Marcado como: jello biafra Ativar/desativar aninhamento de comentários | Atalhos do Teclado

  • paulocarames 10:00 em 20/02/2014 Link Permanente | Resposta
    Tags: bikini kill, , , , Editora Ideal, , jawbreaker, jello biafra, kathleen hanna, , Porcell, , , Shelter, , Steve Albini, winston smith   

    Livro – Não Devemos Nada A Você 2008 

    livronao-devemos-nada-a-voceLançado inicialmente em 2001, o livro Não Devemos Nada A Você foi reeditado em 2007 e ganhou versão nacional em 2008.

    Compilação de 30 entrevistas publicadas no fanzine Punk Planet entre 1997 e 2007 que inclui expoentes da música independente como Ian MacKaye (Minor Threat e Fugazi), Jello Biafra (Dead Kennedys), Bob Mould (Husker Du), Kathleen Hanna (Bikini Kill, Le Tigre), Black Flag, Thurston Moore (Sonic Youth), Jawbreaker, Sleater-Kinney e Shelter além de artistas como Winston Smith e Art Chantry.

    A obra tem a música como pano de fundo já que o zine tinha interesses muito mais amplos. Entrevistando dos pioneiros do punk, passando por feras da arte e design e abrangendo política e ativismo Daniel Sinker revisita 80 edições e 13 anos de experiência para registrar um panorama interessante e nada mainstream. Edições Ideal, 312 páginas.


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  • paulocarames 15:31 em 20/07/2013 Link Permanente | Resposta
    Tags: , 19 de maio 2002, , , , , Fans Remember Joey Ramone, Heaven Needed A Lead Singer, , jello biafra, , , , , , , ,   

    Livro – Heaven Needed A Lead Singer Fans Remember Joey Ramone 

    Jari-Pekka Laitio-Ramone Heaven Needed A Lead Singer Fans Remember Joey RamoneJari-Pekka Laitio-Ramone é um dos mais renomados fãs dos Ramones. O finlandês é responsável por um dos principais sites que agregam informações sobre a banda (http://kauhajokinyt.fi/).

    Além de uma imensa fonte de referência para discografia oficial e solo, seu trabalho inclui alguns bootlegs, agenda de turnês e vários posts especiais.

    Mas ele também ficou conhecido pela série de livros que lançou em tributo ao quarteto honrando o formato do it yourself. Nesta primeira obra ele compila depoimentos de fãs e músicos (com prefácio de Marky Ramone e depoimentos de Jello Biafra, Hilly Kristal, Arturo Vega e Legs Mcneil) em homenagem à Joey Ramone, morto em 2001.

    Lançado um ano mais tarde, no dia do aniversário do cantor (19 de maio de 2002) e por coincidência, aniversário também do autor, Heaven Needed A Lead Singer é um interessante retrato da relevância que Joey teve na vida de tantos ao redor do globo. Jari-Pekka Laitio-Ramone, 192 páginas, em inglês.

     
  • paulocarames 13:53 em 18/08/2012 Link Permanente | Resposta
    Tags: , , Barulho, , cramps, , Editora Paulicéia, jello biafra, , , , , , , tad, uma viagem pelo underground do rock americano   

    Livro – Barulho: uma viagem pelo underground do rock americano 

    A melhor forma de definir André Barcinski e sua obra Barulho de 1992 é classificá-los como testemunhas oculares da história.

    No começo da década de 1990 Barcinski fez uma excursão pelos Estados Unidos na cara e na coragem acompanhando Jello Biafra (ex-Dead Kennedys) em seu apartamento e no escritório de seu selo (Alternative Tentacles).

    Assistiu de camarote a um ensaio dos Chili Peppers para a turnê do, segundo ele, pior disco da banda até então – Blood Sugar Sex Magic.

    Visitou Joey Ramone e ouviu em primeira mão as demos do álbum Mondo Bizarro que seria lançado no ano seguinte. Conversou ainda com bandas do calibre de The Cramps e Mudhoney.

    Como se tudo isto não bastasse, foi ao show do Nirvana no Paramount. O show é de longe um dos pontos altos da carreira do Nirvana e flagra a banda em um momento em que vendia cerca de 35 mil discos por dia e mesmo assim, seus integrantes eram rostos desconhecidos do grande público.

    Um registro sem igual no jornalismo musical tupiniquim. Editora Paulicéia, 124 páginas.


     
  • paulocarames 14:48 em 10/06/2012 Link Permanente | Resposta
    Tags: , , beco, , , , , jello biafra, Jello Biafra e o verdadeiro espírito punk, , ,   

    Jello Biafra e o verdadeiro espírito punk 


    Jello no começo do show em POA, vestindo um casaco com as cores da bandeira dos EUA sujo de sangue

             Jello Biafra, ex-vocalista da lendária Dead Kennedys, voltou ao Brasil em março para quatro apresentações com seu novo grupo, o Guantanamo School of Medicine. Em sua passagem por Porto Alegre, conseguimos colar no homem e entrevistá-lo. Durante o bate-papo, o cinquentão afirmou que ainda sabe fazer boas músicas, praguejou ex-companheiros e mostrou-se antenado na política mundial.

     

    Entrevista e texto: Homero Pivotto Jr.

    Vídeos: Homero Pivotto Jr. e Paulo Caramês

    Foto: Nelson Godoy Espindola

    Sustentar pontos de vista fortes e bem fundamentados pode incomodar. Que o diga o lendário vocalista Jello Biafra, ex-Dead Kennedys e atual líder do The Guantanamo School of Medicine, que levou uma surra de gente que o achava “vendido”. Logo ele que sustenta até hoje uma postura crítica e combativa em relação a certos valores da sociedade, e mantém uma gravadora independente – que garante não dar lucro – só para poder lançar artistas nos quais acredita.

    Beirando os 54 anos, Jello segue promovendo shows explosivos, sem abrir mão das performances inquietas, teatrais e cheias de discursos inflamados. O repertório dos espetáculos é baseado nos dois trabalhos do Guantano School of Medicine: The Audacity of Hype (2009) e EnhancedMethods of Questioning (2011). Os hinos do antigo grupo, como ‘Holiday in Cambodia’ e ‘Nazi Punks Fuck Off’, também são tocados, mas ocupam bem menos espaço no set list do que as composições mais recentes. Afinal, Jello perdeu o controle sobre o catálogo dos  Kennedys para os ex-campanheiros East Bay Ray, Klaus Floride e D.H Peligro. Ainda assim, detém os direitos autorais sobre as músicas que escreveu.

    Fora do palco, Eric Baucher (nome verdadeiro de Jello) é um tiozinho simpático e educado. Apesar de, em ação, agir como se tivesse usado alguma substância alucinógena, afirma categoricamente que seu único vício é a paixão por vinis. O gosto pelos bolachões é tanto que Jello até perguntou se existiria a possibilidade de alguma loja de discos abrir para ele garimpar long plays depois da apresentação. Se o antigo formato fonográfico mora no coração do veterano cantor, a política corre em seu sangue. O militante do Partido Verde dos Estados Unidos (sigla pela qual já concorreu a prefeitura de São Francisco, Califórnia) sabe que é preciso alimentar o espírito punk com informação. E faz questão de deixar isso explícito falando de modo calmo, articulando bem suas palavras. Foi assim que ele tentou se expressar no trajeto do aeroporto Salgado Filho até o hotel onde ficou hospedado em Porto Alegre, mesmo com o barulho gerado pelo caos urbano. 

    Você é considerado uma lenda do punk rock. Na sua concepção, o que é ser punk de verdade hoje em dia?

    Jello Biafra – Eu estou me lixando sobre o que é e o que não é ser um punk de verdade. Para mim, o espírito punk é o mesmo dos hippies contra a guerra do Vietnã, dos Beatniks e de outros movimentos radicais que lutam por algum tipo de mudança positiva. Investir em um sistema de trens eficiente e educar as pessoas para usá-lo poderia ser um punk (Jello estava preso no tráfego e avistou os trilhos di trensurb). Assim, poderíamos entrar nos trens e ir até a cidade rapidamente. Agora, estamos aqui sentados, presos no que parece ser um engarrafamento do caralho (a entrevista foi feita durante o trajeto que Jello fez do aeroporto até o hotel, no centro de Porto Alegre, por volta das 17h45min). O tempo que perdemos aqui poderíamos estar procurando por vinis. Isso é triste! (risos)

    E sobre o cenário punk atual, qual a sua opinião?

    Jello Biafra – Não há UMA cena punk! O que existe são cenas diferentes. É algo muito grande, não há uma única cena.

    Nem mesmo no undergound?

    Jello Biafra – Também não existe só um underground, mas vários. Há pessoas que são da cena pop punk comercial, outras que estão de maneira pesada no hardcore ou no anarquismo… ou em muitas outras vertentes entre essas que citei. Não estou falando sobre o espírito punk. Quero dizer: o lado mais político e consciente do hip-hop se encaixa melhor no punk do que letras como ‘a garota me deu um fora’ ou gente que se veste como Sid Viscious, mas soa e age como integrante de boy band. Não quer dizer que o pop punk seja ruim. Mas eu mantenho bandas desse tipo longe do meu stereo assim que percebo tratar-se de uma versão ruim do NOFX. Ao invés de soarem como o NOFX, esses grupos parecem o Eagles com guitarras barulhentas.

    É uma boa visão do punk na atualidade.

    Jello Biafra – Na verdade, não. Só quero dizer que não podemos falar sobre ‘a’ cena, pois é algo amplo demais. É como falar sobre o cenário rock. O que isso significa? Não é só separar por estilo, mas pelo que é feito em cada cidade, em cada país. De qualquer maneira, eu escuto diversos tipos de música sem me preocupar se é ou não punk. Talvez as pessoas digam que não há nada bom no punk, que o estilo morreu junto com o Darby Crash (vocalista do The Germs encontrado morto por overdose de heroína quando tinha 22 anos). Seria bom criticar menos e sair da própria sala para lutar por mudanças. Outra resposta pode ser a de que a cena é você que faz. Sou feliz por meu gosto musical transitar em várias direções. Gosto de buscar artistas desconhecidos, procurar algo que venha de países inexplorados. Assim, qualquer música que eu não tenha ouvido com meus próprios ouvidos soará automaticamente nova. Eu estou sempre interessado em descobrir novos sons. O problema é levar para casa muitos vinis trazidos de lugares por onde passo e depois não ter tempo para ouvir tudo (risos).

    Como você vê o legado deixado pelo Dead Kennedys?

    Jello Biafra – Eu não gasto muito meu tempo olhando para o passado. Sou um pessoa da atualidade, e não retrô. E isso deve ficar evidente pelo show que faremos hoje à noite (a entrevista foi feita na tarde de 27 de março, antes do show em Porto Alegre). Com certeza, algumas pessoas querem ver o Jello Biafra do Dead Kennedys. Mas agora eu tenho  uma nova banda (Jello Biafra and The Guantanamo School of Medicine), com novas composições. Eu escrevi a maior parte das músicas do Dead Kennedys, então, eu não esqueci como criar bons sons. A fonte de onde isso vem é sempre punk. Mesmo quando tentamos ultrapassar os limites musicais do gênero e o misturamos a outros estilos, fazendo experiências. O Dead Kennedys não soa como uma banda punk normal. Isso é engraçado, porque éramos ferozes demais para os fãs das bandas de garagem e muito estranhos para alguns, mas não todos, os punks. Boa parte das pessoas que vão aos shows agora e que eram admiradoras do DK irão gostar do Guantanamo School of Medicine… mesmo que não haja a intenção de fazer a banda nova parecer o Dead Kennedys. Certos sons simplesmente brotam da minha mente, porque é o jeito que eu escrevo música. Eu sou muito orgulhoso do que fiz com o Dead Kennedys. Muitas pessoas ainda são inspiradas pelas ideias de que você não está sozinho e que está ok ser radical e atacar o sistema capitalista opressor sem ser um idiota. É algo muito legal e gratificante que o público ainda tenha isso como inspiração, mesmo que as canções tenham sido escritas há cerca de 30 anos. Há muita gente nova nos shows do Guantanamo, não só gente do tempo do DK. É uma grande mistura de gerações. Em Buenos Aires, São Paulo e Curitiba, por exemplo, havia muita gente com, digamos, metade da minha idade.

    Você é um artista prolífico, sempre envolvido com projetos interessantes. Por exemplo: o LARD (banda com e Al Jourgensen e Paul Barker, do Ministry), as contribuições com o D.O.A e o Nomeansno (ambas do Canadá), os trabalhos com o The Melvins, além dos álbuns de spoken words. Algum desses outros projetos está em atividade? Recentemente você gravou uma música com o D.O.A novamente, certo?

    Jello Biafra – Não foi a mesma coisa. Nós não ficamos na mesma sala escrevendo a música. Joey (Shithead, voz e guitarra do D.O.A) enviou a faixa por arquivo digital e eu apenas coloquei minha parte do vocal. A letra é dele e fala sobre respeito e inspiração tirados do movimento Occupy Wall Street. Eu tenho uma música sobre esse assunto também, chama-se ‘Shockupy’.

    Sobre a série de vídeos What Would Jello Do, que você disponibiliza na web. Quando começou e qual o objetivo?

    Jello Biafra – Por que eu preciso de um objetivo? Por que diabos não posso apenas fazer algo (risos)? Foi uma alternativa que encontrei por não ter mais tempo para os shows de spoken words. Eu havia esquecido quanto tempo e energia uma banda suga das outras coisas que curto fazer. Gosto de fazer algumas declarações de tempo em tempo, mas não de blogar. Não sou bom de sentar e escrever bastante. Eu teria de escrever uma longa carta para o presidente Obama, por exemplo. Alguns escritores e jornalista conseguem isso em um dia, mas eu talvez precisasse de um mês. Escrevo devagar e isso é estressante. Uma maneira de dar vazão as palavras que quero espalhar é ligar a câmera, sem ensaio, e gravar. É por isso que existem tantos erros nas gravações (risos).

    Soa natural… é apenas o Jello e sua sinceridade.

    Jello – Sim! Quem deu a ideia foi uma amiga (Jane Hamsher) que mantém um blog importante sobre políticaem Washington. Às vezes, ela também aparece em noticiários de TV como comentarista. Há alguns anos ela trabalhou na produção do filme Natural Born Killers (Assassinos por Natureza), no qual ajudou a colocar uma música do Lard na trilha sonora. Ainda antes disso, era uma estudante universitária que frequentava shows do Dead Kennedys e de outras bandas. Ela queria que eu colaborasse com o blog, algo que eu realmente queria fazer, mas…
    Ela não gosta do fato de eu ser uma pessoa ‘não-digital’, apesar de ter meu computador. Então, Jane me deu uma câmera durante um jantar e disse: ‘tome, faça algo com isso!’. Eu fiz! Até trouxe comigo a camiseta que uso nos vídeos, caso eu tenha alguma ideia para gravar. Porém, há tempos não tenho uma. O que eu aprendi de negativo com o ‘What Would Jello Do’ é que mesmo não querendo ser um comentarista de política famoso, é preciso fazer os vídeos com frequência. E isso toma tempo. O ideal seria gravar diariamente. Pelo menos eu consigo espalhar meus pensamentos doentios e germes por meio da minha arte. Uma das grandes frustrações na minha vida é que sou muito devagar para finalizar algo. Eu nunca tenho tempo suficiente pra realiar tudo que quero fazer. São muitos riffs que não sei o que fazer, muitas letras que nunca termino… é uma loucura!

    O ex-Dead Kennedys e suas performances teatrais

    É verdade que você carrega sempre um gravador para registrar os momentos de inspiração e não esquecer as ideias legais que tem?

    Jello Biafra – Sim, está ali atrás na van! Tenho feito isso desde 1977. Eu achava que perderia a ideia, por isso a coloco para fora. Isso virou um pé no caso… buscar o que há nas fitas (que são muitas) e encontrar o que fazer com tudo isso leva tempo. Mas, isso funciona para mim.

    Você caminha pelas ruas com o gravador, feito um louco registrando algo em que está pensando?

    Jello Biafra – Geralmente eu não carrego o gravador todo o tempo. Às vezes, me arrependo de não estar com ele. Outras, estou com ele e não tenho ideias. Tenho duas pilhas com cerca de 200 e 400 fitas cada. Eu não fico preocupado de não ter mais ideias. Até porque os americanos estão sempre agindo como idiotas e esse é outro motivo que faz com que eu sempre tenha inspirações.

    Vamos falar sobre a Alternative Tentacles, sua gravadora. Você fundou no fim dos anos 70, certo?

    Jello Biafra – A Alternative Tentacles lançou o primeiro single do Dead Kennedys, ‘California Über Alles’. Eu escolhi o nome e o East Bay Ray (ex-guitarrista do Dead Kennedys) trabalhou duro para fazer e vender alguns discos. Éramos nós dois, mas ele resolveu sair quando percebeu que a gravadora não seria grande e nem faria dinheiro fácil. Foi a melhor coisa que ele fez para mim em anos!

    Hoje em dia, com a Internet e outras ferramentas digitais relacionadas à música, ainda vale a pena manter um negócio desse tipo?

    Jello Biafra – É parte da minha alma, preciso de uma gravadora. A razão é que vários artistas percebem que leva muito tempo para se tornar uma banda de verdade só com Myspace, Facebook ou algum outro site. Eles querem sair e tocar para as pessoas, mas não querem correr atrás do dinheiro para gravar os próprios discos sem serem pagos por isso. Os artistas veem nas gravadoras uma maneira de tirar um peso das costas. As pessoas enxergam a Alternative Tentacles como uma oportunidade de conseguir espaços para tocar. Ter uma gravadora hoje em dia é diferente de como era antes. Eu me pergunto regularmente: “devo continuar?”. Acredito que sim! É um pé no saco, só dá prejuízo, mas ainda é bom. Prefiro isso a ficar sentado aplicando na bolsa de ações, contando cada centavo e me tornando lentamente uma pessoa insanamente gananciosa como o ex-guitarrista do Dead Kennedys. Isso me dá um exemplo muito negativo do tipo de pessoa que podemos nos tornar. Prefiro olhar para trás e pensar ‘uau, quantos trabalhos legais eu ajudei a lançar’. Muitos deles talvez nem tivessem saído sem a ajuda da Alternative Tentacles.

    E sobre sua paixão por vinis. Costuma comprar LPs por todos os lugares por onde passa?

    Jello Biafra – É meu único vício! Eu nunca fui usuário de drogas. Se fosse, provavelmente estaria morto como outros viciados que conheci. Música, especialmente vinil, é minha perdição. Isso é ruim às vezes, pois cômodos inteiros da minha casa têm discos pelo chão, pelas paredes. Minha mãe era bibliotecária, então eu tenho uma memória bibliotecária.

    Você já trabalhou com artistas de gêneros diferentes, como Sepultura, Brujeria, Offspring, Nomeansno, The Melvins… Costuma ouvir essas bandas? O que tem ouvido atualmente?

    Jello Biafra – Eu mudo todo dia. Como não estou sempre com meu mp3 player eu não posso dizer o que estou ouvindo hoje. Além disso, costumo ouvir o que toca nos ambientes onde estou. Obvio que sou fã de todas as bandas da minha gravadora.

    Li em uma entrevista antiga sobre um problema que você tem no joelho. Está tudo ok agora?

    Jello Biafra – Não é uma doença. Fui atacado por valentões que acharam que eu era um vendido. Ironicamente, alguns meses antes eu havia sido ridicularizado pelos ex-membros gananciosos do Dead Kennedys por não ser vendido. Foi um período desagradável na minha vida. O joelho nunca mais será o mesmo, mas está melhor. Foram ossos quebrados, ligamentos e meniscos rompidos… mas não dói com frequência, apesar de ficar inchado depois dos shows.

    Sabe algo sobre a política brasileira?

    Jello Biafra – Eu sei o nome da presidente (Dilma Rousseff) e que ela é a escolhida de Lula para ser sua sucessora. Tenho a impressão que algumas pessoas amam muito o Lula e outros acham que ele é como Obama, que prometeu muitas coisas e não cumpriu. Eu ouvi e li que a economia brasileira está bem melhor do que costumava ser. Porém, isso cria um conjunto particular de problemas. Ainda continua existindo pobreza, ainda existe poluição. Muitos países viram-se destroçados com a descoberta de petróleo. Isso por que certas pessoas roubam dinheiro e preferem uma ditadura para poderem se aproveitar ainda mais. É um desastre para o meio-ambiente. De tempos em tempos notícias chegam à América sobre as queimadas na floresta tropical Amazônica e os assassinatos de ativistas ecológicos. Recebo poucas e esparsas informações sobre isso. Visualmente, desde a primeira vez que estive aqui, em 1992, parece que muita coisa mudou. Há muito mais dinheiro sendo gasto. Em cidades como São Paulo, há prédios enormes, construções por todos os lado, esses corredores pequenos (vias alternativas e corredores de ônibus)… coisas que parecem com o filme mudoMetropolis, de Fritz Lang. Leva tanto tempo para sobrevoar São Paulo quanto dirigir em grandes cidades mundo afora.

    O que acha de músicos entrando em eleições para cargos públicos, como Randy Blythe (vocalista do Lamb of God)? Ele disse recentemente que deve candidatar-se à presidência dos Estados Unidos.

    Jello Biafra – Eu não ouvi nada sobre isso. Já tivemos presidentes tão ruins que músicos não podem ser tão piores… mas nunca se sabe. Eu me preocupo com o fato de celebridades usarem sua fama para conquistar poder político, como o Arnold Schwarzenegger. Nesses casos, eles não sabem o que fazer quando chegam lá. Por exemplo: todo mundo tem medo do ‘exterminador’, menos os membros do seu partido que o criticam por não ser tão direitista. Ele quis ser presidente, então tentou mudar a constituição. A possibilidade de ele ser presidente dos EUA realmente me assusta. Cuidado se um austríaco quiser dominar o mundo! Depois de todas as batalhas e de incompetentes tentando fazer algo positivo no estado da Califórnia, acho que os eleitores decidiram eleger uma estrela de cinema com o pênis no lugar do cérebro.

    Qual sua avaliação sobre a administração do presidente Obama?

    Jello Biafra – De alguma maneira ainda é muito perigosa. Eu não votei em Obama porque, quando senador, ele frequentemente votava da maneira que Bush queria. Ele é definitivamente uma criatura das corporações. Eu realmente me pergunto o que ele quer da vida. É um homem com ótimo discurso. O que ele fez foi dar a Wall Street tudo o que ela quis. Ele tem um ego tão grande que quis virar presidente com 47 anos. Tinha que ser Obama, pois seus olhos estavam na história. Mas o que ele queria que a história fosse? Acho que, de todas as suas falhas, a que mais me assusta é ele não trazer nenhum criminoso de guerra do regime Bush para julgamento. É preciso julgar e prender essas pessoas antes que eles consigam ainda mais poder e ninguém possa detê-los.

    Postado originalmente em Radioputzgrila.com.br

     
  • paulocarames 11:14 em 06/03/2012 Link Permanente | Resposta
    Tags: , , jello biafra, Jello Biafra descendo a lenha na Tipper Gore,   

    Jello Biafra descendo a lenha na Tipper Gore 

     
  • paulocarames 0:54 em 24/02/2012 Link Permanente | Resposta
    Tags: , , , , jello biafra, , ,   

    Confirmada turnê de Jello Biafra no Brasil em março 


    O portal Zona Punk divulgou hoje a relação de datas da turnê de Jello Biafra e sua The Guantanamo School of Medicine que rola em março no Brasil. Confira as datas confirmadas abaixo:

    24/ Sábado no Beco 203 – SP
    25/ Domingo – no Espaço Cult – Curitiba
    27/ Terça – no Beco de Porto Alegre
    28/ Quarta – no Teatro Odisséia – RJ

    Biafra capitaneou a lendária banda californiana de hardcore Dead Kennedys até 1986. Após deixar a banda ele lançou discos com a banda que deverá acompanhá-lo na turnê e LARD, além de ter lançado uma série de discos intitulados Spoken Words contendo discursos de Biafra.

    Discografia com Dead Kennedys:
    1980 – Fresh Fruit for Rotting Vegetables
    1981 – In God We Trust, Inc. EP
    1982 – Plastic Surgery Disasters
    1985 – Frankenchrist
    1986 – Bedtime For Democracy
    1987 – Give Me Convenience Or Give Me Death


     
  • paulocarames 15:11 em 21/01/2012 Link Permanente | Resposta
    Tags: 18 de novembro, , , , , , Ben Shepherd, , , , , , , , jello biafra, jim jarmusch, , , Kevin Kerslake, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , vincent gallo   

    LP/CD/VHS/DVD/Boxset – Ramones: We’re Outta Here 1997 


    Tratando-se de We’re Outta Here já vi quase tudo. Umas tantas versões do LP, umas 3 do CD e o vídeo em VHS e DVD. Ah, claro, ainda tem o box com CD e VHS numa embalagem bem interessante. Aliás, no dia 25 de novembro de 1997, pela primeira vez 6 ex-integrantes (Johnny, Joey, Dee Dee, Tommy, Marky e CJ) se reuniram em um mesmo local para sessão de autógrafos deste boxset.

    Gravado ao vivo no The Palace em Los Angeles no dia 6 de Agosto de 1996, este é o registro oficial da última apresentação dos Ramones. Após 22 anos de carreira e 2263 shows chegava a hora de pendurar as jaquetas de couro.

    Se Greatest Hits Live (lançado no ano anterior) levou cerca de 4 meses para ver a luz do dia, desta vez o produtor Gary Kurfirst levou mais de um ano entre o espetáculo propriamente dito e o produto final fazendo valer a pena apesar das ressalvas.

    A estranheza fica por conta do local escolhido que parece deslocado. Talvez por ter sido definido de última hora ou talvez por não ter ocorrido em Nova Iorque, na Argentina ou no Brasil como seria mais óbvio. Sem o tradicional fundo de palco com a águia símbolo da banda e com um salão longe de estar lotado que nada lembra os shows na América do Sul como o da Argentina em março daquele ano.

    Johnny preferia não ter mais fotos da banda na capa (ou que eles estivessem de costas como na contracapa de ¡Adios Amigos!) para não dar sinais de que o tempo havia passado.

    Desta forma, a arte do disco deixa mais uma vez a banda de fora (como acontecera em Brain Drain, ¡Adios Amigos! e Greatest Hits Live) estranhamente dando ênfase para fotos dos convidados. Pensar que Any Way You Want It é a última música que eles tocaram juntos também causa espanto. Impossível agradar a todos.

    outta here (3)

    Mas o disco cumpre seu papel encerrando as atividades da banda e com méritos, já que no máximo duas vezes na carreira os Ramones haviam dividido o palco com alguém. Desta feita sobrou espaço para meio time do Rancid e também Eddie Vedder (Pearl Jam), Lemmy kilmister (Motorhead), a dupla Chris Cornell/Ben Shepherd (Soundgarden) além do ex-baixista Dee Dee Ramone.

    Uma festa registrada também em vídeo que foi mais tarde lançada no formato de um documentário. Ficou faltando um lançamento com a íntegra, já que a performance completa foi editada com trechos do show mescladas entre depoimento de amigos, produtores e integrantes da família Ramone. Tinha ainda a participação deles nos Simpsons e trechos de shows ao longo da carreira.

    outta here (2)

    Na filmagem, destaque para os cortes rápidos com câmeras muitas vezes apontadas para o nada, para o chão ou para os pés dos músicos. Ângulos inusitados e enquadramento nada convencional além de muitas vezes os cinegrafistas operarem no estilo ‘câmera na mão’ ou como um voyeur espiando de algum ponto do palco.

    Em certo momento Chris Cornell anuncia: “é sua última chance de vê-los ao vivo”. É o registro final da maior banda de todos os tempos com convidados que lhes fizeram companhia na turnê do festival Lollapalooza e repetidamente citavam os Ramones como principal influência. Dalí por diante seriam apenas projetos solo de um ou outro integrante e as tradicionais reedições caça-níquel das gravadoras.

    Ficha Técnica:
    Radioactive Records/Eagle Vision – produzido por Gary Kurfirst, dirigido por Kevin Kerslake

    Joey Ramone – vocal
    Johnny Ramone – guitarra
    Dee Dee Ramone/CJ Ramone – baixo, backing vocal
    Tommy Ramone/Marky Ramone – bateria

    Edição Original (Radioactive Records)
    Lado A:
    01 “Durango 95”
    02 “Teenage Lobotomy”
    03 “Psycho Therapy”
    04 “Blitzkrieg Bop”
    05 “Do You Remember Rock ‘n’ Roll Radio?”
    06 “I Believe in Miracles”
    07 “Gimme Gimme Shock Treatment”
    Lado B:
    08 “Rock ‘n’ Roll High School”
    09 “I Wanna Be Sedated”
    10 “Spider-Man”
    11 “The KKK Took My Baby Away”
    12 “I Just Wanna Have Something to Do”
    13 “Commando”
    14 “Sheena Is a Punk Rocker”
    15 “Rockaway Beach”
    Lado C:
    16 “Pet Sematary”
    17 “The Crusher”
    18 “Love Kills” (com participação de Dee Dee Ramone)
    19 “Do You Wanna Dance”
    20 “Somebody Put Something in My Drink”
    21 “I Don’t Want You”
    22 “Wart Hog”
    23 “Cretin Hop”
    24 “R.A.M.O.N.E.S.” (com participação de Lemmy Kilmister do Motörhead)
    25 “Today Your Love Tomorrow the World”
    Lado D:
    26 “Pinhead”
    27 “53rd & 3rd” (com participação de Tim Armstrong e Lars Frederiksen do Rancid)
    28 “Listen to My Heart”
    29 “We’re a Happy Family”
    30 “Chinese Rocks” (com participação de Chris Cornell e Ben Shepherd do Soundgarden)
    31 “Beat on the Brat”
    32 “Any Way You Want It” (com participação de Eddie Vedder do Pearl Jam)


    Versão em CD









    O disco fez parte ainda de uma compilação que incluía 29 músicas da versão original e a íntegra de Halfway to Sanity:
    Halfway to Sanity - We're Outta Here 1
    Halfway to Sanity - We're Outta Here 2
    Halfway to Sanity - We're Outta Here 3
    Halfway to Sanity - We're Outta Here 5Halfway to Sanity - We're Outta Here 4
    Halfway to Sanity - We're Outta Here 6

    Versão em K7
    ramones-wereouttaherek7

    Box com CD e VHS

    Versão em VHS

    Versão em DVD

    Mais sobre o disco*:

    outta here (1)





     
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