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  • carames 10:00 em 18/04/2015 Link Permanente | Resposta
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    Entrevista exclusiva com Jim Bessman, autor da biografia dos Ramones 

    jim bessmanPassados quase vinte anos após os Ramones seguirem caminhos distintos, o legado da banda permanece vivo e sua relevância é mais do que presente em incontáveis blogs e publicações dedicados ao assunto.

    Encontrar um livro que trate da banda não é nada difícil (independente do idioma ou país de origem) conforme a lista a seguir denuncia: “Gabba Gabba Hey!” e Adios Ramones (Argentina); Hey Ho Let’s Go e On the Road With The Ramones (Estados Unidos); Heaven Needed A Lead Singer e Rock in Peace (Finlândia); Gabba Gabba Book e Ramones Sniffing Poster (Itália) além das biografias dedicadas aos integrantes: Coração Envenenado (Dee Dee Ramone), I Slept with Joey Ramone (Joey Ramone), Commando (Johnny Ramone) e Punk Rock Blitzkrieg (Marky Ramone).

    Mas se você era fã da banda antes da metade dos anos 1990 a realidade era outra. As poucas informações disponíveis dependiam de revistas especializadas (nem sempre com dados corretos) até que em 1993 Jim Bessman lançou Ramones: An American Band, feito com a colaboração dos integrantes da banda.

    Seguindo a mesma linha narrativa (algumas incluindo a famosa lista de shows ao final do livro ou o catálogo de singles e discos editados pelo quarteto) as biografias que viriam a seguir bebem da fonte de Bessman. A produção de cada disco, a troca de integrantes e o famoso atrito motivado por uma namorada são contados em seu livro com detalhes e de forma pioneira.

    Abaixo você confere um bate papo com o autor (hoje colaborador do Examiner.com) onde ele conta um pouco dos bastidores desta obra que, infelizmente, tende a permanecer inédita no Brasil.

    ramones - an american bandSequela Coletiva: Como você conheceu a banda e como começou a trabalhar com eles?
    Jim Bessman: Não diria que comecei a trabalhar com a banda (já que não me pagaram para escrever o livro e a idéia foi minha), mas exceto por Dee Dee todos eles colaboraram. Quando consegui o acordo para o livro – o que exigia a concordância dos demais – comecei a ‘trabalhar com eles’, embora os conhecesse desde final dos anos 1970 quando eles foram pela primeira vez para Madison (Wisconsin), de onde sou e onde escrevi sobre eles três ou quatro vezes antes de mudar para Nova Iorque.

    SC: Como surgiu a idéia de escrever um livro sobre eles? De quem foi a idéia e como você se envolveu?
    JB: Tive esta idéia alguns anos antes de conseguir um acordo. Levei para um amigo editor que não topou na época e uns anos mais tarde acabou me procurando. Eu queria lançá-lo desde que os conheci um pouco melhor, e não achava que mais ninguém pudesse fazê-lo – e que eles podiam nunca ter o reconhecimento que mereciam. Por sorte eu estava errado.

    SC: Houve alguma interferência dos membros da banda no resultado final?
    JB: Joey, que era provavelmente mais meu amigo, não gostou e foi muito frio comigo por anos. Dee Dee, com quem eu tinha amizade, desde o começo não colaborou e se tornou bem hostil. Acho que foi porque estava escrevendo seu próprio livro. John foi muito legal a respeito. Tommy e Marky também.

    SC: Considero seu livro como a Bíblia dos Ramones, e se parece com uma, é coincidência?
    JB: Gostei disso mas só posso dizer que embora a capa seja brilhante, não foi minha idéia. O título foi, mas o design é do editor James Fitzgerald.

    SC: Muitos dos livros lançados mais tarde são mais do mesmo em relação ao seu pois ele tornou-se a principal referência a respeito dos Ramones. Existe algum plano de autalizá-lo com os últimos anos da banda?
    JB: Boa pergunta. Foi difícil publicá-lo para começar, e com todos os livros desde então, se torna difícil conseguir relançá-lo. Portanto, agora, não tenho nenhum plano.

    SC: Desde 1993 vários livros a respeito dos Ramones foram lançados, alguns deles em português. Alguma chance de tradução do seu?
    JB: Acho que não cabe a mim traduzi-lo, já que a editora detém os direitos. Foi traduzido para japonês e alemão.

    SC: Como a perda dos membros originais (Dee Dee, Joey, Johnny e Tommy) impactou sua vida?
    JB: Depois que o livro saiu minha relação com a banda esfriou, mais ainda depois que se separaram. Fiquei muito triste com suas mortes, claro. Foram trágicas do ponto de vista que eram todos relativamente jovens – e, evidente, que eram muito importantes para mim como fã e escritor.

    SC: Parece que o sucesso só veio após a separação da banda. Você concorda? Porque?
    JB: Sim e não. Eles sempre foram bem sucedidos o suficiente para continuar lançando discos, excursionando e vendendo merchandise – um belo feito para uma banda que não vendia muitos discos e tocava tão pouco na rádio. Mas eles aproveitaram, mesmo que brevemente, o reconhecimento após o término graças a sua indução ao Rock and Roll Hall of Fame, o reconhecimento de Joey e o aumento e reconhecimento adequado de sua imensa influência para jovens artistas que vieram depois. E ainda, músicas como “Blitzkrieg Bop” e “I Wanna Be Sedated” se tornaram hinos.

    SC: Você atualmente é um colaborador da Examiner.com, como é seu trabalho lá?
    JB: Sou um dos centenas de colaboradores. Acredito que o leitor deva julgar meu trabalho por si próprio. Tudo que posso dizer é que como os Ramones e todo o resto, faço o melhor que posso sobre aquilo realmente me importo.

    SC: Para terminar, que legado os Ramones nos deixaram?
    JB: Inicialmente grande música, claro, e a auto-realização de que você não precisa seguir as convenções e ser virtuoso ou fotogênico para ser um rock star, isto por si só é uma contribuição positiva para cultura.

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  • carames 10:00 em 18/02/2014 Link Permanente | Resposta
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    Entrevista exclusiva com Craig Leon, produtor do disco de estréia dos Ramones 

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    Crédito: Site oficial de Craig Leon


    A história já é um tanto conhecida: entre 2 e 19 de fevereiro de 1976 os Ramones gravaram no estúdio Plaza Sound em Nova York (ao custo de meros 6400 dólares) 14 músicas que somadas tem 28 minutos e 53 segundos e que fariam parte de seu primeiro lançamento.
    A mixagem foi feita da mesma forma que os discos dos Beatles nos anos 1960, baixo no canal esquerdo e guitarra no direito com bateria e vocal misturados no meio.

    A foto da capa, simples mas incomum para época, mostrava quatro outsiders do Queens em Nova York vestindo calças jeans surradas e jaquetas de couro, mesmo visual de rua usado por eles no palco (ao contrário de astros de hard rock que se produziam/fantasiavam antes das apresentações).

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    Crédito: Roberta Bayley


    As fotos feitas inicialmente não agradaram o selo que acabou pagando 125 dólares a Roberta Bailey que os clicou em frente a um muro em uma rua próxima ao CBGB’s (clube onde fizeram seus primeiros shows e que seria lendário para cena punk). Além da capa, suas fotos foram usadas na divulgação da banda.

    O disco lançado em 23 de abril daquele ano vendeu apenas 7 mil cópias mas acabou entrando para história não pela vendagem mas por ser um marco definitivo estabelecendo: ANTES e DEPOIS dos Ramones.

    Nesta entrevista exclusiva o produtor deste clássico, Craig Leon, fala destes temas e também dos recentes relançamentos que tem sido feitos com diferentes reedições, principalmente dos primeiros álbuns.

    Nascido em Miami a 7 de janeiro de 1952, ele ainda desmente a versão que muitas biografias dão de que as demos produzidas por Marty Thau seriam decisivas para o pouco tempo e baixo orçamento das sessões.

    No currículo de produtor, além dos Ramones, Leon trabalhou com, Blondie, Luciano Pavarotti, Richard Hell & The Voidoids, Suicide, Andreas Scholl, James Galway e Cassell Webb e tem ainda vários trabalhos como compositor.

    craig-leonSequela Coletiva: Como Você se tornou produtor do primeiro disco dos Ramones?
    Craig Leon: Eu trabalhava como responsável por Artista & Repertório para um pequeno selo (Sire Records). Eu vi a banda tocando no CBGB e os levei para o selo. Quando eles assinaram eu produzi o disco como parte do meu trabalho.

    SC: Os temas das músicas dos Ramones eram bastante incomuns naquela época. Você ficou surpreso com elas?
    CL: De forma alguma. Eu gostei muito das letras deles.

    SC: Você acreditava em 1976 que os Ramones se tornariam uma banda importante?
    CL: Sim. Pq? Porque eles éram ótimos.

    SC: No começo, o selo ofereceu contrato para apenas um single. Como você convenceu-os a reconsiderar e oferecer contrato para um disco?
    CL: Disse que poderia gravar um disco inteiro pela quantia que eles queriam gastar pra fazer um ou dois singles. Meu chefe disse que se conseguisse fazer isto poderia gravar um álbum. Então foi o que fiz.

    SC: Quem na banda era responsável por tomar decisões?
    CL: Tommy era o líder da banda e inventor de sua identidade visual (junto com Arturo Vega). Acho que ele tomava as decisões pelo grupo.

    SC: E quem era o cara mais engraçado?
    CL: Todos.

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    Revista Rockscene (set/1976): divulgação do disco de estréia da banda

    SC: É sabido que a banda não tinha muito conhecimento técnico em como tocar os instrumentos. Como eles lidaram com isto?
    CL: Ensaiamos um pouco para deixar a banda no ponto para gravar. É um mito que eles tocaram ao vivo no estúdio sem preparação. Não funciona desta maneira.

    SC: Isto atrapalhou as sessões de alguma forma?
    CL: Não. Eles estavam completamente preparados para fazer as gravações quando nós fomos para o estúdio.

    SC: A mixagem do disco é bem conhecida por ter baixo e guitarra em canais diferentes. O que pode nos dizer sobre isto?
    CL: A respostas está nas prensagens inglesas das primeiras gravações dos Beatles.

    SC: De onde veio a idéia de gravar desta forma?
    CL: Eu amava os Beatles do início e trabalhei numa sessão que George Martin fez pouco antes de eu trabalhar com os Ramones. A banda também amava essas sessões.

    SC: Qual o papel das demos produzidas por Marty Thau em 1975 para o resultado final do disco?
    CL: Quase nenhum. Quando meus chefes ouviram aquelas demos, quase decidiram não assinar com a banda. Prometi que o primeiro disco dos Ramones não se pareceria em nada com aquelas demos.

    SC: O Ramones sempre enfrentou dificuldades em estúdio durante a carreira, pois os produtores não sabiam como trabalhar uma banda como eles. No entanto, você fez uma obra prima já na primeira oportunidade. Como conseguiu isto?
    CL: Odeio ser presunçoso mas eu sabia o que estava fazendo. Continuo sabendo. Os outros citados, não.

    SC: Outro grande momento a respeito deste disco está relacionado com a capa. Como foi decidido usar a foto de Roberta Bayley ao invés das feitas inicialmente?
    CL: Você tem que perguntar isso a Toni Scott (Wadler) que fez aquele trabalho. Não sei nada a respeito. Exceto que pedi que a capa invocasse o espírito do primeiro Fugs, o que aconteceu.
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    SC: Existe alguma foto da sessão original que se tornou conhecida depois da escolha da foto de Roberta?
    CL: Acho que não, mas de novo… Não sei muito sobre esta parte do projeto.

    SC: Mickey Leigh (irmão de Joey) reinvindica em seu livro algum crédito nas gravações. Você lembra dele nas sessões?
    CL: Ele estava lá. Era o roadie da banda.

    SC: Você interferiu na escolha de que músicas se tornariam single?
    CL: Sim. Bastante.

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    Revista Rockscene (jul/1976): cobertura da curta sessão de gravação.

    SC: Antes de assinar com a Sire Records os Ramones já haviam feito várias músicas. Tem alguma das canções incluídas nos discos posteriores que você gostaria de ter gravado neste primeiro?
    CL: A banda escolheu as músicas para o disco. Era direito deles fazer isto. Apoio a escolha.

    SC: Você foi consultado sobre algum dos recentes relançamentos?
    CL: Não, e isto é triste. Os relançamentos dos Ramones sonoramente são terríveis. Tanto Ed Stasium quanto eu coçamos a cabeça tentando imaginar porque os idiotas que estão relançando estes discos não perguntam nossa opinião a respeito dos discos que produzimos.

    SC: Na sua opinião, porque este disco não vendeu tanto mas influenciou tantas gerações?
    CL: Vendeu o suficiente com o passar dos anos. A Sire não tinha estrutura para vender a banda.

    SC: Qual sua canção favorita no primeiro disco e porque?
    CL: Todas. São grandes músicas. Porque? Por ser 100% eles.

    SC: Qual sua opinião a respeito da produção dos outros discos?
    CL: Gosto muito do trabalho de Ed. O disco do Spector é uma merda. Ele era um gênio, mas não mais quando produziu a banda. Ficou cada vez pior depois disto.

    SC: Para terminar: Qual o legado que os Ramones nos deixaram?
    CL: Eles representam o fim de uma era – do verdadeiro rock and roll.


     
  • carames 10:00 em 07/01/2014 Link Permanente | Resposta
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    Entrevista exclusiva com George DuBose, fotógrafo oficial dos Ramones 

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    A parceria entre George DuBose e os Ramones começou quando ele fez as fotos para capa de Subterranean Jungle (1983) e depois disto, suas fotos foram usadas em praticamente todos os discos seguintes da banda – incluindo alguns álbuns solo dos ex-integrantes.

    georgeTodo este trabalho foi retratado no livro I Speak Music Ramones, publicado originalmente em 2008 e em 2013 lançado em português mas ainda sem distribuição no Brasil (Eu Falo Música, que teve colaboração de dois fãs brasileiros: Leo Drumond e Cristiano Viteck).

    No livro ele narra como aconteceu cada sessão de foto e várias curiosidades como a inspiração para capa de Too Tough to Die e Animal Boy e o motivo pelo qual Johnny Ramone gostava de trabalhar com ele.

    Acid Eaters, rara exceção em que suas fotos não foram requisitadas, teve muitas fotos de divulgação a cargo dele.

    Mas nem só de Ramones se resume o trabalho deste grande artista. No currículo, trabalhos com bandas como REM, B-52’s, Tom Waits, Afrika Bambatta e muitos artistas ligados ao Hip Hop.

    A seguir você confere uma entrevista com o fotógrafo que hoje vive na Alemanha e é responsável por algumas das fotos mais emblemáticas da história da música:

    Sequela Coletiva: Como a fotografia entrou na sua vida?
    George DuBose: Eu gostava das aulas de artes no colégio e na faculdade, mas eu não tinha paciência para desenhar e nunca consegui desenhar com realismo. Percebi que tinha a habilidade para “ver” coisas que pareciam legais e poderia fotografá-las.
    Também aprendi que podia tirar fotos em que as pessoas pareciam bem para elas mesmas. Vi uma exposição fotográfica de um fotógrafo do exército no Vietnã e as fotos de baixas de guerra eram aterrorizantes. Soube, naquele momento, que não iria querer fazer aquele tipo de fotos. Eu queria tirar fotos mostrando o melhor das pessoas.

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    The B-52’s (1979)

    SC: Como você começou a trabalhar com os Ramones?
    GD: Conheci Tony Wright, diretor de arte da Island Records, quando ele quis ver as fotos que eu tirei, por conta própria, da B-52’s. Ele usou uma das minhas fotos para capa do primeiro álbum deles. Mais tarde, o empresário dos Ramones, que também empresariava a B-52’s naquele tempo, pediu a Tony para fazer a capa para Subterranean Jungle. Tony me contratou para fazer as fotos. Um ano mais tarde, Johnny me chamou e perguntou se eu gostaria de fazer as fotos para Too Tough To Die, mas ele não havia gostado do que Tony fez em Subterranean Jungle. Eu disse para Johnny que bastava dizer a Tony o que fazer e ele faria.
    Eu devia um favor a Tony e o mantive trabalhando com os Ramones até Halfway to Sanity. Fiz aquela capa sem ele. Johnny me chamou para todas as sessões de fotos depois disso.

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    Animal Boy (1986)

    SC: Como funcionava a dinâmica das sessões e como era definido o que se tornaria capa dos discos?
    GD: A ideia para a capa do disco era definida antes da sessão. Depois da sessão e de receber os filmes de volta do laboratório, eu escolheria uma dúzia de imagens, imprimiria miniaturas e mostraria a Johnny e Joey. Então eles fariam a escolha final. Às vezes, eles apenas me diziam para escolher. Halfway to Sanity foi assim. Escolhi a melhor foto, mas a maioria das tomadas ficou boa.

    SC: Os empresários da banda exerciam alguma influência no que virava capa?
    GD: Na verdade, não. Às vezes, Gary Kurfirst, o empresário, queria usar uma pintura na capa, como em Acid Eaters ou Adios Amigos, mas acho que era para ele poder ficar com os quadros depois que fossem usados como capa dos discos.
    Kurfirst nunca me disse nada a respeito das capas, exceto uma vez, quando me disse que capas melhores venderiam mais discos. Podia tê-lo fotografado.

    SC: Qual foi o seu trabalho mais difícil?
    GD: É Fácil. Michael Monroe and Demolition 23 (nota: Michael Monroe, co-fundador da banda finlandesa Hanoi Rocks). Michael era meu vizinho de prédio e um dia ele me viu com uma pilha de discos dos Ramones. Ele me perguntou sobre eles, e eu disse que era fotógrafo e designer. Ele me pediu para trabalhar em seu próximo disco para o Japão. Levou dois meses e foi o projeto mais difícil em que trabalhei, exceto por “…Ya Know” do Joey.

    SC: O que diferenciava os Ramones de outros músicos, como REM, Tom Waits ou Afrika Bambatta, com quem também trabalhou?
    GD: Os Ramones tinham que trabalhar muito para vender seus discos. Excursionando sem parar. Waits, REM e Bambaataa venderam muito mais discos. Acho que a reputação inicial dos Ramones e músicas sobre cheirar cola desencorajaram muitas pessoas a ouvirem as outras músicas deles.

    SC: Qual a sua capa preferida? Por quê?
    GD: Dos Ramones, Too Tough to Die. Minha foto favorita dos Ramones é a do cogumelo, que deveria ter sido a capa do Acid Eaters.

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    Mushroom (1993)

    SC: Desde 1983, Acid Eaters é o único disco de estúdio sem músicas próprias e sem fotos suas. Alguma relação?
    GD: Não sei mesmo por que isso aconteceu, mas consegui fazer fotos bacanas para a publicidade de Acid Eaters. Gosto de fazer Pop Art ou fotos psicodélicas. Fiz isso por anos e a história completa está em meu livro.

    SC: Você tem um livro que relata sua história com os Ramones. Conte-nos sobre o projeto de lançá-lo em português:
    GD: Eu sabia que os Ramones tinham uma grande quantidade de fãs no Brasil. Leo Drumond e eu estávamos em contato e ele ofereceu a tradução do livro para o Português.

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    I Speak Music (2008)

    SC: Algum projeto de lançar ou exibir outras fotos além das contidas no livro?
    GD: Metade da minha carreira foi fazendo capas de discos para pioneiros do Hip Hop e, sabendo que o Hip Hop não iria durar para sempre, decidi lançar os livros sobre Hip Hop antes de lançar os livros de Rock n’ Roll. Eu tenho mais um livro de Hip Hop sobre artistas do Hip Hop europeu. Em seguida, iniciarei a série de rock, começando com o B-52’s.

    SC: Clem Burke durou apenas dois shows. No entanto, você conseguiu clicá-lo como um Ramone. O que pode nos dizer sobre isso?
    GD: Quando Clem apareceu para a primeira foto publicitária, ele estava vestindo uma camiseta com a logo da Chanel. Eu sabia que ele não iria durar. Também não achei que “Elvis” Ramone fosse um bom nome.

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    Foto promocional com Elvis Ramone (1987)

    SC: Qual impacto da morte de três dos membros originais?
    GD: Fico triste quando morre qualquer pessoa que conheço. Johnny e Joey tiveram câncer, o que é trágico. Dee Dee morreu de uma overdose, e isso é estúpido. Joey e eu éramos mais próximos, e sua morte me deixou mais triste. Além disso, Joey continuava gravando e ajudando outras bandas. Johnny simplesmente se aposentou.

    SC: Qual sua relação com os outros Ramones (Marky, CJ, Tommy e Richie)?
    GD: Marky e eu nos falamos vez ou outra. Vejo seus shows quando ele vem para a Europa. Não tenho contato com CJ. Ele deixava o resto da banda falar. Nunca encontrei com Tommy. Richie escreveu ótimas músicas e só queria sua fatia na divisão do dinheiro das camisetas, uma vez que seu nome estava impresso nelas. Acho que Johnny cometeu um grande erro quando negou a Richie sua cota.

    SC: Na sua opinião, por que os Ramones se separaram?
    GD: Bem, Johnny e Joey com certeza tinham dinheiro o bastante. Fizeram uma fortuna com as vendas de camisetas licenciadas. Acho que Johnny estava irritado porque várias bandas que tiveram o caminho preparado pelos Ramones alcançaram um sucesso maior do que os Ramones jamais tiveram. Creio que Johnny pensou que 20 anos eram o bastante. É preciso tempo para gastar o dinheiro que trabalhou tão duro para ganhar.

    SC: Parece que o sucesso veio depois da banda se separar. Você concorda? Por quê?
    GD: Os Ramones se tornaram uma das bandas de rock mais conhecidas do mundo. A mensagem que eles transmitiram através de sua música tocou vários jovens e essas músicas continuam afetando a vida dos jovens hoje.
    A camiseta com a logo dos Ramones é provavelmente a camiseta mais popular do mundo. Acho que a dos Misfits é a segunda mais famosa.
    Recentemente, vi uma reportagem da CNN em que um jovem no Brasil roubou pessoas num ônibus e estuprou uma mulher. Ele não sabia que havia uma câmera de vídeo próxima ao motorista e todo crime foi filmado. O cara estava vestindo uma camiseta dos Ramones…

    SC: Como foi ser tão próximo de um dos maiores nomes do Rock n’ Roll de todos os tempos?
    GD: Não sou influenciado pela reputação das pessoas. Sou influenciado pelo modo com que essas pessoas famosas reagem às pessoas que encontram. Tenho várias histórias sobre superstars bacanas e outros nem tanto, mas essas histórias dariam outro livro.

    SC: Hoje em dia você vive na Alemanha. Continua trabalhando como fotógrafo? Como passa seu tempo?
    GD: A maioria dos alemães que sabem da minha história acha que sou caro demais para trabalhar com eles. Hoje, as gravadoras fazem os artistas trazerem discos e capas prontas. Com câmeras digitais e um computador, qualquer babuíno pode desenhar uma capa.
    Se a capa ajudará a vender ou refletir a música da banda, é outra história.

    SC: Para encerrar, que legado os Ramones deixaram?
    GD: Os Ramones mostraram ao mundo que música não é sempre uma questão de virtuosidade. Força e emoção são as coisas mais importantes que a música pode transmitir. Ao menos no Rock n’ Roll.

    Colaboraram Homero Pivotto Jr e Leo Drumond.

     
  • carames 10:00 em 17/12/2013 Link Permanente | Resposta
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    Entrevista exclusiva com Mickey Leigh, autor de I Slept with Joey Ramone 

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    Mickey Leigh passou pelo país recentemente divulgando a versão em português de seu livro (no Brasil sob o título Eu Dormi Com Joey Ramone – memórias de uma família punk rock). Foi extremamente simpático e atencioso com todos que o procuraram nas sessões de autógrafos organizadas em livrarias de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre (nas fotos abaixo) e Caxias do Sul.

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    Com a agenda lotada dada a repercussão dos eventos em jornais, portais web e programas de tv, restou a este humilde blog tentar realizar a entrevista por e-mail. Fui avisado de cara pela divulgação da editora que demoraria, mas se atendido, minhas perguntas renderiam uma das entrevistas mais amplas mesmo considerando veículos oficiais.

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    eu dormi com joey ramoneEis que a espera compensou: começando por um “isto é tudo por hora, retorno pra você com o restante, eventualmente” Mickey respondeu quase todas as perguntas que eu havia enviado. Deixou de fora poucos pontos, mas respondeu o mais relevante para os fãs da banda.

    Já havia lido sua versão original então tentei evitar perguntas que pudessem comprometer a leitura de quem ainda não conferiu a obra – uma das melhores escritas sobre um ramone e que teve a colaboração de Legs Mcneil (Mate-me Por Favor).

    Da mesma forma que no livro que divulga, Mickey foi direto e fez algumas revelações que, no meu caso, foram novidade. Confira abaixo:

    Sequela Coletiva: Esta é a primeira versão de seu livro em outro idioma? O que os fãs brasileiros irão encontrar?
    Mickey Leigh: Não é a primeira versão em outro idioma. Ele já foi publicado na Finlândia e na França. Eles irão encontrar o mesmo que as pessoas encontraram nestas edições: uma história incrível, inspiradora e de apelo universal.

    SC: Os fãs podem esperar algum tipo de atualização em relação ao livro original lançado em 2009? Algo como os bastidores da produção de …ya know por exemplo?
    ML: Não. Ele não é sobre discos na verdade. É sobre irmãos e familias. Como médicos disseram a um cara problemático que ele nunca seria capaz de ser funcional em sociedade, como sua mãe e seu irmão o estimularam depois disto, e como ele chegou ao ápice.

    SC: Como foi produzir Ya Know? Conte-nos sobre a escolha dos músicos**.
    ML: Eu quis pessoas que eram próximas a Joey, aqueles que colaboraram muitas vezes durante a carreira dele, que todos trabalhassem juntos. Então, consegui reunir todos eles e o resultado foi tal como eu esperava. O resultado é uma jóia.

    SC: A versão que Joey and 22 Jacks fizeram para I’ll be with you tonight do Cheap Tricks é uma canção poderosa. Você considerou incluí-la em um álbum solo de Joey?
    ML: Não em um álbum solo propriamente. Quero fazer um álbum com todas estas colaborações. Acho que há o suficiente para um grande disco.

    SC: No último ano três ex-integrantes (CJ, Marky e Richie) excursionaram pelo Brasil e também vários livros foram lançados em português (Na Estrada com os Ramones, Eu Falo Música, Commando e Eu Dormi com Joey Ramone). Como é o interesse dos fãs dos Ramones nos Estados Unidos e na Europa atualmente?
    ML: Não se compara ao interesse na Argentina e Brasil.

    SC: Tivemos recentemente várias coletâneas e diferentes relançamentos dos discos dos Ramones. Os familiares (de Joey, Johnny e Dee Dee) são consultados a respeito destes lançamentos? Quais são os planos para o futuro relacionado ao legado da banda?
    ML: Somente as famílias de Joey e Johnny são consultadas, já que eles foram os únicos dois membros originais que permaneceram até o fim. Este foi o acordo que Johnny e Joey fizeram com Tommy e Dee Dee.

    SC: Existe alguma chance de descobrir uma canção inédita dos Ramones ou mesmo do Joey?
    ML: Qualquer coisa é possível neste mundo.

    SC: Ao invés de canções dos Ramones, no filme CBGB temos duas músicas da carreira solo de Joey. Você foi envolvido na criação do personagem de Joey ou deu algum tipo de suporte?
    ML: Não, não tive envolvimento com isto.

    SC: O que achou do filme?
    ML: Eles fizeram o melhor que puderam.

    *O crédito pelas fotografias é da própria livraria e podem ser conferidas aqui junto com o restante da cobertura fotográfica do evento.
    ** a lista é grande e de respeito. Participaram do disco Ed Stasium (co-produtor de Leave Home, Rocket to Russia, Road to Ruin, Too Tough to Die e Mondo Bizarro), Daniel Rey (produtor de Halfway to Sanity, ¡Adios Amigos! e vários trabalhos solo pós-Ramones), Jean Beauvoir (produtor de Animal Boy) e músicos como Steven Van Zandt (da E-Street Band, de Bruce Springsteen), Andy Shernoff (ex-the Dictators e parceiro de Joey em músicas como I Won’t Let It Happen, Ignorance Is Bliss e It’s Gonna Be Alright) e Richie Ramone (baterista dos Ramones em três discos de estúdio).
    *** colaboraram Homero Pivotto Jr; César Marcelo Caramês, Luciana Thomé e Allen Nunes.


     
  • carames 11:00 em 23/04/2013 Link Permanente | Resposta
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    Marky Ramone: “Com orgulho de ser Ramone” 

    Marky_Michale_2010bHighRes_288x212Lenda viva do punk rock, o baterista Marky Ramone se apresenta neste sábado, 26, no Manifesto Bar, em São Paulo, com a banda Marky Ramone’s Blitzkrieg, que inclui o vocalista Michael Graves, ex-Misfits. O repertório será composto por clássicos dos Ramones, como I Wanna Be Sedated, mas deve trazer também versões acústicas de canções do Misfits e músicas do primeiro álbum do Marky Ramone’s Blitzkrieg, If and When, lançado em 2011. Ao Estado, Marky antecipa que também deve homenagear Joey Ramone com uma música do álbum solo do cantor, que morreu em 2001.

    “Vamos tocar 35 clássicos dos Ramones e algumas surpresas”, diz, por telefone. Ao falar sobre a participação de Graves na banda, não poupa elogios. “Ele era o cantor, frontman e compositor dos Misfits, e escreveu os discos mais conhecidos da banda. Por isso estou feliz por tê-lo a bordo. Ele conhece as canções (dos Ramones) muito bem, é profissional, mas traz o próprio estilo. Ele não é um clone do Joey (Ramone, vocalista) e eu acho isso muito importante.” Marky confirmou que a banda deve tocar também algumas canções do Misfits escritas por Graves. “Não é um supergrupo, são apenas uns caras se divertindo”, explica.

    Misturando bom humor e acidez, como sempre foi o estilo dos Ramones, Marky aproveita a pergunta para criticar a formação atual dos Misfits, que conta apenas com o guitarrista Jerry Only como membro da formação original. “Eu não considero o Misfits como o Misfits mais, porque só tem um membro (original) no grupo”, diz. “Eu não gosto de chamar a banda pelo nome a não ser que tenha pelo menos dois ou três membros originais. Eu nunca chamaria esta banda de Ramones”, afirma. “Não é justo com os fãs.”

    Ironicamente, Marky não é um membro original dos Ramones, tendo entrado na banda em 1978 no lugar de Tommy Ramone, que formou o grupo ao lado de Joey, Johnny e Dee Dee. Apesar disso, é lembrado por ter sido o baterista que ficou mais tempo no grupo – “cinco vezes mais do que Tommy”, segundo ele – e que esteve presente nos principais discos.

    “Eu fiz 1.700 shows (com os Ramones). Eu gravei dez discos, Tommy gravou três. Olha, nós dois fizemos nosso trabalho direito. Tommy estava cansado das provocações de Johnny e Dee Dee e ele queria deixar o grupo”, diz Marky sobre sua entrada na banda. “Aí, Johnny e Dee Dee me convidaram para participar do grupo. Tommy decidiu que queria produzir e foi isso. Ele nem quer mais ser chamado de Tommy Ramone, agora quer ser chamado de Uncle Monk. Eu respeito isso, mas você tem que se lembrar de onde veio também”, concluiu ele.

    Questionado sobre os problemas de relacionamento entre Joey e Johnny, o roqueiro admitiu que existia um clima muito ruim na banda, mas ressaltou que, no palco, todos deixavam os problemas de lado. “Johnny não gostava do fato que Joey era um liberal, um democrata, e Joey não gostava de Johnny porque ele era um ultra conservador, apoiador da Associação Nacional de Rifles (NRA, organização que defende o direito ao porte de armas nos EUA). Eles não gostavam um do outro desde o início.”

    Para Marky, as brigas entre Johnny e Joey foram o fator que motivou a saída de Dee Dee da banda. “Quando as pessoas não conversam e você fica em uma van por oito, dez horas, e você sabe que tem dois caras no grupo que estão prontos para matar um ao outro, não é uma boa sensação. Num dia eu ia conversar com o Joey, e o Johnny me puxava de lado e dizia: ‘E então, hoje você é amigo dele?’ (risos). E a mesma coisa com o Johnny. E eu dizia para os dois: ‘Eu amo vocês como irmãos e não vou tomar lados’”, conta. “Os Ramones eram uma grande banda, mas o que vinha junto, as discussões e as brigas, eram algo que você tinha que aguentar.”

    As histórias de Marky sobre os Ramones e a cena punk serão contadas em um livro que o baterista está preparando e planeja lançar em 2014. “Eu estou escrevendo por minha conta”, explicou. “Estive trabalhando nele pelos últimos dois anos.”

    Desarmado. Um dos momentos marcantes da carreira dos Ramones foram as gravações do disco End of the Century, de 1979, sob o comando do lendário produtor Phil Spector, famoso tanto pelo talento como pelo gênio difícil e pelo fascínio por armas de fogo. Marky diz que pretende desmentir no livro a história segundo a qual Phil teria apontado uma arma para os Ramones dentro do estúdio. “É uma grande mentira”, disse. “Eu estava lá o tempo inteiro e não sei quem inventou essa história mentirosa. Phil não era nenhum anjo, mas o estúdio era o estúdio, sabe?”

    Ele relembra a história sobre a briga entre Phil e Johnny durante a gravação do clássico Rock ‘n’ Roll High School. “(Phil) era o produtor. Não havia razão para Johnny ficar irritado com o produtor, porque ele estava tentando registrar um som de sua guitarra. John teve que tocar o primeiro acorde de Rock ‘n’ Roll High School umas 40, 50 vezes. E daí? Se você está trabalhando com o maior produtor do rock, você tem que ouvi-lo. Você não deve ficar discutindo. No meio tempo, Phil conseguiu o som que ele queria.”

    Marky conta que Johnny acreditou que os pedidos de Phil para que ele repetisse o acorde tinham a intenção de irritá-lo. “Eles se confrontaram e John disse: ‘Phil, o que você vai fazer? Atirar em mim?’. Mas isso não quer dizer que Phil tinha apontado uma arma pra ele. John sabia que Phil tinha armas com ele e tinha medo dele.”

    Durante as gravações, Marky se tornou amigo de Phil Spector e manteve a amizade até ele ir para a cadeia, em 2009. Atualmente, Spector cumpre pena de 19 anos de prisão nos Estados Unidos pela morte da atriz Lana Clarkson, em 2003. Em sua defesa, o produtor alegou que a arma que matou Lana teria disparado acidentalmente.

    Marky diz que as histórias sobre o comportamento errático de Spector com armas de fogo criaram um precedente muito negativo aos olhos da Justiça. “Ele tirava a arma e apontava para as pessoas. Quando as testemunhas foram na Corte, elas disseram: ‘Sim, ele apontou uma arma contra mim’. Então, você começa a imaginar que ele realmente matou a garota, né? Mas foi um acidente.” Marky defende o amigo e conta que ele estava presente no julgamento e ficou estarrecido com a sentença. “Mas o que você pode fazer? Não dá pra discutir com o sistema.”

    Relançamento. Antes de ser conhecido como Marky Ramone, Mark Bell, verdadeiro nome do baterista, tocou com a banda punk Voidoids, ao lado do cantor Richard Hell, do Television. Mas, antes disso, ele fazia parte do Dust, considerado um dos primeiros grupos de heavy metal norte-americanos. “Em 1970, não havia bandas de heavy metal na América”, relembra Marky. Ele conta que era tão jovem na época que era obrigado a levar seus pais para os shows porque os locais onde a banda se apresentava serviam bebidas alcoólicas. “Johnny, Joey e Dee Dee estavam na plateia assistindo o Dust, assim como membros dos New York Dolls, antes de começarem os seus grupos”, ele relembra.

    Durante sua curta existência, entre 1969 e 1972, o Dust gravou apenas dois discos, Dust (1971) e Karma (1972), que serão relançados em abril deste ano em versão remasterizada. “Até os punks gostam desses discos”, afirma Marky, que participou da remasterização. O guitarrista do grupo, Richie Wise, mais tarde iria produzir os dois primeiros discos do Kiss, e o baixista, Kenny Aaronson, se tornaria um músico de relativo sucesso, gravando com nomes como Joan Jett e Blue Öyster Cult.

    Post original do Estadão.

     
  • carames 11:00 em 09/04/2013 Link Permanente | Resposta
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    Entrevista Exclusiva: Richie Ramone 


    Richie Ramone foi um dos músicos que passaram pelo Ramones e tem a honra de carregar o “sobrenome” dado aos que empunharam algum dos instrumentos de um dos grupos mais importantes da história.

    No caso de Richie, ele empunhou as baquetas da banda nos álbuns Too Tough To Die, Halfway To Sanity Animal Boy, mas destacou-se não apenas por isso, e sim por ter sido o único baterista da banda a compor sozinho sons do grupo, como as importantes“Somebody Put Something In My Drink” “I’m Not Jesus”.

    Conversamos com o cara sobre suas experiências nos Ramones, carreira solo, punk rock e mais.

    Confira logo abaixo!

    * ENGLISH version is on Page 2

    Entrevista por Gustavo Dias Cruzeiro

    RICHIE RAMONE

    TMDQA!: Considerando que os Ramones chegaram ao pico de popularidade durante os anos na atividade depois que você saiu da banda, sabendo da importância de discos como Halfway To Sanity e Adiós Amigos!, ouvir falar dos shows enormes em estádios na América do Sul, você se arrepende de ter deixado o grupo?
    Richie Ramone: Eu acho que a banda chegou ao auge durante a minha era. Depois de “Halfway To Sanity”, a Sire mandou a banda embora e um ano depois Dee Dee saiu. “Too Tough To Die” foi um álbum que trouxe de volta o som agressivo e cru do qual o Ramones tinha se afastado há um tempo.

    TMDQA!: Johnny Ramone disse uma vez, “eu acho que as pessoas gostam mais de você quando você morre”, se referindo ao fato de que os Ramones chegaram ao auge de seu reconhecimento e popularidade depois de ter parado. Falando sobre o peso que se carrega ao ter o “sobrenome” Ramone, você tinha ideia de como a banda ficaria tão grande quando estava na banda?
    Richie Ramone: O Ramones era uma banda grande quando entrei em 1983 e sim, é esquisito como eles ficaram tão grandes após a morte de três membros originais. Essa banda foi icônica com um poder impressionante que continua atravessando gerações.

    TMDQA!: Em 1987 os Ramones vieram para a América do Sul pela primeira vez com você na bateria. Quais são suas lembranças dessa turnê?
    Richie: Os fãs eram muito intensos e a comida maravilhosa. A América do Sul nos trata como realeza. Me parece um bom lugar para me aposentar, huh?

    TMDQA!: Você já disse em várias entrevistas que era próximo a Joey. Como era seu relacionamento com ele?
    Richie: Joey e eu saímos todas as noites durante cinco anos no east village em Nova York passando o tempo em nossa bar favorito, Paul’s Lounge. Joey foi uma grande inspiração para mim em vários sentidos e eu sinto muita falta dele.

    TMDQA!: Há alguma história interessante/engraçada que tenha acontecido durante seu tempo com os Ramones?
    Richie: Para mim, a coisa mais interessante é como essa banda detonava toda vez que tocávamos. Não importa o que estivesse acontecendo entre nós pessoalmente, ou como estávamos nos sentindo no dia, nós sempre demos aos fãs um espetáculo que valia o ingresso. Eles vinham para fazer festa e nós enchíamos seus copos.

    TMDQA!: Nós sabemos que após sua saída da banda você se afastou do grupo e da indústria da música e entrou para a indústria da hotelaria, e agora você tem carregado o legado do Ramones em grande estilo. Como tudo tem sido nos dias de hoje?
    Richie: Estou me divertindo muito. E com meu primeiro álbum prestes a ser lançado, as coisas vão ficar realmente divertidas. A primeira coisa a se lembrar é que você deve ser leal a seus fãs e verdadeiro consigo mesmo porque você tem que ter uma paixão dentro de si ao compor. Isso deixou de existir em mim durante um período, então tive que mudar minha vida.

    TMDQA!: Como é seu relacionamento com os outros Ramones: Tommy, CJ, Marky e até mesmo Elvis (Clem Burke)?
    Richie: Eu falo com Tommy às vezes e o vi no Joey Ramone Bash várias vezes. Clem vive em Los Angeles, então o vejo ocasionalmente em diferentes eventos e vamos mantendo contato. Conheci CJ no último Verão em Nashville e tocamos uma música juntos. Ele parece ser um cara com os pés no chão.

    TMDQA!: Pois é, no último mês de Julho você fez uma jam histórica com CJ Ramone em Nashville. Qual é a probabilidade de vê-los juntos novamente? Ou até mesmo com outros Ramones? Os fãs da América do Sul ficariam loucos com uma turnê tendo você, CJ, Tommy, Marky, Daniel Rev e até mesmo Mickey Leigh.
    Richie: Todo mundo está ocupado com seus próprios projetos. Você nunca sabe o que pode acontecer, mas eu duvido que reunir todos nós em  uma turnê seja possível.

    TMDQA!: Alguns grandes artistas já gravaram ou tocaram músicas compostas por você, como o Children Of Bodom, que tocou “Somebody Put Something In My Drink” e até mesmo os bem respeitados e adorados brasileiros de Sepultura e Ratos de Porão que já fizeram uma jam com “I’m Not Jesus”. O que você acha de outros grupos tocando suas músicas? Você tem alguma versão favorita?
    Richie: A maior recompensa para um compositor vem quando outra banda faz sua versão para uma música sua. Eu adoro ouvir todas as versões diferentes e ver como as letras são interpretadas. Duas das minhas versões favoritas são a do Behemoth para “I’m Not Jesus” e “Somebody Put Something In My Drink” por Daan.

    TMDQA!: Em 2011 você tocou na Inglaterra com as meninas da banda de covers The Ramonas. Como foi essa experiência? Dá pra dizer pelos vídeos do YouTube que foi uma grande noite e os resultados foram fantásticos. Aqui no Brasil temos várias bandas de cover de Ramones que morreriam para tocar com vocês. Algumas femininas como a banda Ramona, de Curitiba.
    Richie: Eu estava em Dublin, na Irlanda, gravando um disco com os Gobshites e a uma hora de distância da Inglaterra. Eu vi um vídeo das Ramonas e entrei em contato para fazer um show porque eu estava muito perto de Londres. Foi muito divertido e as meninas sabem fazer rock. Eu recebo muitos convites para tocar em bandas de covers, mas eu acho difícil fazer um show tocando todos os clássicos do Ramones sem meus irmãos que já se foram. Emocionalmente é muito difícil.

    TMDQA!: Você é um baterista bastante versátil com um currículo impressionante, tendo até mesmo liderado uma orquestra sinfônica. Muitos consideram você o melhor baterista que já tocou com os Ramones e até mesmo o melhor músico em geral, porque além de tocar bateria você compunha músicas e cantava. É fácil tocar punk rock?
    Richie: O punk rock exige muita energia e você tem que manter a condição física para tocar com agressividade. Algumas pessoas acham que é fácil, mas para fazê-lo com sentimento e convicção, você precisa estar bem com sua mente e sua alma.

    TMDQA!: Uma guitarra Mosrite com a sua assinatura foi lançada recentemente. Como surgiu essa ideia?
    Richie: A Mosrite entrou em contato comigo para lançar um modelo de assinatura já que componho todas as minhas músicas na guitarra. Elas são feitas à mão nos Estados Unidos e fáceis de tocar. Ah, e elas também são leves e não desgastam seus ombros.

    Richie Ramone e as guitarras Mosrite

    TMDQA!: Quais são suas músicas favoritas dos Ramones? Você tem uma preferida pra tocar?
    Richie: Essa é uma pergunta impossível de responder porque há muitas músicas boas e todas são muito divertidas de tocar.

    TMDQA!: Em sua opinião, em 2013, o punk rock ainda existe?
    Richie: Sim, mas não da mesma forma. No final dos anos 70 até o meio dos anos 80 o punk rock era um modo de vida. Você fazia o que queria, dizia o que estava em sua cabeça e não se importava com quem você ofendia. Hoje o punk rock parece um pouco mais manso e corporativo mas isso acontece com toda a indústria. As coisas estão mudando na indústria da música, goste ou não. Como eu disse anteriormente, apenas seja verdadeiro consigo e as coisas irão funcionar.

    TMDQA!: O que você tem ouvido ultimamente? Há alguma banda que você queira recomendar para os leitores?
    Richie: Eu ouço todos os tipos de música, então não fico restrito a apenas um. Se você ouve apenas um tipo de música, isso irá afetar suas canções porque você vai querer soar como aquilo. Eu gosto de ouvir todos os estilos de música, digeri-los e deixá-los sair de forma natural sem ser influenciado.

    TMDQA!: Nos conte um pouco mais sobre os músicos em sua banda: Tommy olan, Jiro Okabe e Ben Reagan.
    Richie: O que eu posso dizer é que eles são grande caras para se andar junto. Eeles tocam as minhas músicas com determinação e também são divertidos. Tommy tem seu próprio estilo na guitarra e toca como se fosse seu último dia na Terra.Jiro é do Japão e mantém a base com seu estilo pesado de tocar baixo. Ben Wah toca guitarra base e também a bateria, então posso liderar a banda em algumas músicas. Todos eles trabalham muito duro e dão aos fãs um grande momento para se lembrar.

    TMDQA!: Sua banda planeja lançar um novo disco esse ano chamado Entitled.Conte mais sobre esse projeto. Vocês estão planejando uma turnê para divulgar o álbum? Podemos esperá-los no Brasil esse ano?
    Richie: Sim para tudo. Nós iremos fazer uma turnê mundial para divulgar o álbum assim que ele for lançado. Estamos conversando com gravadoras agora e anunciaremos a data de lançamento logo, e obviamente voltamos ao Brasil ainda esse ano.

    TMDQA!: Você tem mais discos que amigos?
    Richie: Tenho muito mais amigos que discos porque considero todos os meus fãs meus amigos. Quando estamos em turnê, isso é o que eu sinto.

    TMDQA!: Obrigado pela entrevista, Richie Ramone. Estamos ansiosos pelo seu novo disco e shows aqui no Brasil, onde você sempre será bem vindo.
    Richie: Obrigado, nos vemos logo. Paz.

    Postado em TMDQA.

     
  • carames 10:00 em 12/03/2013 Link Permanente | Resposta
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    Marky Ramone: CJ não é um Ramone, diz baterista para o Lokaos 

    Imagem

    Dani Buarque entrevistou o eterno baterista dos Ramones para o Lokaos Rock Show, confira o vídeo:

    Gravação e edição: Rafael Pacheco
    Pauta: Edu Rox e Bento Mello
    Direção: Renato Viliegas
    Agradecimentos: Hotel Paulista Wall Street e Manifesto Bar

    Fonte: Whiplash

     
  • carames 11:00 em 05/03/2013 Link Permanente | Resposta
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    Confira entrevista dos Ramones em 1978 para PBS 

    Em 21 de janeiro de 1978 os Ramones se apresentaram no State Theatre em Minneapolis. A filmagem abaixo foi feita para o programa Wylde Rice do canal PBS. Entrevistada nos bastidores do show, a banda fala da cena punk na Inglaterra, a mistura do punk com política e a violência nos shows.

    Eles mandaram ver, entre outras, Rockaway Beach, California Sun e, claro, Blitzkrieg Bop. A abertura ficou por conta das garotas do Runaways.

     
  • carames 11:00 em 08/01/2013 Link Permanente | Resposta
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    Marky Ramone muito além dos Ramones 

    Em meados da década de setenta os Ramones viraram o rock de ponta cabeça com suas canções curtas, batida reta, muralha de guitarras e refrões pegajosos. Era o antídoto perfeito para o rock megalômano e o pop insosso que dominavam o cenário musical. Apesar do sucesso comercial modesto, a influência do quarteto novaiorquino se espalhou pelos quatro cantos do mundo.

    Esta revolução teria sido mais difícil sem a ajuda de Marc Bell. Mais conhecido como Marky Ramone, o baterista se juntou aos Ramones em 1978, vindo a fazer parte da formação mais duradoura da banda e gravando álbuns clássicos como “Road To Ruin”, “End Of The Century” e “Pleasant Dreams”.

    Mas sua carreira e personalidade vai muito além disso. Ainda na adolescência, gravou dois álbuns com uma banda pioneira do heavy metal, o Dust. Mais adiante tocou com Richard Hell, um dos personagens mais importantes do início do punk rock e nos anos 80 viu seu estilo de tocar influenciar o surgimento do hardcore e do thrash metal.

    Pensando em tudo isso, entrevistamos Marky tendo como foco sua própria carreira e impressões e evitando perguntas genéricas sobre os Ramones. No que logo se tornou um bate-papo informal, o baterista, que passava por São Paulo com sua banda Blitzkrieg, contou tudo sobre sua trajetória, sem deixar de lado o grupo com quem fez fama e fortuna.

    A formação clássica dos Ramones com Dee Dee, Marky, Johnny e Joey em foto de 1978

    Como foi seu início na música? Quais foram suas influências no início?

    Nasci em 1956, tinha 14 anos quando os anos 60 acabaram. Então, basicamente, sou um filho da década de 70. Mas sempre gostei de música dos anos 40, 50, 60, 70 até hoje. Gosto de Frank Sinatra, Elvis, Little Richard, Chuck Berry, Ronettes, Alice Cooper, David Bowie, Stones, The Who, Kinks…

    Quando eu discoteco, toco garage rock dos anos 60, punk rock como Clash e Sex Pistols, soul como Marvin Gaye, Wilson Pickett, James Brown. Gosto de muitos tipos de música diferentes.

    Muita gente não sabe que sua carreira vai muito além dos Ramones. Já na adolescência você lancou dois álbuns com o Dust (“Dust”, de 1971 e “Hard Attack”, de 1972).

    Sim, eu tinha 16 anos, ainda estava no ensino médio. Nós éramos amigos do bairro, no Brooklyn.

    Fizemos dois álbuns e fomos uma das primeiras bandas de heavy metal dos EUA. Os álbuns são muito bons. O livro “The Heavy Metal Almanac” colocou uma das músicas do primeiro no Top 10 de todos os tempos.

    Mas banda não estourou porque éramos jovens demais para sair em turnê. Nos EUA você precisa ter 21 anos para beber e nós tínhamos 16, então não podíamos entrar em lugares que serviam álcool sem um adulto responsável acompanhando, o que impossibilitava muitos shows. A banda acabou porque precisamos nos formar na escola.

    Depois disso tudo, o guitarrista, Richie Wise acabou produzindo os primeiros dois discos do Kiss, aos 19 anos de idade.

    Na virada dos anos 60 para os 70, a maior parte do rock pesado estava vindo da Inglaterra. O que vocês estavam ouvindo para fazer um som desse tipo nos EUA?

    É verdade. No metal, a Inglaterra estava mais ou menos um ano à frente dos EUA. No punk, nos chegamos dois anos antes… Mas enfim, eu era fã do Keith Moon (The Who), Ginger Baker (Cream), Buddy Rich (baterista de jazz), Mitch Mitchell (Jimi Hendrix Experience), Al Blaine (baterista de studio do produtor Phil Spector) e o John Bonham do Led Zeppelin, é claro. Se você juntar isso tudo, é o som que eu fazia.

    Muitas vezes, quando fazíamos uma música nova, nem sabíamos que era algo parecido com o que essas bandas estavam fazendo. O Black Sabbath apareceu em 1970 e foi a primeira banda heavy metal de verdade. Muitas bandas tocavam um blues rock mais pesado, mas eles criaram uma sonoridade própria.

    Havia outras bandas pioneiras do heavy metal nos EUA, mas a maioria não era de Nova York e tínhamos a nossa própria cena ali, mas a molecada não tinha idade para entrar nos clubes, eles eram ainda mais novos do que nós. Nosso maior problema era com a lei. O próprio metal só tinha um ano de idade da época!

    Hoje em dia todo mundo quer uma reunião do Dust.

    Você toparia?

    Depende da quantidade de ensaios que nós poderíamos fazer e da vontade dos outros caras. Teria que ser feito corretamente. Mas estou a fim sim, gosto de tocar esse tipo de música, porque posso me soltar.

    O Dust no início da década de 1970. Marky é o último à direita.

    Você sentia saudades de se soltar assim quando tocava com os Ramones?

    Não, porque era algo totalmente diferente. Era um groove, batida 4 por 4, que eu gosto também. Como o Ringo Starr.

    O que os ex-integrantes do Dust estão fazendo hoje? Você manteve contato?

    Sim, o Kenny Aaronson (baixista) tocou com Bob Dylan, Joan Jett, Billy Idol e muitos outros. O Richie Wise (guitarrista) ganhou tanto dinheiro com os discos do Kiss que se aposentou e vive na Califórnia hoje em dia. Está todo mundo bem hoje em dia.

    O próximo trabalho de destaque que você teve foi com o Richard Hell & The Voidoids, já em 1976/77. O que você fez nesse meio tempo?

    Fiz um álbum com o Andrew Oldham, ex-empresário dos Rolling Stones. Em 1973 ele me chamou para gravar com uma banda de hard rock meio country do Missouri, o Estus. Topei porque ele sairia pela Columbia e seria produzido pelo Andrew, que foi quem fez “Satisfaction”, “Get Off My Cloud” e outros clássicos dos Stones. Mas eles queriam que eu me mudasse para o Missouri e eu queria ficar em Nova York, porque a cena nova-iorquina estava começando a acontecer.

    Depois disso, comecei a andar nessa cena, em clubes como Max’s Kansas City e CBGB’s e foi onde eu conheci o Wayne County (pioneiro punk transexual, conhecido depois como Jayne County). Nós formamos o Wayne County & The Backstreet Boys e começamos a tocar pela cidade. Só gravamos demos juntos. Quando o Wayne gravou um disco próprio já estava com outra banda de apoio, o Electric Chairs.

    Nessa altura, o Richard Hell já estava formando os Voidoids.

    Isso, ele tinha saído dos Heartbreakers (banda do ex-New York Dolls Johnny Thunders) e estava afim de formar um grupo novo. Todo mundo se conhecia na época e ele me chamou no Max’s Kansas City. Começamos a ensaiar e gravamos o EP “Blank Generation”, que esgotou em duas semanas. Assinamos com a Sire, que era a gravadora dos Ramones, Talking Heads e Dead Boys e lançamos o primeiro álbum.

    Saímos numa turnê de 5 semanas com o The Clash na Inglaterra em 1977. Os punks ingleses amavam o Richard Hell, porque sabíamos que ele era o criador do visual punk. O Malcolm McLaren (empresário dos Sex Pistols) havia visto ele em Nova York com o cabelo arrepiado e as roupas rasgadas e vestiu os Sex Pistols assim.

    Os Heartbreakers, os New York Dolls e a maioria das primeiras bandas da cena punk de Nova York tocavam um som mais calcado no rock and roll básico, enquanto os Voidoids eram mais inovadores, mais parecidos com o que viria a ser o pós-punk. De onde veio essa sonoridade tão distinta dos demais?

    Bem, nós gostávamos de Jazz, o (guitarrista) Bob Quine e eu principalmente. Curtíamos mudanças repentinas de tempo, éramos melhores musicalmente do que a maioria das pessoas na cena de Nova York da época. Conseguíamos sair daquele modelo 4 por 4. “Blank Generation” era uma música meio jazz/swing (imita a batida típica do estilo).

    A base é a mesma de “Minnie The Moocher” do Cab Calloway.

    Exato, é nessa pegada. E “16 Tons” também, do Tennessee Ernie Ford. Você mistura isso com o punk e tem Blank Generation.

    Richard Hell & The Voidoids em 1977

    Como era trabalhar com um personagem legendário como o Richard Hell?

    Nós éramos gente diferente. Ele vinha do Kentucky, no sul dos EUA, não era de Nova York. Era um tipo intelectual, boêmio, beatnik, punk. Eu sou um cara do Brooklyn, NY. Ele gostava de heroína, eu gostava de bebida. Rolava um conflito. Independente disso, nos dávamos bem musicalmente .

    Mas depois de um ano e meio, depois da turnê com o Clash, eu saí da banda. Estava na hora. Queria continuar fazendo turnês e ele não e foi aí que o Dee Dee Ramone me chamou para conversar. Os Ramones vinham sempre nos ver. O Tommy (baterista original dos Ramones) não estava se dando bem com eles, sofria muito bullying, pegavam no pé dele, então resolveu sair. Isso foi no início de 1978.

    Como foi para você, um músico bastante competente e técnico, substituir alguém que na realidade nem baterista era e só começou a tocar quando entrou na banda?

    Foi fácil (risos)! O estilo dele (Tommy Ramone) era bem básico. Não precisei mudar muita coisa, só comecei a tocar as músicas do jeito que elas deveriam ter sido tocadas desde o início. Meu estilo apareceu em coisas que eu criei, como a batida de “I Wanna Be Sedated” e as introduções de “Rock and Roll Radio” e “Rock and Roll High School”.

    Voltando ao lado mais intelectual da cena de Nova York, no início da coisa bandas mais complexas como Television e Talking Heads eram considerados parte do punk rock. Depois, o nome passou a ser sinônimo apenas do estilo mais próximo ao do Ramones. Você concorda com essa limitação?

    Essas bandas foram rotuladas assim, mas uma banda punk deveria ter a energia no som ou o conteúdo nas letras. Os Ramones tinham as duas coisas. As bandas punks intelectuais/boêmias eram mais como um “peido mental”, música cerebral para universitários. Nós queríamos que todo mundo curtisse a gente, mas principalmente a juventude, o moleque comum das ruas.

    Depois de entrar nos Ramones, você começou a tocar cada vez mais rápido, até que uns dois anos depois surgiu uma nova cena punk, o hardcore e uns anos depois veio o thrash metal. Você sente que isso se deve, em parte, ao seu estilo de tocar?

    Claro que sim! Não havia mais ninguém tocando como nós. Então eles pegavam o que a gente fazia e tentavam acelerar. Mas quando você ouve essas bandas você não entende o que eles estão dizendo, é rápido demais para o meu gosto. E a batida é diferente, eles não conseguiam tocar o 4 por 4 naquela velocidade como os Ramones, então  dobravam o ritmo e tocavam 2 por 2, como uma polka russa ou polonesa. Isso é fácil, difícil é tocar Ramones durante uma hora e 15 minutos.

    Eu e o Johnny Ramone tivemos uma discussão sobre tocar mais rápido por causa dessas bandas de hardcore e speed metal que estavam aparecendo. Eu disse “John, nós já tocamos rápido o suficiente, a garotada gosta, não vamos destruir o groove da música”. E ele respondeu “não, vamos tocar mais rápido”. Ele pensava que se eles achavam que podiam tocar mais rápido do que nós, nós íamos mostrar que podíamos tocar mais rápido do que eles. Mas eu discordava, acho que deveríamos ter continuado na mesma velocidade de antes.

    Na verdade, nós gostávamos dessas bandas, desde o Black Flag até coisas mais novas como Anti-Flag e gosto do fato deles estarem mantendo a música punk viva. Mas no fim das contas, o que conta são as canções. E essas bandas não tinham canções como as nossas. Que músicas você conhece que continuam com a mesma força 35 anos depois, como as nossas?

    Os ex-Ramones Dee Dee, Johnny, Tommy e Marky na cerimônia do Rock And Roll Hall of Fame em 2002

    Você tinha algum segredo para conseguir tocar a batida dos Ramones durante tanto tempo? É bem difícil fisicamente, principalmente bebendo e fazendo turnês, que é algo cansativo.

    Sempre toquei no mínimo três vezes por semana, mesmo antes de entrar nos Ramones. Sempre fiz exercício, corri, lutei boxe… Nunca fumei cigarro e nunca usei drogas pesadas. Tive minha fase de bebedeira, mas me cuidei, no geral.

    Quem você sente que foi precursor da batida dos Ramones?

    Ninguém exatamente, mas em parte o Ringo Starr e o Dave Clark, do Dave Clark Five, que é meu amigo. Amo ele!  Esses caras eram bateristas básicas que ficavam presos à batida. O Hal Blaine também, que gravou com as Ronettes e a maioria das produções do Phil Spector e foi o músico que tocou em mais hits em todos os tempos.

    Você saiu dos Ramones em 1983 e voltou em 1987. O que você fez neste meio tempo?

    Resolvi dar um tempo, porque a bebida estava me afetando. O Dee Dee estava usando heroína, eu bebia e estava na hora de decidir o que era mais importante.

    Enquanto estive fora, toquei com o Richie Stotts dos Plasmatics numa banda chamada King Flux. Era um som bem direto, punk-metal. O baixista era o irmão do estilista Tommy Hilfiger, Andy Hilfiger. Quase assinamos com a Elektra Records, mas alguma coisa aconteceu entre o Richie e o Andy e não rolou. Logo em seguida me chamaram de volta para os Ramones. Eu sentia que devia algo a eles e aceitei.

    O Ritchie Ramone, que me substituiu, desertou  sem nem dizer para os demais que estava saindo. Quando voltei para a banda, tive que ouvir essa história por um ano. Mas ele era um músico contratado, assim como o (baixista) CJ. Tanto é que eu voltei logo que melhorei.

    O CJ ficou sete anos na banda, mas nós sempre achamos que o Dee Dee iria voltar, mas ele nunca voltou. Chamamos ele algumas vezes e fizemos uma reunião, mas ele queria fazer o lance dele e nós mantivemos o CJ até o final.

    Na sua carreira solo você sente pressão para repetir a fórmula dos Ramones?

    Me sinto livre para fazer coisas diferentes, mas você sempre tem que se lembrar de onde veio. Não posso me esquecer que sou conhecido como o baterista dos Ramones e tenho que tocar algo com alguma similaridade. Sem copiar, mas mantendo a batida.

    O pessoal que toca comigo sempre é fã dos Ramones. Não precisam ser fanáticos, mas têm que ter algum conhecimento. Tocamos 33 músicas dos Ramones no show e já fizemos 3 turnês mundiais fantásticas. Crianças vêm ao show com os pais, é muito estranho.

    Você já deve ter respondido isso mil vezes, mas qual é o apelo dos Ramones na América do Sul? Por que, na sua opinião, vocês eram maiores aqui do que nos EUA?

    Acho que as pessoas se identificam com as letras, com a energia da música e com a nossa imagem. Na verdade, nós somos maiores nos EUA hoje do que quando a banda estava junta. Tocamos no Lollapalooza, fizemos várias turnês, mas acho que estávamos à frente do nosso tempo. Só fomos reconhecidos na América na dácada de 90. “I Wanna Be Sedated” e “Blitzkrieg Bop” venderam milhões de cópias… antes tarde do que nunca.

    E quais são os planos para o futuro?

    Meu livro sai em 2013. Li todos os livros sobre os Ramones, vi todas as baboseiras e exageros que escreveram sobre nós e vou esclarecer tudo. O livro do Dee Dee em grande parte é ficção, o irmão do Joey escreveu um livro mas ninguém quer saber sobre a vida dele, querem ouvir sobre o Joey. E o Johnny lançou um livro que na verdade foi escrito pela mulher dele. Ele estava doente demais para fazer qualquer coisa, então deve ter escrito os primeiros capítulos, mas morreu logo depois. Meu livro vai contar toda a verdade e nada além da verdade.

    Falando nisso havia muita animosidade entre os Ramones, especialmente Joey e Johnny (por causa de uma mulher). Mas você parecia se dar razoavelmente bem com todo mundo.

    É verdade. Eu sempre tentava reuní-los, fazê-los rir, promover a paz e a amizade entre eles. Mas era difícil. Quando o Joey estava no hospital eu liguei para o Johnny e disse que ele tinha que vir fazer uma visita. O Johnny disse “não me importo, não gosto dele, não vou me dar o trabalho de ir até aí”.

    Até que o Joey morreu, logo depois disso. Foi aí que o Johnny ficou doente. Na minha opinião a mágoa que um tinha pelo outro foi o que causou o câncer deles. Eu sempre acreditei nisso. Quando você tem pensamentos negativos por alguém isso te devora. Foi por isso que eles morreram cedo. Amo os dois e sinto muitas saudades deles, eram meus irmãos. Fizemos 1700 shows juntos, 10 álbuns de estúdio. Fazem muita falta.

    Post original aqui.

     
  • carames 10:55 em 18/12/2012 Link Permanente | Resposta
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    Frente a frente com Dee Dee Ramone 

    https://i0.wp.com/andrebarcinski.blogfolha.uol.com.br/files/2012/11/deedee.jpg
    Em meados dos anos 90, me envolvi num projeto com os Ramones. Seria um filme sobre a turnê de despedida da banda, que passaria inclusive pela América do Sul.

    A idéia era filmar todos os shows e entrevistar fãs, amigos e ex-integrantes.

    Isso me levou a Dee Dee Ramone. Na época, ele morava entre a Europa, Argentina (sua mulher, Barbara, era de lá) e o mítico Hotel Chelsea, em Nova York. Foi no Chelsea que o encontrei pela primeira vez para falar do projeto.

    O Chelsea é um lendário antro de depravação nova-iorquino, habitado há décadas por artistas e malucos em geral. Foi lá que Sid Vicious  matou Nancy (ou não, como veremos a seguir…) William Burroughs, Leonard Cohen e Jim Carroll moraram no hotel, o que dá uma boa idéia do clima geral.

    Eu nunca tinha entrado no Chelsea.E a primeira coisa que me impressionou foi a sujeira. O hotel era, literalmente, um pulgueiro. Só que as suítes custavam  400 dólares por noite, que os turistas idiotas pagavam só para viver sua noite de Johnny Thunders…

    O quarto de Dee Dee e Barbara deveria estar competindo em algum torneio de lugar mais desarrumado do planeta. Parecia que um furacão havia passado. Roupas, discos e todo tipo de utensílios estavam espalhados. A bagunça era tanta que, quando Dee Dee pediu comida chinesa, tivemos de sentar no chão para almoçar.

    Se Joey era a consciência dos Ramones, Dee Dee era o porra louca. Ele era o verdadeiro gênio por trás de tudo. Só que não sabia disso.

    Ex-michê, ex-delinquente, ex-assaltante, ex-heroinômano (ex? será?), e um dos sujeitos mais instintivamente brilhantes que já conheci. Era praticamente analfabeto e mal conseguia juntar duas frases, mas escreveu letras autobiográficas de um minimalismo poderoso e atordoante, como “53rd and 3rd”.

    Nesse dia, descobri outra coisa sobre Dee Dee. Não sei se era alguma doença ou resultado de alguma medicação, mas o fato é que ele sofria de um grave déficit de atenção. Ele simplesmente não conseguia se concentrar em nada por mais de cinco minutos.

    Dee Dee chegava ao cúmulo de parar frases no meio, ficar em silêncio por alguns segundos e depois emendar outro assunto, sem ter terminado o anterior. Digamos que clareza não era o seu forte. Conversar com ele, especialmente para um jornalista, era enlouquecedor.

    Certa hora, começamos a conversar sobre o Chelsea, e eu comentei como era impressionante a quantidade de pessoas que vinham todo dia ao hotel pedindo para ficar no quarto onde Sid matara Nancy (só de curiosidade, o quarto não existe mais).

    “O quê? Sid matou Nancy? De onde você tirou isso?”, disse Dee Dee. “Todo mundo sabe que não foi isso que aconteceu!”

    Seria esse o furo jornalístico do fim de século? Dee Dee revelaria ao mundo o nome do verdadeiro assassino?

    “E quem foi, Dee Dee?”

    “Porra, foi aquele traficante que vendia heroína pra Nancy… Como é o nome dele… Fuck…Daqui a pouco eu lembro o nome do cara!”.

    Foi a última vez que ele tocou no assunto.

    Conversamos por pelo menos duas horas. Dee Dee contou algumas histórias sensacionais.

    Falou do fracassado projeto que juntaria em Paris ele, Stiv Bators (Dead Boys) e Johnny Thunders – algo como a santíssima trindade da heroína.

    Depois, contou em detalhes a morte de Stiv.  Segundo Dee Dee, Stiv foi atropelado por um táxi, mas estava tão entorpecido de heroína que simplesmente foi andando de volta para casa. Quando os amigos perceberam que ele estava muito mal, o levaram a um hospital, de onde saiu sem avisar e acabou morrendo de hemorragia interna.

    Depois, Dee Dee confirmou a lenda de que teria sido despedido dos Ramones depois de roubar o caminhão da banda e vender todo o equipamento.

    Eu tinha um compromisso e precisei me despedir. Dee Dee me convidou para encontrá-lo dali a algumas horas numa galeria de arte no Lower East Side, que iria abrir uma exposição de fotos da época do CBGB’s.

    Fui para casa, empolgado com a chance de finalmente conhecer Dee Dee Ramone.

    Algumas horas depois, cheguei à tal galeria. Era uma noite badalada: Henry Rollins estava lá, assim como membros do Dictators e metade da cena nova-iorquina de 77.

    Dee Dee chegou logo depois. Fui cumprimentá-lo: “Oi, Dee Dee…”

    “Who the fuck are you?” disse ele, puto da vida.

    “Como assim? Estive te entrevistando a tarde toda, não lembra?”, disse, ainda atordoado.

    “Hoje? Tem certeza?”

    “Sim, nós marcamos de continuar a entrevista daqui a alguns dias…”

    “Ah, tá certo. Tá bom, tá bom, passa no hotel no sábado então”.

    Sábado, no horário marcado, eu estava lá. Quem não estava era Dee Dee, que havia saído do hotel na quinta. Nunca mais o vi.

    O projeto do filme morreu logo depois.  E Dee Dee, em 2002.

    Postado originalmente aqui.

     
  • carames 10:57 em 11/12/2012 Link Permanente | Resposta
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    Marky Ramone: todos os dias pensando nos amigos falecidos 

    Imagem

    Leia a tradução da entrevista que o Wikimetal fez com Marky Ramone! Ouça o a conversa com Marky Ramone no Wikimetal.

    Wikimetal (Nando Machado): Alô, Sr. Marky Ramone?

    Marky Ramone: Oi, quem é?

    W (NM): Oi, aqui é o Nando, do Wikimetal. Como vai?

    MR: Ah, oi! Tudo bem?

    W (NM): Sim, eu estou ótimo, estou ótimo. Eu estou muito feliz de falar com você. Nós estamos esperando que você venha para o Brasil com o Marky Ramone´s Blitzkrieg no dia 20 de outubro, para tocar no Two Wheels Brazil Festival, o TWB. Como é vir para o Brasil novamente? Eu sei que você tem muitos amigos aqui, e você sempre vem para cá. Como é estar no Brasil de novo protagonizando esse grande festival?

    MR: Bom, muito trabalho! Levou, vejamos, 12, 13 anos vindo para aí sozinho para alcançar isso, e agora conseguimos, e nós estamos muito felizes que conseguimos fazer isso. E é sempre um prazer voltar para o Brasil, porque mesmo quando eu, o Johnny e o Joey vínhamos para cá, nós adorávamos e falávamos muito sobre o país, e fazíamos amigos e amávamos a comida, amávamos tudo. E agora eu consigo voltar por conta própria, e é sempre uma coisa que me deixa muito ansioso.

    W (NM): Excelente. Falando sobre o início da sua carreira, Mark, quem foram os músicos que te ajudaram a criar seu estilo único de tocar?

    MR: Ah… Os Beatles, Jimmy Hendrix, The Who, Phil Spector, Wrecking Crew – esses eram os seus músicos de estúdio. Eu gosto muito do Buddy Rich, ele era um baterista de jazz. Há muitas pessoas que eu posso falar, mas esses estão definitivamente no topo da lista.

    W (NM): E você se lembra da primeira vez que você ouviu falar dos Ramones?

    MR: Eu conhecia o Dee Dee… Ele era meu amigo, e ele me disse que ele estava formando um grupo, e eu estava viajando com uma banda chamada Wayne County, e os Backstreet Boys, e o Richard Hell depois. E depois no bar, no CBGB’s, os Ramones começaram a tocar em 74, ’75. E eles não eram muito bons no começo, eles eram um pouco… Eles não eram tão bons. Conforme eles continuaram a tocar, eles foram ficando mais e mais afinados, melhores e melhores. Então foi assim que eu fiquei sabendo, no CBGB’s e conhecendo o Dee Dee, e o Dee Dee me falando “Ah, nós estamos tocando, você quer vir ouvir a banda?”. Mas ele nem tinha que me falar, porque eu estava sempre lá com os meus amigos, e foi assim que eu fiquei sabendo dos Ramones.

    W (NM): E quando você entrou na banda? Você se lembra da abordagem deles para te convidar para se juntar a banda, na época?

    MR: Ah, o Dee Dee pediu para me juntar ao grupo na primavera de 1978. Então, eu estava de novo no bar no CBGB’s, e o Dee Dee me perguntou se eu tocaria com a banda. E depois, em outro bar, chamado Max’s Kansas City, o Johnny veio e também me perguntou se eu tocaria no grupo. Então a palavra se espalhou, e aí eu comecei a ensaiar com eles. E foi basicamente isso, eu ensaiei três ou quatro músicas quando nós nos conhecemos, na audição, e nós nos demos muito, muito bem, e nós sabíamos… Nós sabíamos que iria dar certo, e foi simples assim.

    W (NM): Ótima história. Me fale um pouco sobre a experiência louca, já que você mencionou, de trabalhar com o produtor lendário Phil Spector?

    MR: Bom, o Phil foi o melhor produtor, e nós ficamos muito felizes de trabalhar com ele, pelo menos eu e o Joey ficamos. E ele quis fazer a nossa produção, falavam que ele carregava armas e pegava as armas, e ficava, sabe… Mas ele não fez isso. Quando nós ficamos no estúdio com ele, ele não pegou em nenhuma arma, ele as deixava guardadas. Então essa história é um exagero. Mas eu e o Joey nos divertimos muito trabalhando com ele. Demorou muito tempo para fazer o álbum, mas o Johnny e o Dee Dee não se deram muito bem com ele por causa do modo como ele trabalhava. O Johnny e o Dee Dee estavam acostumados a trabalhar muito rapidamente em um álbum, mas o Phil trabalhava no seu próprio passo. E eu entendia, porque ele queria colocar cordas, e ele queria colocar metais no álbum. Então tinham muitas coisas que levaram tempo para produzir o álbum. Então eu e o Joey entendemos isso, e nós não íamos discutir com o Phil Spector. Então houve um pouco de tensão entre os outros dois membros da banda e o Phil. Mas nos final nós conseguimos, e eu e o Phil permanecemos amigos até que ele foi preso.

    W (NM): OK. E o album é incrível também.

    MR: É OK, é bom mesmo. Mas quando ele foi lançado, muitos dos puristas do punk não gostaram do álbum, por causa dos metais e das cordas. Mas agora, muitas pessoas vêm falar comigo nos shows, e eles trazem o álbum para que eu assine, e eles falam “Eu gosto muito mais dele agora do que quando foi lançado.” E eu entendo. Eu entendo o que eles diziam, o que eles dizem. Eles se acostumaram com ele, eles se acostumaram com o fato que, sabe, os metais e as cordas e o Ramones, foi um experimento legal.

    W (NM): Mudando de assunto, Marky, nós temos uma pergunta clássica no nosso programa, uma que nós fazemos a todas as pessoas que nós entrevistamos, que é: imagina que você está dirigindo o seu carro, ou talvez no chuveiro, onde quer que seja, ouvindo um estação de rock, e uma música começa a tocar que faz com que você perca a cabeça completamente, e você começa a headbangear, e você fica louco. Que música seria essa, para que nós possamos ouvi-la no nosso programa agora?

    MR: Oh, OK… “Ramones”, do Motörhead.

    W (NM): No final dos anos 70, o disco era predominante na indústria musical, e o punk rock e o heavy metal estavam tentando sobreviver. Você se lembra de ver essas duas tribos se relacionando uma com a outra nos Estados Unidos, na época?

    MR: Bom, o metal apareceu em ’69, ’70 na verdade, com o Black Sabbath, o Blue Cheer e o Deep Purple. A América estava atrasada no heavy metal, um ano mais ou menos. Mas o punk e o metal… O metal ficou muito grande, no meio dos anos 70, eu diria, sabe, depois do terceiro álbum do Sabbath. E aí tinha também o “Machine Head”, do Deep Purple, tinha o álbum ao vivo. Então tinha muita… O metal já estava estabelecido. O Punk, em’74, ’75 em Nova York, no CBGB’s, não estava. Aquele era o único lugar onde nós podíamos tocar, na verdade, então demorou muito mais para o punk ser reconhecido. O metal se tornou muito maior do que o punk. Então, quer dizer, nós concorríamos com o disco, com o rock de estádio, e todas essas bandas que eram, sabe, auto indulgentes, e tocavam músicas de cinco, seis, sete minutos, e tudo mais, o que eu não tinha nada contra… Todo mundo tem o seu próprio gosto. Mas era com isso que nós concorríamos, então as gravadoras estavam forçando o disco e o rock de estádio. Eles achavam que o punk era muito violento, muito… Sabe, demais. Então as radios se afastaram disso, e foi por isso que muitas das bandas de punk começaram a tocar música disco, para que elas fossem tocadas no rádio. E é por isso que muitas das bandas de metal começaram a tocar baladas. Elas tocavam baladas para que fossem tocadas no rádio. Mas os Ramones, nós nos mantivemos fiéis ao que nós acreditávamos, e sabe, agora nós somos tocados mais do que nunca, nas rádios do mundo todo, com “I Wanna Be Sedated”, “Blitzkrieg Bop”, “Rock N’ Roll High School”, “Sheena is a Punk Rocker”… Então era uma questão de competição com o que as gravadoras estavam colocando nas rádios, obviamente, para ganhar dinheiro. E era isso que estava acontecendo.

    W (NM): E o que você sentiu, o que você pensou quando você viu todas as bandas de heavy metal fundindo o punk e o metal, e se tornando enormes, como o Metallica, o Anthrax, todas essas bandas que misturaram o punk e o metal, o que vocês acharam disso na época?

    MR: Bom, era melhor do que disco… Nós sabíamos que essas bandas gostavam dos Ramones, nós sabíamos que eles gostavam de Black Sabbath, nós sabíamos que ele curtiam, sabe, Zeppelin, e todas essas grandes bandas. Então, sabe, é muito legal ver essas coisas se juntarem em uma banda de metal… O metal e o punk se fundindo por causa das influências dos dois. Aí surgem bandas como esses caras, e isso mostra a influência que eles… O que os influenciou, que são os Ramones, o Black Sabbath, muitas bandas de metal que estavam aparecendo na época.

    W (NM): Nós achamos que os Ramones são, obviamente, uma banda que transcendo qualquer estilo musical, é esse tipo de banda. Mas falando sobre o movimento punk, quando nós falamos de heavy metal, é bem claro que foi o Black Sabbath que o inventou. Haviam bandas assim antes, mas o Black Sabbath meio que juntou tudo em um pacote, e isso é simbólico para os fãs de heavy metal. Mesmo havendo bandas como o Led Zeppelin>, The Who e Cream, que obviamente influenciaram o estilo. É justo dizer que os Ramones inventaram o punk, mesmo havendo bandas como o MC5, The Stooges, e outras, que influenciaram o estilo? Você acha que os Ramones poderiam ser a primeira banda punk de verdade?

    MR: Sim, nós o solidificamos. Haviam bandas antes dos Ramones, um ou dois anos antes… Isso foi em ’69, ’70, como os Stooges, o MC5, mas elas não eram… Elas não tocavam rápido. Elas não contavam entre cada música. Muitas delas foram influenciadas pelo ritmo do blues. E, sabe, o MC5 era basicamente uma banda de rock N’ roll político. Os Stooges, eram como uma banda de garagem, tipo de rock de garage. E é isso que estava acontecendo na época, e você pode dizer também que “Summertime Blues”, do the Blue Cheer, era heavy metal, que saiu em’68. Então, sabe, havia elementos punk nesses grupos, mas os Ramones solidificaram isso, e o Richard Hell também, em Nova York, com o álbum “Blank Generation”. E aí o Malcolm McLaren pegou isso e levou para a Inglaterra, e aí formou os Sex Pistols.

    W (NM): Sim, você tem razão.

    MR: Foi simples assim.

    W (NM): E o álbum “Blank Generation”, no qual você tocou, também foi muito importante para o começo desse movimento, certo?

    MR: Sim, esse era um hino punk em Nova York, no CBGB’s, essa música. E aí os Pistols escreveram “Pretty Vacant”, que era a mesma coisa que o “Blank Generation”. E os Sex Pistols escreveram “Pretty Vacant”, que era outra coisa sobre a mesma situação em Londres, sabe…

    W (NM): Você se lembra da primeira vez que você veio para o Brasil? Se eu não me engano, você tocou em um lugar chamado Palace, e eu não sei se você se lembra disso, mas os skinheads apareceram nas ruas para brigar com os punks e os jovens, e o lugar teve que fechar as portas. Você se lembra disso?

    MR: Não… Eu fui para aí, eu acho, na segunda vez, e nós tocamos em um lugar imenso. O que eu me lembro é de fãs e jovens maravilhosos curtindo a música… Era muito apaixonado. E é por isso que nós continuamos voltando, sabe, isso é uma coisa que eu nunca vou me esquecer. E depois muitos dos jovens começaram a formar suas próprias bandas, e a usar os Ramones como influência para começarem os seus grupos. E aí, quando nós voltávamos, eles todos… Sabe, muitos deles já tinham as suas bandas, e eles nos davam seus CDs, suas fitas, e nós ficávamos muito felizes de ver que nós estávamos influenciando o seu modo de viver e de fazer música. É disso que eu me lembro.

    W (NM): Nós temos outra pergunta que nós fazemos a todas as pessoas que nós entrevistamos. Você poderia escolher uma música que você tem muito orgulho de ter escrito, ou talvez gravado, para que nós possamos ouvi-la no nosso programa agora?

    MR: “I Wanna Be Sedated”.

    W (NM): Excelente. Eu imagino que essa foi ainda mais difícil do que a primeira, certo?

    MR: Não, sabe, eu amo essa música, foi a primeira música que eu gravei com o Johnny, o Joey e o Dee Dee, no “Road to Ruin”, em 1978. Mas, sabe, eu tenho uma… Eu fiz parte de uma banda de heavy metal quando eu era adolescente, e a banda se chama Dust, e eu acabei de lançar o álbum, os dois álbuns que eu fiz com dois dos meus… Nós éramos uma banda de três integrantes, nos Estados Unidos. E os álbuns foram lançados cinco anos antes do primeiro álbum dos Ramones. E se você olhar para a capa do primeiro álbum, você me vê com uma jaqueta de couro e jeans. Então os Ramones eram grandes fãs do Dust, porque eles vinham me ver tocar no Village. Eles ainda não tinham uma banda, então eu já estava fazendo álbuns antes dos Ramones sequer começarem. E o que os álbuns são, é heavy metal, e há uma enciclopédia de heavy metal. Agora, quando o álbum do Dust foi lançado, uma música do álbum foi votada entre as top 10 das paradas. Então, como uma banda de heavy metal, o Dust, nós fomos uma das primeiras bandas nos Estados Unidos a ser chamada de banda de heavy metal. E isso foi em ’70, ’71. E o meu guitarrista acabou produzindo os dois primeiros álbuns do Kiss, e nós ficamos muito amigos. Então ele tinha apenas 19 anos quando ele produziu “Kiss”, e “Hotter than Hell”.

    W (NM): Ótimo. Você gostaria de escolher uma música do Dust, para que nós possamos ouvi-la no nosso programa agora?

    MR: Sim. Muito bem, todo mundo que está ouvindo Wikimetal, esse é o Dust. O nome da música é “Suicide”.

    W (NM): Se você fosse sintetizar cada membro dos Ramones, especialmente os que não estão mais com a gente, o que seria a primeira coisa que viria à sua mente, se eu falo, por exemplo, o nome do Dee Dee.?

    MR: Ele era meu melhor amigo no grupo, ele era um furacão. Ele era engraçado, ele sempre falava alguma coisa que me fazia rachar de rir, e ele era um grande baixista, ele conseguia combinar com o meu estilo de tocar, e, sabe, nós nos divertíamos muito juntos. E ele era muito aberto como indivíduo. E eu vou sempre sentir sua falta, sabe, ele era um grande amigo.

    W (NM): E o Johnny?

    MR: O Johnny e eu tínhamos muito em comum. Nós colecionávamos pôsteres de ficção científica, e nós gostávamos de filmes de ficção científica. Ele era um cara mais normal que gostava de tocar. E ele não gostava tanto de ir em festas quanto eu e o Dee Dee. Na verdade, ele não gostava de festas, mas sabe, nós éramos diferentes. Ele era mais ou menos o cara que tomava conta dos negócios e coisas assim. Mas nós precisávamos de alguém assim no grupo, para lidar comigo, e com o Dee Dee e com o Joey, e sabe, nós todos tínhamos as nossas funções. Então o Johnny era basicamente mais… Ele era mais velho do que a gente, também, ele era uns seis anos mais velho do que eu e o Dee Dee e o Joey. Mas, sabe, ele era um ótimo guitarrista, eu sinto falta dele, e sabe, eu o conheci por… Nossa, vinte e tantos anos.

    W (NM): OK, e o Joey?

    MR: O Joey era muito quieto, muito introvertido. De novo, ele era um amigo próximo, mas muito… Como eu posso dizer? Ele tinha um problema chamado TOC, e todo mundo sabe disso, e isso afetava ele e as pessoas à sua volta. Mas eu entendia que havia algum problema. Mas agora nós entendemos qual era o seu problema, porque naquela época, nós não sabíamos, então era meio estranho, até você entender qual é o problema de uma pessoa, você não sabe lidar, e agora nós sabemos, porque há um termo para isso. Mas ele era um cara muito amigável, ele era muito quieto, ele era um grande cantor, ele tinha muita presença de palco, e de novo, é uma pessoa de quem eu sinto falta, uma pessoa de quem eu sempre vou me lembrar, e não há um dia que passa que eu não penso nos três, porque eles não estão mais por aqui, sabe, eles faleceram.

    W (NM): Você também gravou o maravilhoso álbum do Joey Ramone, o seu último álbum, eu amo esse álbum.

    MR: Sim, é o único álbum solo que tem alguma importância. Ele estava vivo durante as gravações, e ele me pediu para tocar. Eu toquei no álbum, mas eu só pude tocar seis músicas, porque eu estava em turnê, e eu estava realmente… Eu não tinha tempo suficiente para aprender o álbum todo, então eu só pude fazer metade com eles. E nós fizemos a música que nós dois amamos “What a Wonderful World”, que o Louis Armstrong gravou. E, sabe, o Joey pode ver a sua visão acontecer, porque ele sempre quis fazer um álbum solo. E ele fiz isso antes de morrer, e quando nós estávamos gravando, ele saia do hospital para poder cantar no estúdio. E depois que ele fazia o que ele tinha que fazer, nós o levávamos de volta para o hospital.

    W (NM): OK, então, se você não se importa, podemos ouvir uma música desse álbum? Talvez a que você mencionou, do Louis Armstrong.

    MR: OK. Oi, todo mundo, aqui é o Marky Ramone, e você está ouvindo Wikimetal. E agora você vai ouvir “What a Wonderful World”, do Joey Ramone e eu mesmo na bateria.

    W (NM): Isso é lendário, Mark. Então, antes de nós terminarmos, o que você diria para um jovem que está começando a tocar bateria?

    MR: Continue a ensaiar… Ensaie – essa é a coisa mais importante. E tente manter uma… Não fume cigarros, não use drogas pesadas, e tente se exercitar. Acredite em você mesmo, isso é o mais importante. E se você acha que você é bom, e se você acha que você tem o dom, continue a tocar e tocar e tocar. Forme um grupo – isso é importante, porque você tem que tocar com outras pessoas, músicos, para que você possa entender o que cada músico faz. Como baterista, você tem que manter a batida, e isso é muito importante. Então ouça todo… Ouça todo tipo de música, não só o que você gosta. Se abra, sabe, ouça jazz, ouça metal, ouça punk, ouça… Até ouça blues. É muito importante porque esses são ritmos diferentes. Então, sabe, eu sugiro isso para um cara que está começando.

    W (NM): Bom, foi maravilhoso falar com você, Marky Ramone, baterista lendário, foi uma verdadeira honra. Não é todo dia que nós podemos falar com um dos nosso heróis do rock N’ roll, então, pessoalmente, foi uma grande honra. Muito obrigado, mais uma vez, e nós nos veremos aqui no Brasil, com certeza.

    MR: OK.

    W (NM): Tudo de bom.

    Fonte: Wikimetal |

     
  • carames 12:32 em 20/11/2012 Link Permanente | Resposta
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    Marky Ramone vai participar da primeira sessão de autógrafos online 

    marky-ramone

    O baterista da lendária banda de punk rock RamonesMarky Ramone, vai realizar um encontro online com os fãs através da empresa IMAGE: Interactive Meet and Greet Entertainment.

    Essa será uma oportunidade de conversar na Internet com o baterista e assistir a ele autografando um item que depois será comprado pelo fã e enviado para a casa dele por correio.

    Marky disse estar empolgado pela experiência:

    Estou muito feliz que alguém teve essa ideia. Eu autografei a minha vida inteira, mas nunca imaginei fazer isso em um conceito tão legal. Isso é um ponto especial que a indústria estava esperando.

    O evento irá acontecer no dia 23 de Novembro e você pode encontrar mais detalhes e saber como participar do mesmo clicando aqui.

    Post original, aqui.

     
  • carames 12:02 em 24/10/2012 Link Permanente | Resposta
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    Marky Ramone: “Joey não teve nada a ver com esse CD novo” 

    Por Alexandre Saldanha

    Recentemente, tanto Joey quanto CJ Ramone lançaram discos solo. Você chegou a ouvir? O que acha desses álbuns?

    Esse disco solo recente de Joey que você fala foi feito a partir de faixas rejeitadas para o seu único disco solo que ele produziu em vida. Joey não teve nada a ver com esse CD novo. Quando a qualquer material do CJ, nem sabia que ele continuava tocando.

    CJ disse que o objetivo de seu novo disco era trazer de volta o que realmente importa sobre os Ramones: a música. Você concorda que as brigas internas estavam tomando uma proporção maior que que a música em si?

    Não, acho que não tem nada a ver. 99% [dos Ramones] era estar no palco, tocando. As brigas não eram nada. O DVD End of the Centrury focou na negatividade para comercializar um produto.

    Você planeja lançar um disco novo do Marky Ramone?

    Nesses dias de hoje, CDs são coisa do passado.

    Quando os Ramones se aposentaram, você tinha sua própria banda – Marky Ramone and the Intruders – que se separou após alguns discos. Por quê? Você pretende formar outra banda ou vai continuar fazendo shows como Marky Ramone e convidados?

    Não tenho planos de começar uma nova banda. O mundo quer ouvir as músicas dos Ramones e eu me divirto fazendo isso.

    Uma vez vi você dizendo no Facebook que o livro Poisoned Heart [Phoenix Books, ainda sem tradução em português], de Vera Ramone King, é o único bom livro sobre os Ramones. Por quê?

    Porque Vera fez parte daquilo tudo. Além disso, o livro foi escrito com suas próprias palavras e não com entrevistas com pessoas de fora.

    Você vai lançar um livro no ano que vem. É sobre seus anos nos Ramones ou sobre sua vida como um todo?

    O livro abrange toda a minha carreira como músico. Dust, the Voivods e Ramones.

    Seu primeiro single com os Intruders é uma música sobre o Brasil, Argentina e Chile [“Three cheers for you”]. Quase todos os anos você vem ao Brasil, seja como DJ, para lançar sua linha de óculos de sol ou para fazer shows. Qual a importância da América do Sul para você e para os Ramones?

    A América do Sul deixou a banda extremamente feliz. Ficamos extremamente surpresos com a recepção que tivemos aí!!! Tenho voltado aí sozinho desde 1997 e continuo me divertindo muito!

    Há alguns anos, você tocou bateria com os Misfits. Agora você excursiona com Michale Graves, que foi vocalista dos Misfits nos anos 1990. Como surgiram essas parcerias?

    Eu sabia o quanto Michale cantava vem. Achei que ele se encaixaria perfeitamente em minha banda.

    Você tem planos para lancer o Marky Ramone’s Brooklyn’s Own Pasta Sauce [molho de tomate criado pelo baterista] no Brasil?

    Ainda não tinha pensado nisso… talvez!

     
    • Wagner 13:08 em 24/10/2012 Link Permanente | Resposta

      “Quando a qualquer material do CJ, nem sabia que ele continuava tocando.” Um pouco arrogante, no mínimo…

      • carames 15:00 em 24/10/2012 Link Permanente | Resposta

        ahan, faz d conta q nóis acredita tio Marky

      • Prude Fabricio 17:05 em 24/10/2012 Link Permanente | Resposta

        Pois é, ele odeia o C.J., só não se sabe porque.

        • carames 18:01 em 24/10/2012 Link Permanente

          Lá por 97/98 rolou uma treta pq o CJ falou mal do Marky por continuar usando o sobrenome após o fim da banda quando ele andava com os The Intruders – coisa que o CJ só resolveu fz recentemente. além disto, o CJ era casado com a sobrinha do Marky e desde que ele se separou o Marky senta o pau em tudo que tem relação com o baixista.

    • carames 11:33 em 27/10/2012 Link Permanente | Resposta

      • Prude Fabricio 7:26 em 28/10/2012 Link Permanente | Resposta

        Como diria o CPM 22 o mundo da voltas.

        • carames 12:36 em 28/10/2012 Link Permanente

          esse ciúme todo só pq o Richie tocou bateria e não ele? será?

  • carames 18:00 em 20/10/2012 Link Permanente | Resposta
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    “O conceito do disco não funciona mais”, diz Marky Ramone 

    A internet e a nova ordem na indústria musical não impedem que Marky Ramone viva o rock and roll à sua maneira, em turnês pelo mundo com sua nova banda, Blitzkrieg, cujo nome é deliberadamente inspirado em “Blitzkrieg Pop”, icônica canção de 1976. Aos 56 anos, a frase “hey ho, let’s go” ainda é o grito de guerra de Marc Steven Bell. “Você vive e aprende”, diz ele, à Rolling Stone Brasil, por telefone, do seu escritório em Nova York.

    Acompanhado de sua banda, o baterista do lendário Ramones, de quem ele ganhou o sobrenome artístico, volta ao Brasil em mais uma de suas visitas. Marky se apresenta no Two Wheels Brazil, um evento direcionado aos amantes de motos. “Gosto do cheiro da gasolina”, comenta.

    O baterista não vê mais a necessidade de se compor canções para um disco. A internet e a facilidade que ela proporciona de se ouvir o que quiser quando quiser, para ele, aniquilou o que antes era sagrado para qualquer banda. “O conceito do disco não funciona mais”, diz, taxativo.

    Marky mantém o nome dos tempos da banda finada em 1996, mas não se pode alegar que ele vive apenas do que se passou. Com a Blitzkrieg, cujos vocais cantados por Michele Graves, ex-Misfits, ele lançou dois singles de 2010 para cá, “When We Were Angels” e “If and When” – que serão executadas em São Paulo, além de clássicos dos tempos de Ramones. “Se tiver uma boa ideia para uma música, eu faço. Quando tiver a quantidade suficiente de singles, posso fazer uma compilação”, explica. “As duas músicas que fizemos foram bem em vendas no iTunes. É assim que as pessoas fazem hoje em dia. Ninguém mais compra discos, as pessoas baixam músicas. As lojas de discos não existem mais”, completa.

    Para ele, o modo como o consumo de música se dá mudou e não há como voltar atrás. O experiente baterista entende que não há necessidade disso. “Agora, você pode escolher o que quiser”, diz. “Mesmo há muitos anos, as bandas faziam muitos discos, mas as músicas nem sempre eram todas boas. Eram o que chamávamos de ‘enchimento’. Hoje, você pode ir no iTunes, ouvir um disco e pensar: ‘não gostei tanto, mas curti essa música’. Não podemos criticar a tecnologia. Ela está aqui. É o que as pessoas querem hoje em dia.”

    O Marky dos novos tempos não é só um músico capaz de arrebentar baquetas na bateria como há 30 anos. É empresário, dono de um restaurante sobre rodas em Nova York chamado Cruisin’ Kitchen e criou seu próprio molho de tomate. “Foram seis meses criando a receita. Foi um trabalho duro”, conta ele.

    O lado empreendedor pode ter feito com que alguns fãs mais ardorosos do Ramones tenham torcido seus narizes. Nada que incomode Marky, como ele mesmo garante. “Não importa o que eles pensam, mas, sim, o que eu penso. O que faço da minha vida é problema meu”, diz. “Muitos outros gostam do fato de que 10% da receita é doado para instituições de caridade que cuidam de pessoas com autismo”, completa. Ele conta que a ideia veio justamente porque, em alguns casos, os autistas o viam tocando bateria, mas não tinha controle motor suficiente para brincar no instrumento.

    É a mesma doença que acomete o filho de C.J. Ramone, baixista que tocou na banda de 1989 até seu fim, em 1996. Mas nunca, jamais, cite o nome de C.J. para Marky. “Sou um cara do Dee Dee”, diz ele, lembrando o baixista da formação clássica do grupo. “Não sabia que o filho dele tinha autismo. Dee Dee era um amigo muito próximo e nunca fui fã do C.J.”

    Marky mantém uma espécie de diário desde os anos 70, antes mesmo de se juntar ao Ramones, e suas memórias serão publicadas em uma autobiografia em breve, garante ele. “Estou escrevendo ainda. Vou colocar coisas boas e ruins que aconteceram. Serei honesto com meus textos e com a minha vida. Ainda consigo ter uma vida movida a rock and roll, faço turnês pelo mundo, tocando e como DJ”. Mas o rock and roll é só musical. “Não uso drogas, não bebo, Não preciso fazer isso. Essas coisas ficam no passado”, diz. E, agora, Marky está de olho no futuro.

    Two Wheels Brazil 2012

    Dia 20 de outubro:
    Marky Ramone’s Blitzkrieg e Toyshop

    Dia 21 de outubro:
    Raimundos, Chrome Division e Michael Graves (solo)

    Estrada Velha do Mar, 4335 – S. Bernardo do Campo – Estrada São Paulo 148 – Km 35,5
    Das 9h às 23h
    Ingressos: R$ 150 a R$ 200

    Postado originalmente aqui.

     
  • carames 12:19 em 15/10/2012 Link Permanente | Resposta
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    Perpetuando o ‘1,2,3,4’: entrevista com CJ Ramone 


    CJ Ramone, ex-baixista dos Ramones, durante show na Arena Palco 7, em Estância Velha (RS)

    Há vários clichês no rock’n’roll. Alguns desses chavões, inclusive, acabam virando marca registrada de algumas bandas. É o caso do ‘one, two, three, four’, dos Ramones. A indefectível contagem, feita antes do início de praticamente todas as músicas ao vivo e outras tantas nos discos deixados pela banda, era tarefa do finado baixista Dee Dee Ramone (1951 – 2002). Após sua saída do grupo nova-iorquino, em 1989, essa responsabilidade ficou sob a batuta de Christopher Joseph Ward, mais conhecido como CJ Ramone, que assumiu o baixo.

    Com o fim do quarteto que eternizou a simplicidade dos três acordes, em 1996, CJ seguiu seu caminho com outros projetos musicais (Los Gusanos e Bad Chopper). O cara também encontrou tempo para cuidar da família, que precisou de sua ajuda. Recentemente, ele resolveu retomar o pseudômino que usava com a antiga banda e colocou no mercado um trabalho solo. Reconquista (2012) é o primeiro álbum do músico sob a alcunha de CJ Ramone. Nas apresentações que tem feito, CJ executa algumas canções desse registro. Porém, o repertório é, em maior parte, formado por temas dos saudosos Ramones. Foi esse show que CJ Ramone mostrou ao público gaúcho, dia 16 de setembro, na Arena Palco 7, em Estância Velha.

    No dia seguinte, 17 de setembro, o programa Let’s Start... colou no músico e conseguiu bater um papo com ele. Na entrevista, o baixista e agora vocalista falou sobre a importância dos Ramones na sua vida, a doença de um de seus filhos, o convite para entrar no Metallica, entre outros assuntos. Senta a buzanfa na frente do computador e comece a ler isso em… ‘one, two, three, four’!

     

    Texto, fotos e vídeos: Homero Pivotto Jr.

    Você tocou em Porto Alegre com os Ramones, em 1994, na mesma noite em que o Sepultura e o Raimundos. Recorda de algo?

    CJ – Eu lembro do show, mas não recordo de qualquer coisa em particular que tenha acontecido.

     O que você andou fazendo nos últimos anos, antes de lançar o disco Reconquista?

    CJ – Quando os Ramones se aposentaram, em 1996, eu saí por aí com o Los Gusanos (banda criada por volta de 1992 na qual CJ tocava guitarra e cantava) durante um tempo. Em seguida, comecei uma família e meu filho foi diagnosticado com autismo. Então, eu tirei alguns anos para ficar em casa cuidando dele. Por volta de 2007/2008,comecei a fazer alguns shows ocasionalmente, aqui e acolá. Em 2009, ano em que completou-se o 20º aniversário da minha entrada nos Ramones, eu decidi que iria sair e tocar só músicas deles, já que eu não tinha feito isso antes. Percebi isso e saí por e saí com um set list de Ramones. Fiquei fazendo isso durante todo o ano e foi muito bom. As pessoas realmente gostaram e nós tivemos diversas boas ofertas. Aí, conversei com meu amigo Gene, que costumava trabalhar com os Ramones, e decidimos que poderia ser uma boa voltar e continuar tocando. Então, fiz o novo disco, que é um tipo de tributo aos Ramones e aos fãs.  E é por isso que estou aqui! (risos)

    ‘Reconquista’ é uma palavra usada em idiomas como o português e o espanhol. Por que colocar o nome do disco assim, e não em inglês?

    CJ – Eu gosto muito de história, sabe? Vi o título ‘Reconquista’ em um livro e curti a palavra em si, mas gostei ainda mais do significado. Pensei comigo mesmo que seria um belo nome para o álbum. Eu imediatamente comecei a viajar no significado da palavraEstou muito feliz com essa escolha!

    E sobre o processo de criação desse álbum?  O disco é bem rock’n’roll, repleto de melodias grudentas, bons riffs de guitarra e coisas assim. Na verdade, o registro soa como algo que os Ramones poderiam ter feito. Era essa a ideia?

    CJ – Boa parte das composições foram escritas, possivelmente, cerca de dois ou três anos antes da gravação. Há uma música que tem uma melodia muito bonita, chamada ‘You’re the Only One’, que provavelmente Joey poderia ter escrito. Foi uma canção que fiz para ninar minha filha pequena e pensei: “que bela música!” Então, sentei, trabalhei na linha de guitarra e soou muito bom.  Eu pensei: “está é uma canção que Joey teria adorado!” Pareceu bastante inspirada por ele. Tem ainda ‘Three Angels’, que foi uma experiência muito estranha, pois eu estava dirigindo e a letra simplesmente me veio à cabeça. Eu tive de parar o carro e escrevi toda a música de uma vez. Eu não precisei sentar e trabalhar na próxima linha, a inspiração simplesmente veio toda de uma vez… A melodia e tudo mais estavam lá! Eu sabia como a canção ficaria depois de completa mesmo antes de pegar a guitarra e tocá-la! Foi bem estranho!

    Você sente a presença de Joey, Johnny e Dee Dee de alguma maneira?

    CJ – Eu não sinto sempre, mas eu ouço! Fui escutar algumas das músicas que escrevi para  Reconquista, depois de gravadas, e pude absolutamente ouvi-los. Pode ser influência ou o que for, mas alguns dos temas que escrevi tinham de ser guiados por Joey, Johnny e Dee Dee. Especialmente ‘Three Angels’ e ‘You’re the Only One’, que foram músicas que praticamente se compuseram por conta própria. Foi verdadeiramente uma experiência pela qual precisei passar.

    Quais os seus discos preferidos dos Ramones?

    CJ – Meus preferidos são os quatro primeiros discos – Ramones (1976), Leave Home (1977),Rocket to Russia (1977) e Road To Ruin (1978).

    Existe uma lenda que, quando você entrou para os Ramones, eles disseram para você fazer certas coisas. Por exemplo: usar um determinado jeito de vestir (jeans, camisetas, tênis e jaquetas de couro), tocar com o baixo quase na altura dos joelhos e as pernas abertas. Isso é verdade?

    CJ – Eles não precisaram me dizer nada. Eram coisas que eu já fazia, como fã dos Ramones. Quando eu era garoto fui muito influenciado por eles. Eu até sabia o que fazer quando estava no palco, porque eu os vi diversas vezes. Eu sabia que Joey, Johnny e Dee Dee andariam para frente e depois voltariam para trás no palco. Eu sabia tudo isso! Johnny disse em entrevistas que ele me falou para fazer essas coisas. E ele realmente disse! Mas o fato é que eu já sabia isso tudo. Assisti os Ramones inúmeras vezes e era fã de longa data. Se você ver fotos minhas quando moleque perceberá que pareço um clone de Johnny e Dee Dee. Eu tinha o corte de cabelo, os tênis, o jeans, a camiseta… Era isso que eu usava todo dia!

    Você disse que tem um filho com autismo. Como isso afetou sua vida

    CJ – Bom, isso me fez mais consciente sobre algumas coisas. Fui ensinado que a vida não é sempre sobre você, sobre o que você quer fazer e o que precisa. Especialmente quando há um enorme sacrifício de outras pessoas envolvidas. Isso me ajudou a ter mais foco. Ensinou-me sobre dedicação e a não desistir, mas sempre trabalhar duro. Eu meio que agia assim, mas para algo que eu queria. Essa foi a primeira vez que tive de fazer as mesmas coisas por outra pessoa.

    E sobre ser convidado para substituir Jason Newsted no Metallica, como isso ocorreu? Você já pensou como seria, se tivesse aceitado, fazer parte de duas das maiores bandas de rock’n’roll da história em uma só vida (risos)?

    CJ – Eu tenho que agradecer ao Johnny Ramone por duas oportunidades! Foi ele que me escolheu para entrar no lugar de Dee Dee, nos Ramones. Ele também era amigo do Kirk Hammett (guitarrista do Metallica). Quando Jason Newsted saiu, Johnny me ligou e disse: “os caras do Mettalica gostariam que você fosse lá e tocasse com eles”. Eu falei para Johnny que eu não poderia fazer aquilo, que estava lisonjeado, que era um grande fã da banda e que eu adoraria. Porém, meu garoto precisava de mim em casa trabalhando com ele e tendo certeza de que ele estava sendo cuidado. Johnny falou que eu era louco por deixar passar essa chance. Eles me ligaram de volta (o Metallica), uns dois ou três meses depois, me fazendo a oferta novamente. Eu disse outra vez que estava inacreditavelmente lisonjeado, pois respeito demais o Metallica, mas não havia maneira de eu aceitar. Seria muito legal se eu estivesse apto a fazer o trabalho. Entretanto, hoje, meu filho está fazendo as coisas incrivelmente bem, levando sua vida normalmente. Acredito que se eu tivesse aceitado entrar no Metallica, ele talvez não estivesse se recuperado tão bem. Não tenho arrependimento!

    Você pretende lançar mais discos solo sob o nome de CJ Ramone?

    CJ – Vou sim! No próximo ano já terei um álbum novo saindo!

    CJ Ramone (à esq.) e Steve Soto (do Adolescents), outro grande nome do punk rock norte-americano

    Você ainda mantém contato com Marky ou com algum outro integrante ainda vivo da banda?

    CJ – Na verdade, me juntei com Richie Ramone em um show. Nós nos encontramos no palco para executar algumas músicas em Nashville. Foi a primeira vez que eu toquei com ele! Com Marky eu não tenho muito contato. Nós convidamos Marky algumas vezes para sair e fazer algumas apresentações, mas ele tem os projetos dele. Não é que eu não goste dele, não me importe com ele ou coisa assim. É só porque ele está fazendo suas próprias coisas. Então, isso (um encontro entre os dois) provavelmente não acontecerá.

    Quando você estava nos Ramones, como eram escolhidas as músicas que entrariam para o set list em cada show?

    CJ – Johnny escolhia muito bem as músicas e as ordenava no repertório de um jeito que manteria o show excitante e o público agitado. Ele era bom nisso! Eu acho que Johnny apenas pegava as canções que sabia que os fãs queriam ouvir.

    CJ Ramone e João Gordo no camarim do Opinião antes da apresentação do Ratos de Porão em Porto Alegre, dia 17 de setembro. O baixista tocou ‘Commando’, cover dos Ramones, junto com os amigos brasileiros do RDP. Confira o vídeo dessa parceria aqui: http://www.youtube.com/watch?v=loT8jftQ5h4

    Em novembro, haverá a eleição para escolher o novo presidente dos Estados Unidos. Você tem alguma preferência entre republicanos e democratas?

    CJ – Atualmente, os dois partidos parecem a mesma coisa. Eu me considero independente, não sou filiado a nenhum dos dois partidos. Os políticos tornaram-se muito corruptos. Não é sobre fazer o país progredir. Eles lutam apenas por seus próprios partidos, não necessariamente pela nação. Eu votei em um cara fora do circuito, chamado Ron Paul. Ele é o único fora desses dois partidos que talvez tenha alguma chance de mudar algo no país. Se não der certo, não importa. Eu não posso apoiar um sistema no qual não acredito!

     

    Postado originalmente aqui.

     
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