Marcado como: show Ativar/desativar aninhamento de comentários | Atalhos do Teclado

  • carames 3:06 em 03/05/2016 Link Permanente | Resposta
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    Marky Ramone: Ao vivo no Bar Opinião, Porto Alegre – 1 de maio de 2016 

    2016-05-01 12.08.08Minha professora de história no ensino médio dizia: “a história só se repete como uma farsa”. Ela se referia a eventos que ao longo do tempo se parecem muito mas são na verdade, únicos, distintos.

    Neste final de semana viajei no tempo tentando reescrever a história. De volta ao dia 9 de novembro de 1994 quando Porto Alegre recebeu Raimundos, Sepultura e Ramones para um show antológico – até hoje celebrado pelos que assistiram e motivo de lamento pelos ausentes.

    Pude assistir os Raimundos depois desta data, assim como os Ramones – na verdade alguns deles, e de forma isolada, já em carreira solo. Mas o lamento permaneceu. Agora, findando o mês de abril e inaugurando maio, tive a chance de ver Raimundos e Marky Ramone em solo porto-alegrense com acréscimo da Tequila Baby, que vi em 1998 também com Marky mas durante sua primeira turnê pelo país com os The Intruders.

    Os calangos do serrado se apresentaram no sábado com seu forrócore e revisitaram parte da carreira para um público considerável, que não lotou mas ocupou boa parte da casa. Os célebres frequentadores do Puteiro em João Pessoa executaram metade do primeiro álbum e canções do disco seguinte Lavô tá Novo (I sawyousaying, Opa, Peraí Caceta, Esporrei na Manivela, Tora Tora e Eu Quero ver o Oco – esta já durante o bis).

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    Raimundos ao vivo no Opinião – 30/4/2016

    Canções indispensáveis do Lapadas do Povo ficaram de fora. Perderam espaço para repetidos improvisos com trechos de canções do Metallica, Nirvana e outros tantos. Havia ainda previsão de meia hora de clássicos dos Ramones que também não ocorreu.

    Em compensação, Boca de Lata, Deixa eu Falar, Me Lambe e A Mais Pedida foram entoadas em uníssono pelos presentes. O quarteto ainda conversou com fãs ao final da empreitada e logo partiu em disparada rumo ao próximo compromisso, ainda naquela noite, em Cachoeira do Sul – distante 200km da capital gaúcha.

    Vencida esta primeira etapa, na manhã seguinte foi a vez de encontrar Marky Ramone e sua trupe na porta do hotel. Recém chegando do aeroporto ele atendeu brevemente um pequeno grupo de fãs, posou para fotos e em seguida subiu para o seu quarto.

    Oscar Chinellatto, vocalista da Wardogs (excelente banda italiana tributo aos Ramones) dedicou mais tempo conversando e explicando que os últimos dias haviam sido de intensa correria. Shows à noite e viagens durante o dia, mas que enfim teriam uns dias para descanso.

    Acompanhado dos argentinos Marcelo Gallo (guitarra) e Alejandro Viejo (baixo), ele preferiu não comentar o incidente no Rio de Janeiro em que a banda deixou o palco prematuramente frustrando fãs depois de meros 50 minutos de apresentação. A seu favor, o entrosamento de repetir a formação que em 2014 excursionou pelo país.

    Em Porto Alegre o desafio não seria pequeno. Encerrariam o Let’s Go Punk Rock Festival que ocorreria na tarde de domingo, sediado no mesmo Opinião em que eu estivera na noite anterior.

    Fiquei em débito com a rapaziada de São Leopoldo da Flanders 72 pois perdi a abertura que eles fizeram. No currículo, nada menos que terem aberto para CJ Ramone em 2012 (na cidade de Estância Velha), e agora acrescentando mais um ramone na lista.

    Em seguida foi a vez da Motor City Madness, de Porto Alegre, com sua mistura punk rock stoner. Em um show competente e preciso justificaram os dois cds na praça e o EP em vinil que sai nos próximos dias.

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    Motor City Madness

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    Zumbis do Espaço

    Os Zumbis do Espaço pisaram no palco com a casa tendo uma boa ocupação e contaram com boa adesão do público cantando suas músicas que falam essencialmente de horror e morte (como A marca dos 3 noves invertidos, O mal nunca morre e Caminhando e matandoNos braços da vampira, regravada pelos Inocentes, fechou o set). O baixista Gargoyle, doente, foi substituído neste show por Giovanni Soares do Leather Faces.

    Chegou a vez da Tequila Baby tocar. Na condição de donos da festa que eram, foi como time da casa jogando em estádio cheio. Desfilaram seus vários hits, acumulados desde 1994. Prefiro sua mãe, Sangue, ouro e pólvora, Bem-vindo à sua geração, 51, Velhas Fotos eCaindo (versão para I’ve Just Seen a Face dos Beatles) seguindo o script do Gray Matter.

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    Tequila Baby

    Quando Oscar, Gallo e Viejo subiram ao palco e Marky proferiu seu tradicional ‘Hi Everybody’ o que já era festa, virou êxtase. Precedidas pelo ‘one,two,three,four’ as músicas iam se sucedendo em ritmo alucinante. Vinte anos após a dissolução da banda, o baterista não parece sentir o passar do tempo. Tocava com vigor, no entanto, sem fazer o mínimo esforço. Digno de quem conhece todos os atalhos do que faz.

    A sequência avassaladora era quase que a reprodução exata do set tradicional dos Ramones. Exceto, claro, pelo fato dele não tocar canções originalmente gravadas com Richie na bateria. E a formação, entrosada, deu conta do recado com méritos.

    A essa altura uma senhora de uns 70 anos que havia cantado a plenos pulmões ‘o meu problema é sexo, algemas e cinta-liga’ (hino da Tequila Baby) vibrava com cada canção dos Ramones. Não muito longe dela, a criançada também curtia a apresentação e integrantes das bandas que haviam se apresentado durante toda a tarde também vibravam em meio ao público num clima de festa absoluto sem restrição de idade ou espaço para estrelismos.

    Os três primeiros discos continuam servindo de referência principal, mas mesmo assim houve tempo para I Believe in Miracles e Pet Sematary, lançadas em 1989. Para surpresa de muitos ainda rolou Baby I Love You e What a Wonderful World antes do grande desfecho com o Opinião inteiro bradando o lema HEY HO! LET’S GO! de Blitzkrieg Bop – primeira e mais icônica música do quarteto.

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    Marky Ramone’s Blitzkrieg

    Os Ramones, aliás, souberam fazer escola. Tanto os Raimundos na noite de sábado, quanto as bandas que tocaram no domingo, marcaram presença vendendo discos e camisetas – principal fonte de renda do quarteto nova-iorquino ao longo da carreira.

    Quando a melancólica My Way na voz de Frank Sinatra tomou conta do sistema de som era sinal que o espetáculo havia terminado. Passados dois bis e uma hora e tanto de duração, era tempo de ir pra casa. Antes das onze da noite de domingo, bastante razoável para quem trabalharia no dia seguinte, seja morando na cidade ou enfrentando estrada de volta para o interior do estado.

    O relógio marcava pontualmente 4 horas da manhã com temperatura de um dígito quando desembarquei na rodoviária de Santa Maria – mas isto de nada importava, havia exorcizado ao menos um pouco do fantasma que é não ter visto Raimundos abrindo para os Ramones naquela vez.

    A formação dos Raimundos não é mais a mesma e os Ramones se separaram vinte anos atrás. E ainda faltou o Sepultura. Enfim, parece que a história só se repete como uma farsa (e mesmo assim valeu muito a pena).

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  • carames 10:00 em 24/11/2014 Link Permanente | Resposta
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    Marky Ramone: Ao vivo no Music Hall, Curitiba – 21 de novembro de 2014 

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    Não conheço outro gênero musical que, tal como o rock n’ roll, crie tamanho senso de unidade em seus adeptos. Você chega no primeiro dia de aula e no fundo da sala vê alguém com uma camiseta de banda e instintivamente já sabe que vai ter companhia e assunto para o restante do ano.

    E ninguém melhor que os Ramones para personificar este conceito de irmandade. A adoção de sobrenomes idênticos (o que faz muitos leigos acharem que eram todos parentes) mas principalmente a persistência por tocar tanto tempo juntos apesar de todas as divergências – como se fossem de fato uma família de quem você pode até não gostar eventualmente, mas que não se desfaz por nada.

    Este sentimento ao longo do tempo foi incorporado pelos fãs da banda. Seja no Brasil, Argentina, Chile, Finlândia, Itália ou Japão, eles absorveram este espírito em parte por culpa de Joey e Dee Dee com suas letras sobre famílias disfuncionais mas ao mesmo tempo felizes (We’re a Happy Family e Cretin Family, para dar apenas dois exemplos mais explícitos).

    Foi com este espírito de família reunida que na noite de sexta, 21 de novembro, fãs de vários lugares do Brasil se reuniram na capital paranaense para prestigiar o lendário baterista Marky Ramone. Ele tocou em mais discos e em mais shows que qualquer outro que assumiu este posto ao longo dos 22 anos de carreira da banda.

    É verdade que nem por isto ele é uma unanimidade, principalmente nos últimos anos quando não se esquiva de declarações polêmicas se autointitulando o único e verdadeiro defensor do legado ramônico na terra – mesmo sendo esta uma discussão estéril.

    Polêmicas à parte, ele recebeu fãs no lobby do hotel onde tirou fotos e por um bom tempo autografou, literalmente, mais de uma centena de itens esbanjando simpatia e pedindo “publiquem as fotos no twitter e instagram” e ao final da sessão improvisada fez questão de posar para foto com alguns dos itens que recém assinara.

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    Para o show no Music Hall, ele contou com a companhia do guitarrista Marcelo Gallo e a surpresa Oscar (John Fontaine, vocalista da italiana Wardogs) substituindo Michale Graves que o acompanhou nas últimas turnês de sua Marky Ramone’s Blitzkrieg. Passagem de som feita e casa com boa presença de público, restou ao quarteto subir ao palco e mandar ver três dezenas de hits ramônicos.

    O estilo de Oscar lembra Joey no começo da carreira, claro que o biotipo alto e magro ajuda, mas sua principal contribuição é a execução sem firulas nem paradas o que contribuiu para fluidez do show. Com Menos pausas restou a Marc Bell surrar a bateria impiedosamente.

    Clássicos absolutos como Cretin Hop, Rockaway Beach, I Wanna Be Sedated e Judy is a Punk foram apresentados em velocidade ultrasônica ao longo de pouco mais de uma hora e dois bis.

    Do you remember Rock n’ Roll Radio embalou a homenagem a Tommy Ramone, baterista a quem Marky sucedeu na banda. Tomorrow She Goes Away surgiu como uma bela surpresa em meio a hits que não poderiam ficar de fora como I Believe in Miracles e The KKK Took My Baby Away.

    Numa clara homenagem a Joey, a dobradinha Life’s a Gas (uma pérola de uma linha só: “não fique triste pois eu estarei lá, não fique triste mesmo”) e What a Wonderful World (única que não faz parte do repertório do quarteto).

    Ao final, vários amigos unidos a partir do interesse comum nesta banda única e o êxtase de ver um ‘senhor’ de 56 anos tocando bateria como fosse uma locomotiva sem freios e fechando o show com Blitzkrieg Bop. Você pode estar pensando “mas então foi um show tributo aos Ramones?”, sim, mas com um Ramone na bateria.

    Setlist:
    rockaway beach / teenage lobotomy / psycho therapy / do you wanna dance / i don’t care / sheena is a punk rocker / 53rd and 3rd / now i wanna sniff some glue / gimme gimme shock treatment / rock ‘n’ roll high school / oh oh i love her so / tomorrow she goes away / surfin’ bird / judy is a punk / i believe in miracles / the kkk took my baby away / pet sematary / chinese rock / i wanna be sedated / i don’t wanna walk around with you / pinhead

    rock ‘n’ roll radio / i just want to have something to do / i don’t wanna grow up / cretin hop / ramones

    i wanna be your boyfriend / life’s a gas / what a wonderful world / blitzkrieg bop

     
  • carames 10:00 em 09/09/2014 Link Permanente | Resposta
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    CJ Ramone em dose tripla no sul (2014) 

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    Tal como ocorrido em sua última passagem pelo Rio Grande do Sul em setembro de 2012, a tour de CJ Ramone pelo estado em 2014 ofereceu três momentos para os fãs interagirem com o músico.

    Começando em Novo Hamburgo na noite de 5 de setembro (após tocar em São Paulo, Goiânia, Santos, Uberlândia, Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba e Florianópolis – num ritmo digno das intermináveis turnês dos Ramones) o ex-ramone se apresentou no Rock Show com abertura dos gaúchos da Tequila Baby, que já gravaram cd/dvd com o ex-parceiro de CJ, Marky Ramone.

    Na serra gaúcha o evento aconteceu no Cond Show Bar, em Caxias do Sul, com abertura da banda local Dones Primata. Em seguida foi a vez dos paulistas da Gritando HC com clássicos como Ande de skate e destrua, Quero ser punk com você e a apropriada Quero meu ingresso pro show dos Ramones.

    Em seguida foi a vez dos Replicantes com Festa Punk, Eu Quero é mucra, Astronauta e outras tantas, chamar a galera pra pista. Os veteranos irmãos Cláudio e Heron Heinz, ao lado do batera Cléber Andrade e de Júlia Barth, fizeram jus aos mais de 30 anos de estrada em show rápido mas com pegada que contou com um guitarrista adicional.

    O som, infelizmente deixou a desejar e acabou comprometendo não só as bandas convidadas mas também a atração principal. Após certa demora, CJ subiu ao palco acompanhado de Steve Soto e Dan Root (ambos do Adolescents) nas guitarras e Michael Wildwood (do D Generation– única mudança na formação que passou por aqui dois anos antes) na bateria.

    No setlist, um mix de canções do novo disco que será lançado em novembro, músicas do álbum Reconquista e, claro, vários clássicos dos Ramones. Chama atenção a predileção pelos primeiros discos do grupo. Exceção feita por Strenght to Endure, nenhuma interpretação remete ao tempo de CJ na banda, inaugurado em estúdio com Mondo Bizarro – e a lista não é pequena: Cretin Family, Scattergun, Makin Monsters for my friends, The Crusher, Main Man, My back pages, The Shape of things to come e Journey to the center of the mind.

    No dia em que se comemora a independência do Brasil foi a vez da capital gaúcha receber o último show desta tour no Bar Opinião – palco onde dois anos antes CJ fizera uma participação especial com os Ratos de Porão tocando Commando.

    Na noite de domingo a abertura ficou por conta dos santamarienses da Lugh. Com presença de palco e composições próprias o punk celta logo deu lugar a uma atração de última hora com a proposta de prestar um tributo aos Ramones mas que mostrou-se uma grande roubada.

    O pano de fundo com seu nome e a parede de tijolos do disco de estréia da banda já decoravam o palco pouco antes das 22h quando CJ e cia deram início ao show que durou pouco mais de uma hora mas, mais recheado que o da noite anterior.

    Algumas variações no set valeram o ingresso de quem pode acompanhar mais de um show. Entre as músicas novas destaque para Clusterfuck, hardcore no estilo Wart Hog. Para I wanna be your boyfriend uma mensagem dedicando a canção aos namorados e namoradas mas também namorados e namorados, namoradas e namoradas.

    Não poderia faltar Three Angels, homenagem a Joey, Dee Dee e Johnny (com a adequada menção a Tommy). Dannys Says foi uma das surpresas da noite, incluída de última hora. R.A.M.O.N.E.S. do Motorhead fechou a noite de reencontro, não só de CJ com os fãs mas de amigos que se encontram a cada evento ramônico. Agora é esperar pelo cd em novembro e pela próxima passagem dos caras por aqui.

    Setlist:
    judy is a punk/ understand me/ what we gonna do now/ commando/ king cobra/ judy is a punk/ ghost ring/ low on ammo/ danny says/ carry me away/ last chance to dance/ rockaway beach/ you’re the only one/ strength o endure/ 3 angels/ won’t stop swinging/ i wanna be your boyfriend/ glad to see you go/ clusterfuck/ one more chance/ 53rd and 3rd/ cretin hop/ blitzkrieg bop/ do you wanna dance/ california sun/ i wanna be sedated/ what’s your game/ i just want to have something to do/ sheena is a punk rocker/ r.a.m.o.n.e.s.

     
  • carames 12:52 em 18/10/2012 Link Permanente | Resposta
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    Richie Ramone South American Invasion 2012 em Porto Alegre 


    Após o cancelamento da turnê que aconteceria em agosto, Richard Reinhardt (conhecido como Richie Ramone) se apresenta pela primeira vez na capital gaúcha.

    O evento acontece dia 20 de outubro no Beco (casa que em março deste ano recebeu outra lenda do punk rock – Jello Biafra) e a abertura fica por conta da banda Flanders 72.

    Richie foi baterista dos Ramones tocando em 400 shows, gravou os três álbuns da fase mais hardcore da banda: (Too Tough to Die em 1984, Animal Boy em 1986 e Halfway to Sanity em 1987) e contribuiu em algumas músicas do disco póstumo de Joey Ramone (…Ya Know?) lançado este ano.

    Ingressos:
    http://www.ticketjam.com.br/Evento/Exibir/120-Tributo_Ramones_com_Richie_Ramone
    1º lote 40.00
    2º lote 50.00
    Na hora 60.00
    Meet and greet+soundcheck+show 70.00

    Ponto de Venda:
    Short Fuse – Shopping Total
    Heaven And Hell – Gen. Vitorino, 140/201
    Stoned Discos – Marechal Floriano 371
    Zeppelin – Marechal Floriano 185/209 Gal. Luza

     
  • carames 12:13 em 20/09/2012 Link Permanente | Resposta
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    CJ Ramone em dose tripla no sul 


    Domingo é dia de missa e no dia 16/9/2012 os fãs de Ramones puderam entoar seus hinos de louvor em cerimônia conduzida por CJ Ramone em pessoa.

    A turnê pela América do Sul começou por Estância Velha, cidade próxima da capital gaúcha. Lá, dois grupos de fãs eram maioria: o primeiro (me incluo aí) lamenta-se por não ter ido a um show da banda enquanto teve chance. O segundo grupo, lamenta não ter nascido antes e só descobrir a banda muito depois deles terem se separado.

    Foi a chance de todos se redimirem por seus pecados começando pelo one, two, three, four de Judy is a Punk. O show seguiu com Blitzkrieg Bop, Psycho Therapy, Listen to my Heart e canções mais hardcore como Endless Vacation e Wart Hog.

    Acompanhado de Michael Stamberg (bateria) e Steve Soto em uma das guitarras o sucessor de Dee Dee Ramone tocou ainda músicas de seu novo cd (Reconquista) – tributo a santíssima trindade (Joey, Johnny e Dee Dee).

    Na van de volta a Porto Alegre tocava Cretin Hop e foi impossível não lembrar daquele episódio da banda na Argentina, ilustrado em Lifestyles of the Ramones.

    Setlist:
    Judy is a Punk/ Beat on the Brat/ Blitzkrieg Bop/ Cretin Hop/ What we gonna do now?/ Endless Vacation/ Listen to my heart/ She’s the One/ You’re the only one/ Sheena is a punk rocker/ Psycho Therapy/ I don’t wanna walk around with you/ Ghost ring/ Commando/ I Wanna be your boyfriend/ Glad to see you go/ Strength to endure/ Waiting for my man/ I wanna be sedated/ Aloha Oe/ Pinhead/ Three Angels/ Do you Wanna Dance/ California Sun/ R.A.M.O.N.E.S.

    No dia seguinte foi a vez de um grupo de fãs poder entrevistar o baixista em um programa de tv local. CJ, bem humorado respondeu a todos eles e na saída ainda posou para fotos e autografou discos. Deu tempo ainda de ser entrevistado para uma rádio e para uma webrádio.

    A tarefa parecia ter sido cumprida, afinal, ir ao show e acompanhar o baixista em um programa de tv já estava de bom tamanho. Eis que a providência divina se encarregou de uma grata surpresa pois os Ratos de Porão tocariam em Porto Alegre na noite daquela segunda-feira. E se domingo foi dia de missa, na segunda foi a noite da benção.

    Em 1991 o vocalista do RDP, João Gordo, havia cantado Commando com os Ramones em São Paulo a convite do quarteto. Chegava a hora de retribuir o convite e no palco do Opinião, CJ tocou baixo na mesma música para delírio dos presentes. Agora sim, missão cumprida.


     
    • carames 13:12 em 20/09/2012 Link Permanente | Resposta

    • Joelço 18:09 em 20/09/2012 Link Permanente | Resposta

      Tive o prazer de estar com esta galera da entervista com o CJ e poder fazer uma pergunta a ele,,já que no show do RDP e de Estancia Velha não pude ir,,,CJ esbanja atenção e reconhecimento aos fãs,,sabe muito bem que esta imortalizado musicalmente e que suas canções influênciam gerações,,e por isso a cada vez que fala dos Ramones percebe-se sua emoção e carinho a eles (CJ disse em uma resposta que Joey,Johnny e Dee Dee sempre estão presentes com ele no palco)…valew ter conhecido o cara!!

  • carames 15:27 em 26/07/2012 Link Permanente | Resposta
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    CJ Ramone anuncia shows pelo Brasil 

    Se Richie Ramone cancelou sua passagem pela América do Sul, os fãs poderão conferir de perto a apresentação de outro Ramone, desta vez CJ Ramone (ex-baixista da banda) anunciou datas de sua passagem pelo Brasil.

    A notícia é do Zona Punk:

    CJ Ramone anuncia shows pelo Brasil

    CP Management acaba de confirmar o retorno de CJ Ramone, baixista do lendário Ramones, ao Brasil. O músico, que foi escolhido para substituir Dee Dee e fez parte do grupo por exatos nove anos, tem passagem marcada para desembarcar no Brasil entre os dias 16 a 21 de setembro de 2012.

    As datas, até o momento, são as seguintes:

    16/09 – Porto Alegre – TBA*
    18/09 – TBA
    19/09 – São Paulo – TBA
    20/09 – Goiania – Bolshoi Pub
    21/09 – Brasília – Arena Futebol ClubNeste momento, CJ Ramone, é acompanhado por Steve Soto (Adolescents) na guitarra e Michael Stamberg na bateria. No repertório, estão todas as composições que são verdadeiros clássicos do Rock `n Roll.

    A turnê pela América do Sul está programada para passar por Chile, Argentina, Uruguai e diversas cidades do Brasil. Promotores interessados em contratar o show de CJ Ramone devem entrar em contato no e-mail runawayrec@hotmail.com ou cacaprates@live.com.

    *o show do Rio Grande do Sul foi confirmado em Estância Velha, próximo de Porto Alegre:

     
  • carames 15:22 em 25/07/2012 Link Permanente | Resposta
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    Richie Ramone cancela show no Brasil 

    Richie Ramone cancela show no Brasil

    “Por motivos de força maior a turnê sul-americana do Richie Ramone foi cancelada. A partir de 20/07 todos que compraram ingressos possuem 30 dias para solicitar seu dinheiro de volta nos pontos onde compraram os ingressos”. Esta é a nota no site do  Manifesto Bar, anunciando o cancelamento da tour do ex-Ramone pelo Brasil.

    Publicado por Zona Punk.

    A turnê do ex-baterista dos Ramones estava prevista para o próximo mês (confira). Ele dividiu o palco há poucos dias com CJ Ramone, ex-baixista da mesma banda.

    Confira mais sobre os Ramones aqui.

     
  • carames 19:36 em 16/07/2012 Link Permanente | Resposta
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    Show: At The Drive-In – Live At Electric Ballroom, 2000-12-07 

     
  • carames 23:10 em 20/06/2012 Link Permanente | Resposta
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    Olê, Olê, Olê, Olê,… Dead Fish!, Dead Fish! 

    Vocalista Rodrigo Lima em momento voador no Opinião, em Porto Alegre

    Manter uma banda com integridade durante 20 anos ou mais está longe de ser algo fácil. Que fique claro que essa honestidade em estar na ativa por cerca de duas décadas nada tem a ver com sucesso. Ao menos não com aquele que significa vender um número absurdo de discos, tocar incessantemente em rádios, ter fãs histéricas, levar multidões aos shows. O lance é outro. Tem a ver com a capacidade de manter-se relevante, de produzir novidades, de lançar trabalhos com certa periodicidade, de fazer shows, de estar próximo aos fãs. E essas são atividades que o Dead Fish e o Garege Fuzz fazem e sempre fizeram, desde o início de suas carreiras, lá no começo dos anos 90. No dia 14 de junho, os dois grupos se apresentaram em Porto Alegre, no Opinião, mostrando que ainda tem vivacidade e provando a atemporalidade de suas composições.

     

    Para abrir a noite, foram escalados os porto-alegrenses da Campbell Trio. O conjunto é, atualmente, uma espécie de sensação do cenário independente local. Rafa (baixo), André (bateria) e Diego W.P (guitarra e voz) fazem um post-hardcore competente, com músicas trabalhadas. Ao vivo, eles têm presença de palco, mesmo com a pouca trajetória. Ainda assim, em alguns momentos, o show soa um tanto repetitivo. Mas não há dúvidas de que se trata de uma banda com um puta potencial.

    Depois do trio, foi a vez dos santistas do Garage Fuzz. O quinteto Fernando Zambeli (guitarra), Wagner Reis (guitarra), Daniel Siqueira (bateria), Fabrício de Souza (baixo) e Alexandre “Sesper” Cruz (voz) já passaram por Porto Alegre um punhado de vezes. Ainda assim, conseguem sempre, com execuções eficientes, atestar a qualidade de suas músicas. Em alguns momentos, a banda pareceu meio perdida, ou não muito à vontade. Mas os pontos positivos do show foram bem superiores aos negativos. A abertura com ‘Old Red Low Top’ foi um dos acertos. Belos momentos também em ‘Shore of Hope’, Dear Cinammon Tea’, ‘A Mutt Running Nowhere’, ‘After the Rain’  e ‘Dying Trying’. O grupo também apresentou uma nova canção, chamada ‘Warm and Cold’, que deve entrar em um EP previsto para ser lançado em breve. Na primeira tentativa de executar o novo som, a banda não se entendeu e preferiu mandar ‘It’s funny’. Depois sim, tocou a composição que ainda não consta em nenhum de seus trabalhos.

    Enquanto técnicos de som e roadies preparavam o equipamento paro o Dead Fish – que veio lançar na Capital seu DVD ‘Ao Vivo 20 Anos -, a galera já bradava a tradicional saudação: ei Dead Fish, vai tomá no cu! Quando a banda apareceu em cena, porém, o chamamento foi mais brando. Numa pegada meio torcida organizada, o público puxou um sonoro “olê, olê, olê, olê… Dead Fish, Dead Fish”. Foi um belo cartão de visitas! Tanto que o vocalista Rodrigo Lima – que disse estar cansado do bordão autodepreciativo criado por ele mesmo (confira na entrevista no fim da resenha) – lascou com ar de satisfação: “Coisa mais linda! Nunca tinha não tinha ouvido essa!”. Com jogo, ganho ele e os companheiros Alyand (baixo), Phil (guitarra) e Marcão (bateria) promoveram um furacão de insanidade que já virou comum nos shows do grupo. Entre petardos como ‘Não’, ‘Sonhos Colonizados’, ‘Vencedores’, ‘Molotv’, e tantos outros, Rodrigo citou amigos porto-alegrenses (no caso, o cozinheiro Alan Chaves e a banda No Rest – atualmente em mais uma turnê pela Europa). Sobrou até para este que vos escreve fazer uma participação em ‘Fragmentos’. Claro, também não faltaram crássicos do naipe de ‘Sonho Médio’, ‘Bem-vindo ao Clube’, ‘Proprietários do Terceiro Mundo’, Você’, ‘Senhor Seu Troco, ‘A Urgência’ e ‘Queda Livre’.

    Entrevista com Rodrigo Lima:

    Texto: Homero Pivotto Jr.

    Foto: Eduardo Biermann

    Postado originalmente no site da Putzgrila

     
  • carames 14:48 em 10/06/2012 Link Permanente | Resposta
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    Jello Biafra e o verdadeiro espírito punk 


    Jello no começo do show em POA, vestindo um casaco com as cores da bandeira dos EUA sujo de sangue

             Jello Biafra, ex-vocalista da lendária Dead Kennedys, voltou ao Brasil em março para quatro apresentações com seu novo grupo, o Guantanamo School of Medicine. Em sua passagem por Porto Alegre, conseguimos colar no homem e entrevistá-lo. Durante o bate-papo, o cinquentão afirmou que ainda sabe fazer boas músicas, praguejou ex-companheiros e mostrou-se antenado na política mundial.

     

    Entrevista e texto: Homero Pivotto Jr.

    Vídeos: Homero Pivotto Jr. e Paulo Caramês

    Foto: Nelson Godoy Espindola

    Sustentar pontos de vista fortes e bem fundamentados pode incomodar. Que o diga o lendário vocalista Jello Biafra, ex-Dead Kennedys e atual líder do The Guantanamo School of Medicine, que levou uma surra de gente que o achava “vendido”. Logo ele que sustenta até hoje uma postura crítica e combativa em relação a certos valores da sociedade, e mantém uma gravadora independente – que garante não dar lucro – só para poder lançar artistas nos quais acredita.

    Beirando os 54 anos, Jello segue promovendo shows explosivos, sem abrir mão das performances inquietas, teatrais e cheias de discursos inflamados. O repertório dos espetáculos é baseado nos dois trabalhos do Guantano School of Medicine: The Audacity of Hype (2009) e EnhancedMethods of Questioning (2011). Os hinos do antigo grupo, como ‘Holiday in Cambodia’ e ‘Nazi Punks Fuck Off’, também são tocados, mas ocupam bem menos espaço no set list do que as composições mais recentes. Afinal, Jello perdeu o controle sobre o catálogo dos  Kennedys para os ex-campanheiros East Bay Ray, Klaus Floride e D.H Peligro. Ainda assim, detém os direitos autorais sobre as músicas que escreveu.

    Fora do palco, Eric Baucher (nome verdadeiro de Jello) é um tiozinho simpático e educado. Apesar de, em ação, agir como se tivesse usado alguma substância alucinógena, afirma categoricamente que seu único vício é a paixão por vinis. O gosto pelos bolachões é tanto que Jello até perguntou se existiria a possibilidade de alguma loja de discos abrir para ele garimpar long plays depois da apresentação. Se o antigo formato fonográfico mora no coração do veterano cantor, a política corre em seu sangue. O militante do Partido Verde dos Estados Unidos (sigla pela qual já concorreu a prefeitura de São Francisco, Califórnia) sabe que é preciso alimentar o espírito punk com informação. E faz questão de deixar isso explícito falando de modo calmo, articulando bem suas palavras. Foi assim que ele tentou se expressar no trajeto do aeroporto Salgado Filho até o hotel onde ficou hospedado em Porto Alegre, mesmo com o barulho gerado pelo caos urbano. 

    Você é considerado uma lenda do punk rock. Na sua concepção, o que é ser punk de verdade hoje em dia?

    Jello Biafra – Eu estou me lixando sobre o que é e o que não é ser um punk de verdade. Para mim, o espírito punk é o mesmo dos hippies contra a guerra do Vietnã, dos Beatniks e de outros movimentos radicais que lutam por algum tipo de mudança positiva. Investir em um sistema de trens eficiente e educar as pessoas para usá-lo poderia ser um punk (Jello estava preso no tráfego e avistou os trilhos di trensurb). Assim, poderíamos entrar nos trens e ir até a cidade rapidamente. Agora, estamos aqui sentados, presos no que parece ser um engarrafamento do caralho (a entrevista foi feita durante o trajeto que Jello fez do aeroporto até o hotel, no centro de Porto Alegre, por volta das 17h45min). O tempo que perdemos aqui poderíamos estar procurando por vinis. Isso é triste! (risos)

    E sobre o cenário punk atual, qual a sua opinião?

    Jello Biafra – Não há UMA cena punk! O que existe são cenas diferentes. É algo muito grande, não há uma única cena.

    Nem mesmo no undergound?

    Jello Biafra – Também não existe só um underground, mas vários. Há pessoas que são da cena pop punk comercial, outras que estão de maneira pesada no hardcore ou no anarquismo… ou em muitas outras vertentes entre essas que citei. Não estou falando sobre o espírito punk. Quero dizer: o lado mais político e consciente do hip-hop se encaixa melhor no punk do que letras como ‘a garota me deu um fora’ ou gente que se veste como Sid Viscious, mas soa e age como integrante de boy band. Não quer dizer que o pop punk seja ruim. Mas eu mantenho bandas desse tipo longe do meu stereo assim que percebo tratar-se de uma versão ruim do NOFX. Ao invés de soarem como o NOFX, esses grupos parecem o Eagles com guitarras barulhentas.

    É uma boa visão do punk na atualidade.

    Jello Biafra – Na verdade, não. Só quero dizer que não podemos falar sobre ‘a’ cena, pois é algo amplo demais. É como falar sobre o cenário rock. O que isso significa? Não é só separar por estilo, mas pelo que é feito em cada cidade, em cada país. De qualquer maneira, eu escuto diversos tipos de música sem me preocupar se é ou não punk. Talvez as pessoas digam que não há nada bom no punk, que o estilo morreu junto com o Darby Crash (vocalista do The Germs encontrado morto por overdose de heroína quando tinha 22 anos). Seria bom criticar menos e sair da própria sala para lutar por mudanças. Outra resposta pode ser a de que a cena é você que faz. Sou feliz por meu gosto musical transitar em várias direções. Gosto de buscar artistas desconhecidos, procurar algo que venha de países inexplorados. Assim, qualquer música que eu não tenha ouvido com meus próprios ouvidos soará automaticamente nova. Eu estou sempre interessado em descobrir novos sons. O problema é levar para casa muitos vinis trazidos de lugares por onde passo e depois não ter tempo para ouvir tudo (risos).

    Como você vê o legado deixado pelo Dead Kennedys?

    Jello Biafra – Eu não gasto muito meu tempo olhando para o passado. Sou um pessoa da atualidade, e não retrô. E isso deve ficar evidente pelo show que faremos hoje à noite (a entrevista foi feita na tarde de 27 de março, antes do show em Porto Alegre). Com certeza, algumas pessoas querem ver o Jello Biafra do Dead Kennedys. Mas agora eu tenho  uma nova banda (Jello Biafra and The Guantanamo School of Medicine), com novas composições. Eu escrevi a maior parte das músicas do Dead Kennedys, então, eu não esqueci como criar bons sons. A fonte de onde isso vem é sempre punk. Mesmo quando tentamos ultrapassar os limites musicais do gênero e o misturamos a outros estilos, fazendo experiências. O Dead Kennedys não soa como uma banda punk normal. Isso é engraçado, porque éramos ferozes demais para os fãs das bandas de garagem e muito estranhos para alguns, mas não todos, os punks. Boa parte das pessoas que vão aos shows agora e que eram admiradoras do DK irão gostar do Guantanamo School of Medicine… mesmo que não haja a intenção de fazer a banda nova parecer o Dead Kennedys. Certos sons simplesmente brotam da minha mente, porque é o jeito que eu escrevo música. Eu sou muito orgulhoso do que fiz com o Dead Kennedys. Muitas pessoas ainda são inspiradas pelas ideias de que você não está sozinho e que está ok ser radical e atacar o sistema capitalista opressor sem ser um idiota. É algo muito legal e gratificante que o público ainda tenha isso como inspiração, mesmo que as canções tenham sido escritas há cerca de 30 anos. Há muita gente nova nos shows do Guantanamo, não só gente do tempo do DK. É uma grande mistura de gerações. Em Buenos Aires, São Paulo e Curitiba, por exemplo, havia muita gente com, digamos, metade da minha idade.

    Você é um artista prolífico, sempre envolvido com projetos interessantes. Por exemplo: o LARD (banda com e Al Jourgensen e Paul Barker, do Ministry), as contribuições com o D.O.A e o Nomeansno (ambas do Canadá), os trabalhos com o The Melvins, além dos álbuns de spoken words. Algum desses outros projetos está em atividade? Recentemente você gravou uma música com o D.O.A novamente, certo?

    Jello Biafra – Não foi a mesma coisa. Nós não ficamos na mesma sala escrevendo a música. Joey (Shithead, voz e guitarra do D.O.A) enviou a faixa por arquivo digital e eu apenas coloquei minha parte do vocal. A letra é dele e fala sobre respeito e inspiração tirados do movimento Occupy Wall Street. Eu tenho uma música sobre esse assunto também, chama-se ‘Shockupy’.

    Sobre a série de vídeos What Would Jello Do, que você disponibiliza na web. Quando começou e qual o objetivo?

    Jello Biafra – Por que eu preciso de um objetivo? Por que diabos não posso apenas fazer algo (risos)? Foi uma alternativa que encontrei por não ter mais tempo para os shows de spoken words. Eu havia esquecido quanto tempo e energia uma banda suga das outras coisas que curto fazer. Gosto de fazer algumas declarações de tempo em tempo, mas não de blogar. Não sou bom de sentar e escrever bastante. Eu teria de escrever uma longa carta para o presidente Obama, por exemplo. Alguns escritores e jornalista conseguem isso em um dia, mas eu talvez precisasse de um mês. Escrevo devagar e isso é estressante. Uma maneira de dar vazão as palavras que quero espalhar é ligar a câmera, sem ensaio, e gravar. É por isso que existem tantos erros nas gravações (risos).

    Soa natural… é apenas o Jello e sua sinceridade.

    Jello – Sim! Quem deu a ideia foi uma amiga (Jane Hamsher) que mantém um blog importante sobre políticaem Washington. Às vezes, ela também aparece em noticiários de TV como comentarista. Há alguns anos ela trabalhou na produção do filme Natural Born Killers (Assassinos por Natureza), no qual ajudou a colocar uma música do Lard na trilha sonora. Ainda antes disso, era uma estudante universitária que frequentava shows do Dead Kennedys e de outras bandas. Ela queria que eu colaborasse com o blog, algo que eu realmente queria fazer, mas…
    Ela não gosta do fato de eu ser uma pessoa ‘não-digital’, apesar de ter meu computador. Então, Jane me deu uma câmera durante um jantar e disse: ‘tome, faça algo com isso!’. Eu fiz! Até trouxe comigo a camiseta que uso nos vídeos, caso eu tenha alguma ideia para gravar. Porém, há tempos não tenho uma. O que eu aprendi de negativo com o ‘What Would Jello Do’ é que mesmo não querendo ser um comentarista de política famoso, é preciso fazer os vídeos com frequência. E isso toma tempo. O ideal seria gravar diariamente. Pelo menos eu consigo espalhar meus pensamentos doentios e germes por meio da minha arte. Uma das grandes frustrações na minha vida é que sou muito devagar para finalizar algo. Eu nunca tenho tempo suficiente pra realiar tudo que quero fazer. São muitos riffs que não sei o que fazer, muitas letras que nunca termino… é uma loucura!

    O ex-Dead Kennedys e suas performances teatrais

    É verdade que você carrega sempre um gravador para registrar os momentos de inspiração e não esquecer as ideias legais que tem?

    Jello Biafra – Sim, está ali atrás na van! Tenho feito isso desde 1977. Eu achava que perderia a ideia, por isso a coloco para fora. Isso virou um pé no caso… buscar o que há nas fitas (que são muitas) e encontrar o que fazer com tudo isso leva tempo. Mas, isso funciona para mim.

    Você caminha pelas ruas com o gravador, feito um louco registrando algo em que está pensando?

    Jello Biafra – Geralmente eu não carrego o gravador todo o tempo. Às vezes, me arrependo de não estar com ele. Outras, estou com ele e não tenho ideias. Tenho duas pilhas com cerca de 200 e 400 fitas cada. Eu não fico preocupado de não ter mais ideias. Até porque os americanos estão sempre agindo como idiotas e esse é outro motivo que faz com que eu sempre tenha inspirações.

    Vamos falar sobre a Alternative Tentacles, sua gravadora. Você fundou no fim dos anos 70, certo?

    Jello Biafra – A Alternative Tentacles lançou o primeiro single do Dead Kennedys, ‘California Über Alles’. Eu escolhi o nome e o East Bay Ray (ex-guitarrista do Dead Kennedys) trabalhou duro para fazer e vender alguns discos. Éramos nós dois, mas ele resolveu sair quando percebeu que a gravadora não seria grande e nem faria dinheiro fácil. Foi a melhor coisa que ele fez para mim em anos!

    Hoje em dia, com a Internet e outras ferramentas digitais relacionadas à música, ainda vale a pena manter um negócio desse tipo?

    Jello Biafra – É parte da minha alma, preciso de uma gravadora. A razão é que vários artistas percebem que leva muito tempo para se tornar uma banda de verdade só com Myspace, Facebook ou algum outro site. Eles querem sair e tocar para as pessoas, mas não querem correr atrás do dinheiro para gravar os próprios discos sem serem pagos por isso. Os artistas veem nas gravadoras uma maneira de tirar um peso das costas. As pessoas enxergam a Alternative Tentacles como uma oportunidade de conseguir espaços para tocar. Ter uma gravadora hoje em dia é diferente de como era antes. Eu me pergunto regularmente: “devo continuar?”. Acredito que sim! É um pé no saco, só dá prejuízo, mas ainda é bom. Prefiro isso a ficar sentado aplicando na bolsa de ações, contando cada centavo e me tornando lentamente uma pessoa insanamente gananciosa como o ex-guitarrista do Dead Kennedys. Isso me dá um exemplo muito negativo do tipo de pessoa que podemos nos tornar. Prefiro olhar para trás e pensar ‘uau, quantos trabalhos legais eu ajudei a lançar’. Muitos deles talvez nem tivessem saído sem a ajuda da Alternative Tentacles.

    E sobre sua paixão por vinis. Costuma comprar LPs por todos os lugares por onde passa?

    Jello Biafra – É meu único vício! Eu nunca fui usuário de drogas. Se fosse, provavelmente estaria morto como outros viciados que conheci. Música, especialmente vinil, é minha perdição. Isso é ruim às vezes, pois cômodos inteiros da minha casa têm discos pelo chão, pelas paredes. Minha mãe era bibliotecária, então eu tenho uma memória bibliotecária.

    Você já trabalhou com artistas de gêneros diferentes, como Sepultura, Brujeria, Offspring, Nomeansno, The Melvins… Costuma ouvir essas bandas? O que tem ouvido atualmente?

    Jello Biafra – Eu mudo todo dia. Como não estou sempre com meu mp3 player eu não posso dizer o que estou ouvindo hoje. Além disso, costumo ouvir o que toca nos ambientes onde estou. Obvio que sou fã de todas as bandas da minha gravadora.

    Li em uma entrevista antiga sobre um problema que você tem no joelho. Está tudo ok agora?

    Jello Biafra – Não é uma doença. Fui atacado por valentões que acharam que eu era um vendido. Ironicamente, alguns meses antes eu havia sido ridicularizado pelos ex-membros gananciosos do Dead Kennedys por não ser vendido. Foi um período desagradável na minha vida. O joelho nunca mais será o mesmo, mas está melhor. Foram ossos quebrados, ligamentos e meniscos rompidos… mas não dói com frequência, apesar de ficar inchado depois dos shows.

    Sabe algo sobre a política brasileira?

    Jello Biafra – Eu sei o nome da presidente (Dilma Rousseff) e que ela é a escolhida de Lula para ser sua sucessora. Tenho a impressão que algumas pessoas amam muito o Lula e outros acham que ele é como Obama, que prometeu muitas coisas e não cumpriu. Eu ouvi e li que a economia brasileira está bem melhor do que costumava ser. Porém, isso cria um conjunto particular de problemas. Ainda continua existindo pobreza, ainda existe poluição. Muitos países viram-se destroçados com a descoberta de petróleo. Isso por que certas pessoas roubam dinheiro e preferem uma ditadura para poderem se aproveitar ainda mais. É um desastre para o meio-ambiente. De tempos em tempos notícias chegam à América sobre as queimadas na floresta tropical Amazônica e os assassinatos de ativistas ecológicos. Recebo poucas e esparsas informações sobre isso. Visualmente, desde a primeira vez que estive aqui, em 1992, parece que muita coisa mudou. Há muito mais dinheiro sendo gasto. Em cidades como São Paulo, há prédios enormes, construções por todos os lado, esses corredores pequenos (vias alternativas e corredores de ônibus)… coisas que parecem com o filme mudoMetropolis, de Fritz Lang. Leva tanto tempo para sobrevoar São Paulo quanto dirigir em grandes cidades mundo afora.

    O que acha de músicos entrando em eleições para cargos públicos, como Randy Blythe (vocalista do Lamb of God)? Ele disse recentemente que deve candidatar-se à presidência dos Estados Unidos.

    Jello Biafra – Eu não ouvi nada sobre isso. Já tivemos presidentes tão ruins que músicos não podem ser tão piores… mas nunca se sabe. Eu me preocupo com o fato de celebridades usarem sua fama para conquistar poder político, como o Arnold Schwarzenegger. Nesses casos, eles não sabem o que fazer quando chegam lá. Por exemplo: todo mundo tem medo do ‘exterminador’, menos os membros do seu partido que o criticam por não ser tão direitista. Ele quis ser presidente, então tentou mudar a constituição. A possibilidade de ele ser presidente dos EUA realmente me assusta. Cuidado se um austríaco quiser dominar o mundo! Depois de todas as batalhas e de incompetentes tentando fazer algo positivo no estado da Califórnia, acho que os eleitores decidiram eleger uma estrela de cinema com o pênis no lugar do cérebro.

    Qual sua avaliação sobre a administração do presidente Obama?

    Jello Biafra – De alguma maneira ainda é muito perigosa. Eu não votei em Obama porque, quando senador, ele frequentemente votava da maneira que Bush queria. Ele é definitivamente uma criatura das corporações. Eu realmente me pergunto o que ele quer da vida. É um homem com ótimo discurso. O que ele fez foi dar a Wall Street tudo o que ela quis. Ele tem um ego tão grande que quis virar presidente com 47 anos. Tinha que ser Obama, pois seus olhos estavam na história. Mas o que ele queria que a história fosse? Acho que, de todas as suas falhas, a que mais me assusta é ele não trazer nenhum criminoso de guerra do regime Bush para julgamento. É preciso julgar e prender essas pessoas antes que eles consigam ainda mais poder e ninguém possa detê-los.

    Postado originalmente em Radioputzgrila.com.br

     
  • carames 16:13 em 01/05/2012 Link Permanente | Resposta
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    Ramones: 2263 shows, setlists, gráficos e muita insônia 


    O que um sujeito com insônia e uma planilha excel é capaz de fazer? Uma opção é pesquisar os 2263 shows que sua banda preferida (no meu caso, Ramones) fez entre 1974 e 1996. Agora, saber onde e quando ocorreu cada show parece ser uma missão impossível pois não existe uma fonte confiável e que reúna 100% destas informações e muitas delas misturam datas de shows com apresentações em programas de tv, por exemplo, o que excederia os 2263 já citados.

    Reza a lenda que Johnny Ramone mantinha um registro minucioso de cada atividade da banda, financeira ou artística. Como parece remota a chance de ter acesso a esse material, resolvi pesquisar em sites especializados, blogs, livros e discos para tentar reconstruir a trajetória da banda ao vivo.

    Depois de muita pesquisa e inúmeras fontes o máximo que havia conseguido identificar eram exatas 2129 datas, restando uma centena a ser catalogada. Meses quebrando a cabeça e eis que, graças a uma destas bem-vindas amizades da internet, consigo as datas que faltavam para mapear 100% das turnês feitas ao longo de 22 anos.

    O segundo passo era saber que música eles tocaram em cada apresentação, o que até o momento parece ser impossível. Ainda assim, rastrear os setlists de 25% dos shows foi um feito e tanto e dá uma amostragem considerável.

    Com apenas um quarto dos setlists conhecido algumas percepções são possíveis embora não possam ser conclusivas. Joguei este monte de datas e dados no excel e Blitzkrieg Bop, hino absoluto da banda, está presente em 99% das vezes (certamente de algum show interrompido ou setlist incompleto – lembre-se, nesta lista também estão apresentações de tv). O homônimo álbum de estréia teve suas músicas executadas à exaustão e Rocket to Russia, um dos melhores discos já feitos na história da música, é um dos que mais contribuiu para composição dos setlists da banda.

    Mas nem tudo é tão óbvio. Ter Gimme Gimme Shock Treatment (97%) e Today your love, tomorrow the world (96%) na 2ª e 3ª colocações (ao menos para mim) foi uma surpresa mesmo que em uma leitura ainda preliminar. Pensar que 53rd & 3rd não chegou nem perto me forçou a ver diversas músicas com outros olhos – ou outros ouvidos.


    Examinar cada disco detalhadamente também é curioso. Ramones (1976) e Leave Home (1977) tiveram todas as suas músicas executadas diversas vezes e Rocket to Russia (com apenas duas inéditas ao vivo) representava quase metade do setlist à época que fora lançado.

    O período de 1977-1980 é o que registra historicamente maior atividade da banda em turnê (quase 600 datas) e uma distribuição quase igualitária entre os cinco discos até então lançados. Outro detalhe interessante: a partir de 1977 até Pleasant Dreams de 1981, cada disco teve no máximo 2 ou 3 músicas que não foram tocadas ao vivo.

    Do Subterranean Jungle (1983) apenas metade das músicas figurariam em algum setlist, fenômeno repetido em todos os discos a partir dali e chegando ao mínimo com ¡Adios Amigos! (1995) – 3 de 13 músicas apresentadas ao vivo.

    Lá pela metade dos anos 1980 o show tinha o contorno com o qual funcionaria até o fim da banda limitando-se a temporariamente incluir temas recém lançados (figura acima). Poucas destas canções permaneciam na turnê seguinte, vide exemplo do último set da banda quando os cinco primeiros álbuns contribuíram com mais de 60% das músicas (figura abaixo)

    A composição dos setlists alternava canções a medida que novos álbuns eram lançados embora a estrutura fosse respeitada (abertura com o tema do filme Três homens em conflito, dois bis de três músicas cada, trinta e poucas canções ao todo e FIM).

    Aliás, o tema composto por Ennio Morricone para o filme de Sergio Leone aparece pela primeira vez* no show de 22 de outubro de 1981 na Inglaterra. Já Durango 95 estrearia* em 16 de março de 1983 em lugar do rufar de tambores militares que abriam os shows da banda.

    As covers ausentes no estúdio apenas em Pleasant Dreams (1981), Too Tough to Die (1984), Animal Boy (1985) e Halfway to Sanity (1987) com frequência chegavam a 4 por show garantindo Surfin’ Bird entre as 20 mais tocadas.

    O último show realizado em agosto de 1996 (We’re outta here) deixou de fora I Wanna Live, frequente desde que fora lançada no álbum Halfway to Sanity e as covers de Acid Eaters (1993). Ainda assim, Any way you want it, cover de Dave Clark Five com acompanhamento (algo praticamente inédito até este show) de Eddie Vedder do Pearl Jam ficou responsável por ser a última canção interpretada por eles ao vivo como banda.

    Confira outras curiosidades da pesquisa:

    As formações:
    A banda tocou pela primeira vez como um trio (Joey – bateria, Johnny – guitarra e Dee Dee – baixo e vocal) no primeiro show (em 30 de março de 1974) e logo incorporou o então produtor Tommy como baterista deixando Joey com os vocais. Esta formação esteve junto por mais de 350 vezes até seu último show (em 04 de maio de 1978) quando Tommy foi substituído por Marky.

    Marky tocou em 1500 shows divididos em dois períodos. O primeiro durou até 13 de fevereiro de 1983 quando ele perdeu o posto para Richie (403 shows) e só retornou em 4 de setembro de 1987. Elvis Ramone chegou a se apresentar nos dias 28 e 29 de agosto de 1987 mas não agradou, principalmente a Johnny, que recrutou Marky de volta.

    A última mudança na formação da banda aconteceria em setembro de 1989 quando CJ Ramone (no dia 30 daquele mês) estrearia ao vivo assumindo o baixo que fora de Dee Dee até então. Daí por diante foram mais 733 shows completando a segunda fase de Marky nas baquetas.

    Ao redor do mundo:
    Quase metade dos shows aconteceram fora dos Estados Unidos. Foram 33 países, entre eles o Brasil, onde tocaram 22 vezes. Confira os mais visitados:
    Inglaterra 120
    Canadá 81
    Alemanha 62
    Japão 54
    Espanha 50

    As 10 mais tocadas*:
    Blitzkrieg Bop (Ramones) 540
    Gimme Gimme Shock Treatment (Leave Home) 534
    Today Your Love, Tomorrow the World (Ramones) 525
    Pinhead (Leave Home) 523
    Sheena Is A Punk Rocker (Rocket to Russia) 520
    Cretin Hop (Rocket to Russia) 518
    Teenage Lobotomy (Rocket to Russia) 511
    Rockaway Beach (Rocket to Russia) 510
    I Wanna Be Sedated (Road to Ruin) 496
    Rock ‘N’ Roll High School (End of the Century) 492

    Os 5 anos mais movimentados:
    1979 – 154
    1980 – 154
    1977 – 147
    1978 – 136
    1990 – 125

    *lembrando que estes números são baseados nos setlists conhecidos (25% do total) e ainda podem ser atualizados.


     
    • Marcus Pádula 16:33 em 01/05/2012 Link Permanente | Resposta

      Muito bom!!! Parabéns pelo ótimo trabalho e dedicação!!!

    • William Ramone 18:48 em 01/05/2012 Link Permanente | Resposta

      Cara, show de bola.
      Quem disse que o excel é uma porcaria ? Achamos uma utilidade.
      Parabéns pelo trabalho eficiente e que com certeza foi arduo. Gabba Gabba Hey

    • Helio Volpato 22:47 em 01/05/2012 Link Permanente | Resposta

      MUITO BOM! Há tempos atrás eu estava fazendo um levantamento das cações tocadas em todos os shows e quanto começaram a fazer mudanças nos shows, como a introdução de Durango 95, por exemplo, mas meu tempo livre desapareceu e nunca terminei. Parabéns!

    • Rodrigo Montemezzo 0:04 em 02/05/2012 Link Permanente | Resposta

      Muito bom o levantamento, rapáz! Adoro estatísticas… O legal também é a sequência das músicas… Isso é muito importante… pq durante muito tempo foi, por exemplo, Loudmouth quem começava… mas tem um show na Inglaterra que começa com I wanna be Sedated… fora outros shows q começaram com sons que eram do meio da set… Muito foda!! PARABÉNS!!!

      • carames 0:58 em 02/05/2012 Link Permanente | Resposta

        é verdade Rodrigo. e por muito tempo eles abriram com rockaway beach, depois ela foi sendo empurrada pra mais adiante. a finaleira tb é legal, nem sempre terminou com we’re a happy family como eu imaginava… mas que na minha opinião deveria ter sido a última no último show, ou então, Pinhead. “lamentável” que tenha sido ‘any way you want it’, hehehe.

    • Gustavo Ruttke 3:19 em 02/05/2012 Link Permanente | Resposta

      Fantástico o texto!!! Parabéns pelo excelente trabalho!

    • Emo Old School 22:11 em 03/05/2012 Link Permanente | Resposta

      Excelente, RAMONES vai ficar pra sempre influente.

    • carames 3:19 em 04/05/2012 Link Permanente | Resposta

      • Gota 16:35 em 04/05/2012 Link Permanente | Resposta

        Demais! Parabéns!

        • Gota 16:51 em 04/05/2012 Link Permanente

          carames, fiquei curioso com um dado: “Ramones (1976) e Leave Home (1977) tiveram todas as suas músicas executadas diversas vezes…”
          Sempre me pareceu óbvio que com apenas dois discos eles tenham tocado todas ao vivo, mas nunca ouvi falar de algum registro de What’s Your Game.
          Em relação ao Rocket to Russia, nunca consegui descobrir se há registro de Ramona e Why is it Always This way.
          Tu tem alguma delas, ou sabe me apontar as datas em que foram executadas?
          Valeu! Abraço!

        • carames 17:06 em 04/05/2012 Link Permanente

          What’s your game apareceu uma única vez num show em fevereiro de 75. não tenho em áudio, só o setlist.
          em relação ao Rocket to Russia, são exatamente estas as duas únicas inéditas. claro, isto com base nos setlists que consegui, eventualmente pode ser que apareça um que aponte o contrário…
          valeu pela visita e pelo comentário. abraço.

    • Fernando 13:02 em 04/05/2012 Link Permanente | Resposta

      Cara, Parabéns pelo excelente trabalho, o que enaltece mais ainda é a banda escolhida, RAMONES, como disse sempre influente e deixa saudades, FODA!

    • tropicalyouth 13:58 em 04/05/2012 Link Permanente | Resposta

      lindo ;~~~~

    • dudu munhoz 16:51 em 05/05/2012 Link Permanente | Resposta

      parabéns pela iniciativa.
      forte abraço,
      dudu munhoz (curitiba ramones day).
      ps. entre em contato por favor.

    • carames 15:07 em 18/08/2012 Link Permanente | Resposta

    • Rodrigo 16:58 em 04/09/2013 Link Permanente | Resposta

      • carames 17:29 em 04/09/2013 Link Permanente | Resposta

        valeu Rodrigo!! boa parte da minha pesquisa veio daí, mas pelo visto adicionaram novos shows. bora atualizar o post.
        obrigado pela contribuição.

  • carames 18:06 em 26/02/2012 Link Permanente | Resposta
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    Festival O Começo do Fim do Mundo (1982-2012) 


    O festival O Começo do Fim do Mundo reuniu no Sesc Pompéia diversas bandas punk da capital e do ABC paulista (Cólera, Decadência Social, Desertores, Dose Brutal, Estado de Coma, Extermínio, Fogo Cruzado, Hino Mortal, Inocentes, Juízo Final, Lixomania, M-19, Negligentes, Neuróticos, Olho Seco, Passeatas, Psykóze, Ratos de Porão, Suburbanos e Ulster).

    Organizado pelo escritor Antônio Bivar (o mesmo das obras Jack Kerouac: o rei dos beatniks e O Que é Punk), o evento ocorreu nos dias 27 e 28 de novembro de 1982, foi gravado em áudio e lançado em LP no ano seguinte – deixando a banda Ulster de fora.

    Em 1995 foi lançada uma reedição em CD com músicas extras e, desta vez, com a inclusão da Ulster que havia optado por não participar do LP por não ter gostado da qualidade das gravações.

    30 anos depois do evento, no mesmo Sesc Pompéia, ocorre no final de março deste ano a reedição do festival que deverá reunir bandas que sobreviveram ao teste do tempo e continuam na ativa como Ratos de Porão, Inocentes, Garotos Podres e Invasores de Cérebro. Contando com a curadoria de Clemente (Inocentes) e assessoria de Bivar, além dos shows, quem for até lá poderá conferir debates, exibição de filmes e oficinas.

    Bandas que surgiram depois deste festival tanto no cenário nacional (como Flicts) como no exterior (a argentina Ataque 77) também estão escaladas para o evento deste ano que ainda poderá contar com Olho Seco.

    Confira a programação:

    Inocentes, Devotos e Os Excluídos
    Dia 29/03 Quinta, às 21h30.

    Garotos Podres, Attaque 77 (ARG) e Flicts
    Dia 30/03 Sexta, às 21h30

    Ratos de Porão, Invasores de Cérebros e Questions
    Dia 31/03 Sábado, às 21h30.

    Tracklist do LP de 1983
    Lado A:
    01 “Faces da Morte” (Dose Brutal)
    02 “19 de Abril” (M-19)
    03 “Carecas” (Neuróticos)
    04 “Salvem El Salvador” (Inocentes)
    05 “Papo Furado” (Psykóze)
    06 “Ratos de Esgoto” (Fogo Cruzado)
    07 “Liberdade” (Juízo Final)
    08 “Não Quero” (Desertores)
    09 “C.D.M.P. (Cidade dos Meus Pesadelos)” (Cólera)
    Lado B:
    10 “Herói” (Negligentes)
    11 “Holocausto” (Extermínio)
    12 “Êra Suburbanos” (Suburbanos)
    13 “Direito de Protestar” (Passeatas)
    14 “Punk!” (Lixomania)
    15 “Haverá Futuro?” (Olho Seco)
    16 “Decadência Social” (Decadência Social)
    17 “Marginal” (Estado de Coma)
    18 “Novo Vietnã” (Ratos de Porão)
    19 “Desequilíbrio” (Hino Mortal)




     
    • Denão tattoopunk 7:19 em 26/09/2012 Link Permanente | Resposta

      Mássa..!!!.ke vivenciou,,,,,,nunka skecerá…!!!eu sou pós-80…e fiko apenas kom o registro em minhas mãos….o LP..!!!…tenho…guardo e kuido komo um filho!!!!..Punk’s not dead!

  • carames 0:54 em 24/02/2012 Link Permanente | Resposta
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    Confirmada turnê de Jello Biafra no Brasil em março 


    O portal Zona Punk divulgou hoje a relação de datas da turnê de Jello Biafra e sua The Guantanamo School of Medicine que rola em março no Brasil. Confira as datas confirmadas abaixo:

    24/ Sábado no Beco 203 – SP
    25/ Domingo – no Espaço Cult – Curitiba
    27/ Terça – no Beco de Porto Alegre
    28/ Quarta – no Teatro Odisséia – RJ

    Biafra capitaneou a lendária banda californiana de hardcore Dead Kennedys até 1986. Após deixar a banda ele lançou discos com a banda que deverá acompanhá-lo na turnê e LARD, além de ter lançado uma série de discos intitulados Spoken Words contendo discursos de Biafra.

    Discografia com Dead Kennedys:
    1980 – Fresh Fruit for Rotting Vegetables
    1981 – In God We Trust, Inc. EP
    1982 – Plastic Surgery Disasters
    1985 – Frankenchrist
    1986 – Bedtime For Democracy
    1987 – Give Me Convenience Or Give Me Death


     
  • carames 2:14 em 15/02/2012 Link Permanente | Resposta
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    Show do Ratos de Porão na turnê Roots do Sepultura 

     
  • carames 0:10 em 06/12/2011 Link Permanente | Resposta
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    Show Dark Funeral em Santa Maria 

    Amanhã é dia de conferir a banda sueca de black metal Dark Funeral que se apresenta em Santa Maria no Garganta do Diabo Festival.

     
  • carames 0:04 em 13/11/2011 Link Permanente | Resposta
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    Pearl Jam faz show apoteótico em Porto Alegre 

    Paguei, na noite de ontem uma dívida de 6 anos que tinha comigo mesmo e com o bom senso. Em novembro de 2005 o Pearl Jam tocou no estado e simplesmente não fui ao show. Um erro consciente mas que não poderia ser cometido duas vezes.

    Minha escolha àquela altura foi lógica. Simples assim. Apesar das dezenas de shows que vi da banda em DVD e uma quantia ainda mais numerosa dos tão famosos bootlegs do grupo que ouvi (e que só atenuam a minha culpa) é lógico pensar que pagar um valor por um produto ou serviço é uma decisão que não se toma sem levar em consideração outros aspectos.

    Ingressos caros, horas de viagem, outras tantas de espera em filas mal organizadas sob sol forte ou mal tempo. Estrutura do evento carente de conforto para o público, preços abusivos de bebida e comida e para completar atrasos absurdos e um show burocrático por parte de uma banda cansada da rotina de repetir o repertório uma cidade após a outra. Esta é a prática que se aplica a festivais e grandes eventos no país e é o motivo lógico que sempre me fez evitá-los.

    Bem, continuo pensando desta maneira embora há seis anos tenha percebido que Pearl Jam é uma das únicas três bandas que seriam capazes de me fazer dar razão ao emocional, ignorando os fatores já enumerados e compensariam tamanho esforço. Sendo assim, comprei o ingresso e fui preparado para o pior.


    O resultado? Não poderia ter sido melhor. Fiquei em uma das filas protegido do sol forte sob uma sombra providencial e adentrei ao estádio do São José (o famoso Zequinha) tão logo os portões abriram e de acordo com o que havia sido prometido pela organização. Já na entrada uma boa surpresa para quem gosta de voltar pra casa com algo mais do que fotos, vídeos ou histórias para contar. Camisetas, bonés, cartazes e outros itens oficiais da banda estavam disponíveis para venda.

    O fato de toda arquibancada ser coberta, as apresentações quase pontuais e os shows que vieram a seguir não me deixam outra alternativa além de elogiar a organização do evento e concluir que valeu cada centavo. A banda Wannabe Jalva subiu ao palco às 18:45 para um set rápido enquanto o lugar ainda enchia de fãs e o sol desaparecia no horizonte.

    Praticamente uma hora mais tarde foi a vez dos veteranos do X, banda formada ainda nos anos 1970 e que, liderada pelo vocalista John Doe, levantou o público com todos os hits que os fãs da banda poderiam esperar. Johny Hit and Run Paulene passando por Nausea, Los Angeles e sua versão de Soul Kitchen dos The Doors, finalizando com Devil Dog e Eddie Vedder nos vocais.

    Com quinze minutos de atraso Eddie Vedder (vocal e guitarra), Mike McCready (guitarra), Stone Gossard (Guitarra), Jeff Ament (baixo) e Matt Cameron (bateria) subiram ao palco já com a casa cheia e fizeram vibrar cada um dos vinte mil presentes. A sequência inicial com Why Go e Do the Evolution davam mostra do que estaria por vir. Falando com frequência entre as músicas (a maioria das vezes em português) Vedder avisou que este era o último show da turnê no Brasil e assumiu seu apreço pelo público brasileiro.

    A platéia correspondeu cantando parabéns a você para esposa do vocalista. Black, Jeremy, Daughter, Even Flow e uma versão arrepiante de Crazy Mary estiveram entre as 32 músicas que o público entoou como hino.

    As homenagens continuaram com Light Years emendada em I Believe in Miracles dos Ramones, tributo ao falecido guitarrista Johnny Ramone, velho amigo de Vedder.

    Foram quase 3 horas em que o Pearl Jam apresentou um set bastante vigoroso e com set diferente dos demais shows da turnê com direito ao vocalista passeando em meio a galera e ainda convidando três adolescentes para subirem ao palco e assistirem ao show com maior conforto.


    Ainda teve Alive e Rockin in the Free World com o estádio em êxtase, incluindo Eddie Vedder que também não continha a euforia. O show terminou quando já passava da meia noite. Vedder e cia seguiram viagem com sua tour mundial que estão fazendo celebrando os 20 anos de banda e que inclui Argentina, Chile, Peru, Costa Rica e México.

    Eu, voltei pra casa, cansado mas satisfeito. Convencido que um grande show pode ser bem organizado, pontual e cuidar bem do seu público. Com uma dívida quitada e com a promessa da banda de um retorno em breve. Bem, estarei lá também.

    Main Set: Why Go, Do the Evolution, Severed Hand, Corduroy, Got Some, Low Light, Given To Fly, Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town, Evenflow, Unthought Known, Present Tense, Daughter/Crowd Improv/Blitzkrieg Bop/It’s Ok, 1/2 Full, Wishlist, Rats, State of Love and Trust, Black

    Encore 1: Just Breathe (Crowd sang Happy Birthday to Jill prior to song), Oceans, Comatose, Light Years (Dedicated to Johnny Ramone), I Believe in Miracles, The Fixer, Rearviewmirror

    Encore 2: Last Kiss, Betterman, Crazy Mary, Jeremy, Alive, Rockin’ in the Free World, Indifference, Yellow Ledbetter




     
    • Vitor 18:36 em 13/11/2011 Link Permanente | Resposta

      Cara, eu também deixei de ir no show de 2005, e na mesma situação de arrpendimento, não poderia ter deixado de ir neste. Fiquei na arquibancada coberta também. Que showzaço!! Tche, valeu muuuito!

  • carames 0:48 em 08/11/2011 Link Permanente | Resposta
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    Pearl Jam em Porto Alegre 11/11/11 

    Depois de 2 shows no Morumbi em São Paulo e um no Rio de Janeiro (dia 6 na Apoteose) os americanos do Pearl Jam se apresentam em Curitiba (dia 9 no Estádio do Paraná Clube) e encerram a passagem pelo Brasil em Porto Alegre (dia 11 no Estádio Zequinha).

    A banda liderada por Eddie Vedder se apresentou no país em 2005 e recentemente lançou um documentário em comemoração aos 20 anos de carreira do grupo que surgiu no começo dos anos 1990 na cena grunge de Seattle junto com Nirvana, Soundgarden e Alice in Chains.

    A abertura fica por conta dos punks de Los Angeles X que prometem esquentar o clima para Vedder e cia. No repertório do X hits como Johny Hit and Run Paulene e Burning House of Love.





     
  • carames 0:48 em 07/11/2011 Link Permanente | Resposta
    Tags: 24 Hour Party People, 6 de novembro de 1975, A Festa Nunca Termina, , Primeiro show dos Sex Pistols completa 36 anos, , Saint Martins College, , show   

    Primeiro show dos Sex Pistols faz aniversário 

    Foi na noite de 6 de novembro de 1975 que, pela primeira vez, os Sex Pistols – Johnny Rotten (vocais), Glen Matlock (baixo), Steve Jones (guitarra) e Paul Cook (bateria) – se apresentaram publicamente.

    A banda foi formada por iniciativa de Malcolm McLaren, proprietário de uma loja de roupas sadomasoquistas (daí o SEX no nome da banda) e que já havia empresariado os New York Dolls.

    O show no Saint Martins College acabou sendo um fiasco e mal chegou aos dez minutos de duração. Uma funcionária do local teria desligado os amplificadores, atordoada com o som da banda. O show é retratado no filme A Festa Nunca Termina (24 Hour Party People) de 2002.

    Poucos meses mais tarde a banda sacudiria a Inglaterra e escreveria seu nome na história da música.


     
  • carames 15:04 em 30/10/2011 Link Permanente | Resposta
    Tags: , goldfinger, , , , , , show,   

    Goldfinger e Reel Big Fish em Porto Alegre 

    Os californianos da Goldfinger e da Reel Big Fish trouxeram na última quinta-feira (27/10), pela primeira vez aos palcos gaúchos, o melhor do ska punk. Com muita energia e músicas dançantes o público que foi até o Opinião curtiu dois ótimos shows.


    As fotos são do site Oba Oba


     
  • carames 1:56 em 11/10/2011 Link Permanente | Resposta
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    Saldo do primeiro final de semana do Morrostock 2011 

    Versão curta: quem foi, presenciou a história sendo escrita diante dos próprios olhos. Para quem deixou de ir, lamentar-se não será suficiente.

    Versão sem cortes:
    Começou no último final de semana o Festival Morrostock que, mesmo sendo bem menos badalado e sem as atrações midiáticas trazidas pelo Rock in Rio ou SWU, chega a sua 5ª edição em 2011 .

    Sediado em Sapiranga, a 60 km de Porto Alegre, o evento reúne bandas do cenário alternativo gaúcho e nacional apresentando atrações underground já veteranas e outras tantas sem o mesmo tempo de estrada.

    A abertura dos trabalhos ficou por conta da banda Atrito (de Campo Bom) que no começo da noite da última sexta-feira (7/10) abriu caminho para as porto alegrenses Draco, Phornax e Tierramystica (que coverizou a clássica Fear of the Dark) além dos paulistas da Soulspell.

    A inclusão de bandas de diferentes vertentes do hardcore e do heavy metal garantiu um público heterogêneo: bikers, bangers e punks dividiram democraticamente o espaço destinado aos shows e a área de camping anexa ao complexo conhecido como Bar do Morro.

    A ameaça de temporal que se anunciava desde o princípio da semana felizmente converteu-se em poucos pingos que não foram suficientes para estragar a festa. Os atrasos é que, sim, desafiaram a paciência da galera. A afinação de instrumentos por parte de algumas bandas acabou durando tanto tempo quanto a própria apresentação.

    Com o cronograma atrasado em até duas horas teve banda que não se apresentou por conta do atraso e por divergências com a organização do evento. A grande expectativa da noite ficou por conta da lendária banda precursora do punk paulista Condutores de Cadáver.

    Fora dos palcos por um longo período a banda declarou estar feliz pelo retorno apesar do único “ensaio” ter ocorrido horas antes – eles faziam referência a apresentação no programa Radar da TVE.

    Por volta das 6 da manhã a formação que abriga figurinhas carimbadas do cenário alternativo: Índio (ex-Hino Mortal) nos vocais, Calegari (ex-Inocentes e 365) na guitarra, Hélio (ex-Cólera) no baixo e Babão (ex-Hino Mortal) na bateria, subiu ao palco e fez um show vigoroso com músicas como Choque, Condução para o Inferno e Futebol – que bem poderia ser o hino da copa no Brasil.

    Em um set de 45 minutos eles mostraram porque serviram de influência para tantas bandas como Cólera e Ratos de Porão e merecem serem considerados os Stooges tupiniquins.

    Já com sol nascendo, a banda argentina Diferent encerrou a primeira noite que deixou a promessa de mais para o dia seguinte.

    Iniciando mais cedo que no dia anterior (17h ao invés de 21h) e contando com representantes do hardcore e seus subgêneros, a segunda noite destacou-se pela pontualidade das bandas caminhando para um desfecho de luxo com a aguardada apresentação do Olho Seco – inativa por 10 anos e que agora volta ao front.

    Antes deles, o hardcore da 4 Acordes (Sapiranga) e da Inseto Social (Santa Maria) deram mostra do que estaria por vir. O set dos santamarienses deve estar entre os melhores shows que já fizeram. Na sequência, o rock n’ roll de saia da Stella Can e o peso da Barulho Ensurdecedor (ambas de Porto Alegre). Chute no Rim (Alvorada) fechou o primeiro tempo de shows tão contundente quanto o título sugere.

    Imagine um jogo de futebol onde o técnico conversa no vestiário e a equipe volta ainda melhor pro segundo tempo. E este segundo tempo se mostraria avassalador com um show surpresa da Condutores de Cadáver que premiou aqueles que não haviam comparecido no dia anterior ou que não agüentaram esperar até 6 da manhã.

    Desta vez eles fizeram o show da noite anterior parecer um simples ensaio. A química entre banda e público (que comparecia em número expressivo já naquela altura) resultou em uma aula de hardcore. A performance do vocalista Índio era de um touro bravo solto na arena e a guitarra de Calegari conduzia a banda com poderosos riffs. Difícil de ser batido.

    Ainda se apresentaram Audioterapia (Osório), The Efficients (Canoas) e Out of Reason (Canoas) até que problemas técnicos afetaram o fornecimento de energia elétrica.

    Enquanto a galera esperava uma solução para o problema pode trocar uma idéia com os músicos de bandas lendárias do punk/hardcore nacional que circulavam pelo local além de poder comprar discos, DVDs e camisetas de bandas do gênero. Destaque para atenção que as bandas deram aos fãs demonstrando verdadeiro respeito por todos. Algo a ser aprendido por bandas mainstream.

    Depois de alguma espera o problema foi parcialmente solucionado, foi o suficiente para Conduta Destrutiva e a veterana Pupilas Dilatadas irem ao palco.

    Já eram 3 horas da madrugada quando a politizada banda paulista Ação Direta levou sua mensagem de consciência e contestação e aproveitou para fazer uma homenagem ao guitarrista Redson do Cólera, que morreu na semana passada.

    Finalmente a banda mais aguardada do primeiro final de semana começou a afinar os instrumentos. Liderada pelo vocalista Fábio Sampaio (único membro da formação original) acompanhado por André (bateria) e pelos integrantes do Agrotóxico Marcos (guitarra) e Jeferson (baixo). A vontade era tanta que durante a queda de energia Fábio ameaçou bem humorado: ‘vamos tocar mesmo sem luz, vai ser um acústico’.

    O que aconteceu logo depois foi uma catarse coletiva. A banda emendou Olho de Gato, Nada, Eu não sei, Sinto e óbvio, o hino Isto é Olho Seco em uma performance tão feroz que jamais se encaixaria em um projeto acústico. Punk rock de verdade, classudo e pegado. Ainda deu tempo para Ignorante, cover do Ulster e uma homenagem a Redson com a música Botas, Fuzis, Capacetes.

    Após a volta da Condutores de Cadáver aos palcos (com direito a dois shows) e o primeiro show do Olho Seco em solo gaúcho em 30 anos de banda os músicos ainda acharam tempo e disposição para dar entrevistas a documentaristas que estavam no local.

    Se nem o Rock in Rio com toda grife e o investimento feito escapou ileso de falhas, podemos dizer que a organização do Morrostock está de parabéns. Principalmente por se apropriar tão bem do conceito ‘faça você mesmo’ tão presente na filosofia punk.

    O festival, que tinha ainda no domingo a Confraria do Blues com Solon Fishbone, Fernando Noronha e Gaspo Harmônica vai até dia 16 deste mês com apresentação de diversas bandas. Acesse aqui a programação completa.

    O brother Homero Pivotto, responsável pelo programa Let’s Start também repercutiu os shows. Confira no site da web rádio Putzgrila.




     
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