gosto de fazer Pop Art ou fotos psicodélicas. Fiz isso por anos e a história completa está em meu livro.

    SC: Você tem um livro que relata sua história com os Ramones. Conte-nos sobre o projeto de lançá-lo em português:
    GD: Eu sabia que os Ramones tinham uma grande quantidade de fãs no Brasil. Leo Drumond e eu estávamos em contato e ele ofereceu a tradução do livro para o Português.

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    I Speak Music (2008)

    SC: Algum projeto de lançar ou exibir outras fotos além das contidas no livro?
    GD: Metade da minha carreira foi fazendo capas de discos para pioneiros do Hip Hop e, sabendo que o Hip Hop não iria durar para sempre, decidi lançar os livros sobre Hip Hop antes de lançar os livros de Rock n’ Roll. Eu tenho mais um livro de Hip Hop sobre artistas do Hip Hop europeu. Em seguida, iniciarei a série de rock, começando com o B-52’s.

    SC: Clem Burke durou apenas dois shows. No entanto, você conseguiu clicá-lo como um Ramone. O que pode nos dizer sobre isso?
    GD: Quando Clem apareceu para a primeira foto publicitária, ele estava vestindo uma camiseta com a logo da Chanel. Eu sabia que ele não iria durar. Também não achei que “Elvis” Ramone fosse um bom nome.

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    Foto promocional com Elvis Ramone (1987)

    SC: Qual impacto da morte de três dos membros originais?
    GD: Fico triste quando morre qualquer pessoa que conheço. Johnny e Joey tiveram câncer, o que é trágico. Dee Dee morreu de uma overdose, e isso é estúpido. Joey e eu éramos mais próximos, e sua morte me deixou mais triste. Além disso, Joey continuava gravando e ajudando outras bandas. Johnny simplesmente se aposentou.

    SC: Qual sua relação com os outros Ramones (Marky, CJ, Tommy e Richie)?
    GD: Marky e eu nos falamos vez ou outra. Vejo seus shows quando ele vem para a Europa. Não tenho contato com CJ. Ele deixava o resto da banda falar. Nunca encontrei com Tommy. Richie escreveu ótimas músicas e só queria sua fatia na divisão do dinheiro das camisetas, uma vez que seu nome estava impresso nelas. Acho que Johnny cometeu um grande erro quando negou a Richie sua cota.

    SC: Na sua opinião, por que os Ramones se separaram?
    GD: Bem, Johnny e Joey com certeza tinham dinheiro o bastante. Fizeram uma fortuna com as vendas de camisetas licenciadas. Acho que Johnny estava irritado porque várias bandas que tiveram o caminho preparado pelos Ramones alcançaram um sucesso maior do que os Ramones jamais tiveram. Creio que Johnny pensou que 20 anos eram o bastante. É preciso tempo para gastar o dinheiro que trabalhou tão duro para ganhar.

    SC: Parece que o sucesso veio depois da banda se separar. Você concorda? Por quê?
    GD: Os Ramones se tornaram uma das bandas de rock mais conhecidas do mundo. A mensagem que eles transmitiram através de sua música tocou vários jovens e essas músicas continuam afetando a vida dos jovens hoje.
    A camiseta com a logo dos Ramones é provavelmente a camiseta mais popular do mundo. Acho que a dos Misfits é a segunda mais famosa.
    Recentemente, vi uma reportagem da CNN em que um jovem no Brasil roubou pessoas num ônibus e estuprou uma mulher. Ele não sabia que havia uma câmera de vídeo próxima ao motorista e todo crime foi filmado. O cara estava vestindo uma camiseta dos Ramones…

    SC: Como foi ser tão próximo de um dos maiores nomes do Rock n’ Roll de todos os tempos?
    GD: Não sou influenciado pela reputação das pessoas. Sou influenciado pelo modo com que essas pessoas famosas reagem às pessoas que encontram. Tenho várias histórias sobre superstars bacanas e outros nem tanto, mas essas histórias dariam outro livro.

    SC: Hoje em dia você vive na Alemanha. Continua trabalhando como fotógrafo? Como passa seu tempo?
    GD: A maioria dos alemães que sabem da minha história acha que sou caro demais para trabalhar com eles. Hoje, as gravadoras fazem os artistas trazerem discos e capas prontas. Com câmeras digitais e um computador, qualquer babuíno pode desenhar uma capa.
    Se a capa ajudará a vender ou refletir a música da banda, é outra história.

    SC: Para encerrar, que legado os Ramones deixaram?
    GD: Os Ramones mostraram ao mundo que música não é sempre uma questão de virtuosidade. Força e emoção são as coisas mais importantes que a música pode transmitir. Ao menos no Rock n’ Roll.

    Colaboraram Homero Pivotto Jr e Leo Drumond.

     
  • carames 10:00 em 17/12/2013 Link Permanente | Resposta
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    Entrevista exclusiva com Mickey Leigh, autor de I Slept with Joey Ramone 

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    Mickey Leigh passou pelo país recentemente divulgando a versão em português de seu livro (no Brasil sob o título Eu Dormi Com Joey Ramone – memórias de uma família punk rock). Foi extremamente simpático e atencioso com todos que o procuraram nas sessões de autógrafos organizadas em livrarias de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre (nas fotos abaixo) e Caxias do Sul.

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    Com a agenda lotada dada a repercussão dos eventos em jornais, portais web e programas de tv, restou a este humilde blog tentar realizar a entrevista por e-mail. Fui avisado de cara pela divulgação da editora que demoraria, mas se atendido, minhas perguntas renderiam uma das entrevistas mais amplas mesmo considerando veículos oficiais.

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    eu dormi com joey ramoneEis que a espera compensou: começando por um “isto é tudo por hora, retorno pra você com o restante, eventualmente” Mickey respondeu quase todas as perguntas que eu havia enviado. Deixou de fora poucos pontos, mas respondeu o mais relevante para os fãs da banda.

    Já havia lido sua versão original então tentei evitar perguntas que pudessem comprometer a leitura de quem ainda não conferiu a obra – uma das melhores escritas sobre um ramone e que teve a colaboração de Legs Mcneil (Mate-me Por Favor).

    Da mesma forma que no livro que divulga, Mickey foi direto e fez algumas revelações que, no meu caso, foram novidade. Confira abaixo:

    Sequela Coletiva: Esta é a primeira versão de seu livro em outro idioma? O que os fãs brasileiros irão encontrar?
    Mickey Leigh: Não é a primeira versão em outro idioma. Ele já foi publicado na Finlândia e na França. Eles irão encontrar o mesmo que as pessoas encontraram nestas edições: uma história incrível, inspiradora e de apelo universal.

    SC: Os fãs podem esperar algum tipo de atualização em relação ao livro original lançado em 2009? Algo como os bastidores da produção de …ya know por exemplo?
    ML: Não. Ele não é sobre discos na verdade. É sobre irmãos e familias. Como médicos disseram a um cara problemático que ele nunca seria capaz de ser funcional em sociedade, como sua mãe e seu irmão o estimularam depois disto, e como ele chegou ao ápice.

    SC: Como foi produzir Ya Know? Conte-nos sobre a escolha dos músicos**.
    ML: Eu quis pessoas que eram próximas a Joey, aqueles que colaboraram muitas vezes durante a carreira dele, que todos trabalhassem juntos. Então, consegui reunir todos eles e o resultado foi tal como eu esperava. O resultado é uma jóia.

    SC: A versão que Joey and 22 Jacks fizeram para I’ll be with you tonight do Cheap Tricks é uma canção poderosa. Você considerou incluí-la em um álbum solo de Joey?
    ML: Não em um álbum solo propriamente. Quero fazer um álbum com todas estas colaborações. Acho que há o suficiente para um grande disco.

    SC: No último ano três ex-integrantes (CJ, Marky e Richie) excursionaram pelo Brasil e também vários livros foram lançados em português (Na Estrada com os Ramones, Eu Falo Música, Commando e Eu Dormi com Joey Ramone). Como é o interesse dos fãs dos Ramones nos Estados Unidos e na Europa atualmente?
    ML: Não se compara ao interesse na Argentina e Brasil.

    SC: Tivemos recentemente várias coletâneas e diferentes relançamentos dos discos dos Ramones. Os familiares (de Joey, Johnny e Dee Dee) são consultados a respeito destes lançamentos? Quais são os planos para o futuro relacionado ao legado da banda?
    ML: Somente as famílias de Joey e Johnny são consultadas, já que eles foram os únicos dois membros originais que permaneceram até o fim. Este foi o acordo que Johnny e Joey fizeram com Tommy e Dee Dee.

    SC: Existe alguma chance de descobrir uma canção inédita dos Ramones ou mesmo do Joey?
    ML: Qualquer coisa é possível neste mundo.

    SC: Ao invés de canções dos Ramones, no filme CBGB temos duas músicas da carreira solo de Joey. Você foi envolvido na criação do personagem de Joey ou deu algum tipo de suporte?
    ML: Não, não tive envolvimento com isto.

    SC: O que achou do filme?
    ML: Eles fizeram o melhor que puderam.

    *O crédito pelas fotografias é da própria livraria e podem ser conferidas aqui junto com o restante da cobertura fotográfica do evento.
    ** a lista é grande e de respeito. Participaram do disco Ed Stasium (co-produtor de Leave Home, Rocket to Russia, Road to Ruin, Too Tough to Die e Mondo Bizarro), Daniel Rey (produtor de Halfway to Sanity, ¡Adios Amigos! e vários trabalhos solo pós-Ramones), Jean Beauvoir (produtor de Animal Boy) e músicos como Steven Van Zandt (da E-Street Band, de Bruce Springsteen), Andy Shernoff (ex-the Dictators e parceiro de Joey em músicas como I Won’t Let It Happen, Ignorance Is Bliss e It’s Gonna Be Alright) e Richie Ramone (baterista dos Ramones em três discos de estúdio).
    *** colaboraram Homero Pivotto Jr; César Marcelo Caramês, Luciana Thomé e Allen Nunes.


     
  • carames 17:50 em 04/07/2012 Link Permanente | Resposta
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    CJ Ramone lança disco em agradecimento aos fãs 

    Por Alexandre Saldanha

     

    Dizem que uma maçã não cai longe do pé. No caso de CJ Ramone, parece verdade. Em 1989, ele assumiu o lugar de Dee Dee Ramone como baixista da banda que inventou o punk rock. Quando os Ramones dependuraram as chuteiras, em 1996, CJ seguiu seu caminho em bandas próprias como Los Gusanos e Bad Chopper. Em 2009, quando completaram 20 anos que Chris Joseph Ward havia se tornado CJ Ramone, ele resolveu fazer uma série de shows comemorativos, ao lado do antigo parceiro Daniel Rey. Agora, o baixista se prepara para lançar Reconquista!!, seu primeiro disco solo como CJ Ramone. Numa manhã fria de primavera, conversei por telefone com CJ sobre o novo álbum – “uma saudação aos Ramones” -, o dia-a-dia nos Ramones (“quando eu ia falar sobre a banda eu sempre dizia ‘os Ramones’ ou ‘eles’”) e sobre não ter entrado para o Rock and Roll Hall of Fame junto com seus ex-companheiros.

     

    Você acabou de sair do estúdio gravando “Reconquista”. É um CD do Bad Chopper ou CJ Ramone?
    Na verdade, vai ser o primeiro disco só como CJ Ramone. O cara que começou o Bad Chopper comigo – Mark Sheehan – morreu, então eu decidi fazer outras bandas e fazer as coisas dessa maneira, mas tem sido muito difícil reunir uma banda e fazer turnês. Então achei melhor fazer isso sozinho.

     

    Você escreveu em sua página no facebook que esse disco é um tributo a Joey, Johnny e Dee Dee. Por quê? O disco soa como os Ramones?
    Definitivamente, é uma saudação aos Ramones. As músicas desse album são as músicas que eu queria ter feito quando a banda ainda estava junta. Consigo ouvir Joey cantando-as, imaginar Johnny tocando as linhas de guitarra. Elas se encaixariam muito bem mesmo nos Ramones. Teria sido um “Adios Amigos!” melhor do que o que foi lançado. Toda a ideia desse disco foi dizer obrigado aos Ramones, obrigado aos fãs e finalmente fazer um disco do CJ Ramone [risos]! Sempre quis fazer um disco do CJ Ramone. Tive outras bandas e essa é a minha oportunidade de fazer isso. Na verdade, acabei de voltar da California onde terminei as gravações. Tive Steve Soto, que era baixista dos Adolescents, meu amigo José Medeles que tocou bateria com os Breeders, com o 22 Jacks e mais uma monte de bandas por aí. Ele é um baterista incrível. Tem uma coisa orgânica. Quando chegamos ao estúdio na Califórnia – The Racket Room -, gravamos as músicas e tivemos vários convidados tocando solos no disco, o que é bom. Estou esperando os masters agora, mas já está tudo terminado.

     

    Você já sabe quando o disco vai sair ou ainda é cedo para isso?
    Espero que seja lançado até julho. Se conseguir lançar até julho, vou poder fazer turnê.

     

    O Brasil está nos planos?
    Ainda não tenho planos para o Brasil agora, mas já recebi alguns convites para tocar na Argentina este ano.

     

    Você pretende voltar com Los Gusanos ou a banda acabou mesmo?
    Los Gusanos, não… Na verdade, nós chegamos a gravar um segundo disco e eu, recentemente, encontrei as fitas. Cheguei a pensar em lançar [esse material], mas estavam em péssimas condições, então tive que desencanar. É uma pena porque o segundo disco dos Los Gusanos estava realmente bom. Eu estava muito feliz.

     

    [Los Gusanos] soa muito diferente do que você fazia com o Bad Chopper ou em carreira solo.
    Em cada banda que eu estava… Los Gusanos e Bad Chopper nunca foram… No que diz respeito a composição, nunca foi um o meu som porque eu sempre colaborava com outras pessoas. Mesmo eu escrevendo as músicas, deixava os outros tocarem do jeito que eles queriam. Nunca disse como eles deveriam tocar. Então cada um trouxe seu próprio estilo. A musicalidade, sabe?

     

     

    Quando os Ramones anunciaram a aposentadoria, Johnny disse que queria sair de cena enquanto a banda ainda estava boa. Ele não queria que os Ramones soassem como uma banda cover dos Ramones. Atualmente, você e Marky fazem shows tocando as músicas dos Ramones. Você acha que Johnny aprovaria isso?
    Não, não! Ele nunca gostaria de uma coisa dessas. Eu comecei a tocar as músicas dos Ramones porque estava comemorando o 20º aniversário – em 2009 – de quando eu entrei para a banda. Foi aí que eu comecei a tocar só Ramones. Começamos a receber mais e mais propostas. As pessoas adoram aquelas músicas e eu amo tocá-las, sabe como é? Sempre vou tocar algumas músicas dos Ramones. Não se pode apagar o passado… [Risos] Amo os Ramones e quero ser o nome… quero manter os Ramones vivos Quero que as pessoas se lembrem dos Ramones. É importante pra mim, sabe?

     

    Ouvi dizer que que você fez o teste só para conhecer a banda, porque você era um grande fã.
    Sim, foi mesmo! [Risos] Eu estava na Marinha. Fiz o teste porque achei que ia ser incrível conhecer os Ramones.

     

    Você sente que você representava ops fãs quando estava em cima do palco com os Ramones?
    Sim, sempre me senti assim. Tinha uma boa relação com os fãs porque eu também era um fã por tanto tempo. Era tipo “ei, um de nós conseguiu chegar até aqui”. Eu era um fã antes de virar um integrante da banda. Era uma loucura entrar pra banda, sabe? Estranho, até o último dia. Sempre tive uma sensação estranha de estar tocando com eles, mas era uma coisa ótima de compartilhar com os outros fãs. Acho que a maioria dos fãs entendiam que eu estava muito feliz de estar em cima do palco depois de ter sido um fã por tanto tempo.

     

    Dá pra ver isso assistindo os videos da época que você entrou para a banda. Johnny, Joey e Marky estavam sérios e você com uma cara de “Uau!”
    Pois é![Risos] Pois é!

     

    Realmente aconteceu o treinamento com Johnny de “Como se tornar um Ramone”? “Olhe para frente”, “nunca olhe para trás”, “ande para frente”…
    Sim! O que mais me ajudou foi que eu tinha acabado de sair da Marinha. Me ajudou a seguir as regras e a lidar com Johnny. Uma grande ajuda!

     

    Como foi substituir alguém tão carismático e talentoso como Dee Dee Ramone? 
    Era muito estranho porque… Muitas vezes, quando eu estava na banda, quando eu ia falar sobre a banda eu sempre dizia “os Ramones” ou “eles”. Raramente eu dizia “nós” porque era estranho ser fãzaço e depois estar na banda. Era esquisito. Quando você está numa banda com tanto charisma e qualidade sonora, não é fácil ficar próximo deles, sabe? Eu tentava ser confiante e me encaixar… Era muito, muito difícil. Minha intenção, quando eu estava na banda, era fazer com que eles voltassem a ser excitantes em cima do palco outra vez. Fazer o meu melhor trabalho e nunca envergonhá-los ou me envergonhar. Meu maior medo sempre foi que eu não fosse bom o bastante, que eu não seria o cara certo para tocar com os Ramones. Que eu não subisse no palco toda noite e tocasse o melhor que eu pudesse e não desse 100% e ser tão bom quanto eu pudesse. Essa era minha maior motivação: garantir que eu fizesse o meu melhor por que era o que os Ramones mereciam.

     

    Li que Ed Stasium disse que, quando produziu Mondo Bizarro, a energia estava renovada. E Joey cantava “tudo está certo, CJ está aqui”. Como foi isso?
    Tenho certeza que, para mim, foi diferente de qualquer outra pessoa. Era meu primeiro disco de estúdio com os Ramones e eu estava muito animado. Estávamos tocando as músicas havia algum tempo, então quando entramos em estúdio, eu estava bem confiante. Foi inaccreditável! Trabalhar com Ed Stasium que fez meus discos preferidos dos Ramones. Sem falar que eu estava tocando com os Ramones, eu estava quase explodindo! Muito animado com isso! Foi muito… é até difícil colocar isso em palavras… Muitas vezes, quando me fazem perguntas como essa, a melhor resposta que posso dar é que eu era um grande fã. Imagine que você é um fã, você entra para os Ramones e vai fazer isso [gravar com Ed Stasium]. É exatamente assim que eu me senti! [risos]. Como eu disse, era um fã antes de estar na banda, então… é como qualquer outro fã se sentiria nessa situação. Gravar meu primeiro disco de estúdio com os Ramones e com Ed Stasium produzindo foi inacreditável para mim. Sempre digo: Não sei como isso poderia ficar melhor. E, toda vez que digo isso, acontece alguma coisa que melhora mais ainda.

     

    Assisti alguns de seus shows no Brasil e as coisas ficam meio selvagens por lá. Lembro de ver pessoas correndo atrás de você, te seguindo até o hotel, como faziam com os Beatles. Aí fui ver seu show em Farmingdale [cidade onde CJ mora] e todo mundo falava “ah, é só o Chis…”
    É, muito diferente! [risos]

     

    Você se sente mal por os Ramones não serem tão grandes nos EUA como são na América do Sul?
    Nunca me incomodei por os Ramones não serem tão grandes aqui; Na minha cabeça, a contribuição dos Ramones não foi… não me importa se eles não são tão grandes [nos Estados Unidos] porque o mais importante da carreira deles é a quantidade de pessoas que eles influenciaram e não quantos discos eles venderam ou quantas pessoas foram aos shows ou nada disso. É quantas vidas eles mudaram. O tamanho da influência e do impacto que tiveram na música. Para mim, isso foi o mais importante da carreira deles. Para mim, foi isso que os fez grandes, não necessariamente ter vendido milhões de discos. Eles mudaram a vida de muitas pessoas.

     

    Você fica chateado por Joey e Johnny que estavam lá desde o início e não puderam ver o quão grande eles são agora? Por exemplo, Joey não chegou a entrar no Rock and Roll Hall of Fame…
    É, isso é uma pena. Espero que de algum lugar, de algum jeito, ele esteja assistindo e curtindo isso agora, sabe?

     

    E você foi à cerimônia de premiação?
    Sim, eu fui. Na verdade, Dee Dee tinha um ingresso sobrando e me convidou.

     

    É uma sacanagem você não ter entrado também. Você ficou na banda por oito anos!
    [Risos] Não me incomodou em nada. Para mim, o Rock and Roll Hall of Fame não significa absolutamente nada! É um bando de sujeitos gordos e carecas. Não são fãs, não são pessoas que gostam de música de verdade. Quando Johnny me ligou e disse “bem, eles não vão indicar você. Marky foi indicado, mas você não”, eu disse “não ligo!”. Disse para ele “Johnny, você e Joey me disseram qual foi a minha contribuição para os Ramones. Não preciso que o Hall of Fame me dê um tapinha nas costas e me diga que contribuí”.

    Post original Portal Rock Press

     
  • carames 1:56 em 02/12/2011 Link Permanente | Resposta
    Tags: , 1º de dezembro, 35 anos da entrevista dos Sex Pistols a Bill Grundy, bill grundy, , entrevista, ,   

    35 anos da entrevista dos Sex Pistols a Bill Grundy 

    Há exatos 35 anos os Sex Pistols iam ao programa de maior audiência da tv britânica (Today) serem entrevistados por Bill Grundy em pleno chá das 5. O resultado foi um azedo Johnny Rotten ofendendo o apresentador e mandando um “Fuck Off” (Foda-se) em rede nacional. A anarquia no Reino Unido tinha início.

     
  • carames 2:56 em 11/08/2011 Link Permanente | Resposta
    Tags: , entrevista, noisecreep, , ,   

    Entrevista de Tommy Ramone para NOISECREEP 

    Em 1976 foi lançado o mais importante e influente disco punk da história. O álbum homônimo dos Ramones mudou o panorama da música para sempre influenciando gerações de músicos. 2263 shows e 20 anos depois os pioneiros do punk já não eram mais os mesmos. Num espaço de oito anos, três dos membros originais (o vocalista Joey Ramone, o guitarrista Johnny Ramone e o baixista Dee Ramone) morreram.

    Em 18 de março de 2002 os Ramones – incluindo os três fundadores e os bateristas Tommy e Marky Ramone foram indicados ao Hall da Fama do Rock n’ Roll. Para comemorar o legado perene da banda a Rhino Records recentemente homenageou os Ramones relançando os primeiros quatro álbuns do grupo em vinil 180 gramas.

    Tommy Erdelyi (Tommy Ramone) foi o baterista nos três primeiros discos, co-produziu os quatro primeiros e deu uma imensa colaboração no desenvolvimento e sucesso da banda. No vácuo dos relançamentos da Rhino, Tommy falou à Noisecreep sobre os novos vinis, a banda e sua vida hoje.

    O que você achou quando viu os relançamentos que a Rhino fez dos quatros discos iniciais dos Ramones?
    Isto realmente me levou de volta. Senti que é ótimo que tenhamos nos ligado à Rhino. Eles também fizeram um trabalho incrível com nossos CDs, mas agora com os vinis, eles mostraram verdadeiro respeito de maneira geral. Os detalhes, as embalagens… Mais, estas músicas foram feitas para vinil, os sons, o jeito que as músicas foram arranjadas, então estou muito feliz.

    Porque você acha que os discos ainda fazem sucesso? Porque eles ainda entusiasmam as pessoas?
    Acho que eles passaram no teste do tempo. Quanto nós surgimos eles foram meio que revolucionários. Muitas pessoas não sabiam o que fazer com o primeiro álbum. Os Ramones são o tipo de grupo que o mundo levou 30 anos para alcançá-los. Nós meio que estabelecemos um novo parâmetro, chegando com novas idéias e conceitos diferentes para construir um novo cenário musical.

    O que você acha que tornou os Ramones tão especiais?
    Foi uma combinação de coisas. Lembrando, originalmente eu era o empresário – e eu quis juntá-los porque achei que eles eram pessoas tão puras. Simplesmente vi alguma coisa. Eles mostraram isto nos primeiros ensaios com as músicas originais e eu não esperava por isto. E eu disse para mim mesmo, há algo especial aqui. Era uma combinação de suas perspectivas únicas, seu talento único, combinado com sua consciência a respeito da história do rock n’ roll, o que foi necessário àquela altura, certas coisas que precisavam ser mudadas no cenário mundial – era um combinado de várias coisas. Mas principalmente suas próprias personalidades. Eram pessoas únicas; muito voláteis com muita energia, emoções reprimidas e coisas deste tipo. Tantas coisas combinadas resultaram naquilo que fez da banda tão especial.

    Como você se tornou o baterista?
    Quando descobrimos que Joey era melhor cantando, quisemos trazê-lo para frente. Então começamos a fazer audições para baterista, mas eles não conseguiam compreender o conceito da banda – a velocidade e simplicidade. Então eu sentava e mostrava a eles o que estávamos procurando e os caras simplesmente diziam “porque você não faz isto?” Daí fiz um teste e foi quando o som da banda se consolidou – ficou redondo – e nos tornamos Ramones.

    Poderia voltar no tempo até a gravação daquele lendário primeiro disco?
    Foi realmente agitado. Totalmente caótico. Tínhamos pouco tempo e os rapazes não tinham muita experiência em estúdio mas nós trabalhamos realmente duro e rápido e felizmente nós tínhamos uma linha quando entramos em estúdio porque tínhamos feito uma demo para conseguir um contrato de gravação. Daí apenas seguimos a demo. Já tínhamos feito a estrutura, o que possibilitou finalizar tão rapidamente. Não acho que tenhamos levado duas semanas trabalhando e finalizando o disco todo.

    Ouvindo os relançamentos da Rhino em vinil, pode-se perceber o conceito da banda evoluindo através dos álbuns. Como co-produtor, qual era seu objetivo?
    A primeira gravação foi basicamente rápida e veloz. Na segunda gravação nós buscamos um som mais pop. Algo pop e pesado. Para Rocket to Rússia, nós meio que atingimos o pico. Ficamos realmente bons no que fazíamos, por isto é meu disco favorito, é um disco bom mesmo. É ótimo do começo ao fim. Tivemos controle total nele. E no quarto álbum, Road to Ruin, decidi largar a bateria e nós trouxemos Marky. Combinamos meu estilo e o dele e criamos algo realmente pesado naquele disco – ele se tornou nosso disco ‘de peso’.

    Depois de deixar a banda, sei que você continuou produzindo algumas coisas – mas você manteve contato com eles?
    Certamente. Estive em cada show que eles fizeramem Nova York. Mantivemos-nosconectados, éramos amigos.

    Outros bateristas ainda te perguntam sobre seu jeito de tocar?
    Sim. Perguntam sobre meu estilo. É engraçado que fiz aquilo ao natural. A bateria era novidade para mim. Estava apenas tocando o que estava na minha cabeça. Era um guitarrista de origem – daí na bateria, apenas tocava o que estava na minha cabeça mais do que me preocupava com o que os outros tocavam. E desse jeito criei um estilo simples mas único.

    Antes dos Ramones, na verdade você trabalhou com Jimi Hendrix.
    Correto. Era engenheiro assistente nas gravações do Band of Gypsies. Era muito jovem e ele era tão grande quanto possa imaginar. Ele era uma pessoal incrível, fácil de lidar, trabalhava duro e era dedicado – um verdadeiro perfeccionista.

    E hoje você está em um duo de bluegrass, o Uncle Monk.
    Quando garoto estava sempre no bluegrass. Basicamente gosto de música que tenha estrutura simples e que tenha bastante emoção e sentimento. Bluegrass e outras músicas das antigas combinam isso como o que o punk se tornou – ambos os tipos tem estrutura de funcionamento parecida. Comecei a tocar bandolin e banjo há uns 20 anos.

    Os outros Ramones gostavam da música que você tocava?
    Sim. Quero dizer, eram cientes dos meus gostos musicais – eles também eram muito ecléticos.

    Joey, Johnny e Dee Dee já se foram – pensa seguido neles?
    Penso neles todo tempo. Sempre estiveram muito presentes na minha consciência – no meu dia-a-dia – eles estão sempre comigo.

    Entrevista de Tommy Ramone para Noisecreep precariamente traduzida por mim.

     
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